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Edição 109 | EXPEDIENTE |
Por Jéssie Panegassi
Médicos de diversas áreas desmascaram as enfermidades que são verdadeiras vilãs do inverno e dão dicas de como se prevenir contra cada uma delas
Clinico Geral São várias as doenças que se agravam na época do frio. Mundialmente há um aumento das respiratórias, principalmente virais, que em 90% dos casos são benignas. Ao tratar os sintomas, elas tendem a desaparecer, mas o grande risco é de uma infecção bacteriana se alojar por causa da diminuição da resistência pela ação do vírus. "Se uma pessoa está com uma gripe comum e uma bactéria se instala em seu pulmão, ela pode desenvolver uma pneumonia", exemplifica Antonio Giurno, chefe do Pronto Atendimento do Hospital 9 de Julho. Nesses casos o paciente deverá ser tratado com antibióticos específicos. Segundo Giurno, esse quadro ainda é agravado, pois, além de chover menos nessa época do ano - aumentando a poluição e deixando o tempo seco - as pessoas passam mais tempo em lugares fechados e, assim, ocorre um aumento da circulação dos vírus. Cardiologista Com o tempo frio acontece a ativação metabólica do organismo, que faz com que se queime mais reservas para manter a temperatura corpórea e aumente o trabalho do coração. Sempre que uma pessoa fica exposta às baixas temperaturas, veias e artérias das regiões periféricas (mãos, pés, pernas e braços) se contraem e isso pode ser um problema para pessoas com histórico de doenças cardiovasculares. "Caso um paciente tenha redução de metade do diâmetro das veias por causa de uma placa de gordura, o problema pode se agravar e a obstrução chegar a 80%", cita Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia do Hospital do Coração (HCor). Ele ainda explica que depois que esse frio passa os vasos voltam ao normal rapidamente, o agravante será as quedas bruscas de temperatura. Pavanello frisa a importância de se manter sempre bem agasalhado durante o tempo frio. "É importante que o paciente tome essas precauções, principalmente contra o choque térmico. Um hipertenso, por exemplo, que está desprotegido e se sujeita a essas bruscas mudanças está se expondo a um risco adicional desnecessário", finaliza. As infecções respiratórias também representam um sinal de perigo, pois, podem influenciar e acelerar os problemas cardiovasculares. Pneumologista A gripe é causada pelos vírus influenza A e B e os sintomas são cansaço, febre de um a dois dias, dor no corpo e cabeça. Com o sistema imunológico sensibilizado por causa da presença do vírus, as bactérias conseguem se abrigar no corpo com mais facilidade e dão origem a problemas mais graves, como a pneumonia. Para que isso não ocorra, os médicos indicam a vacinação contra a gripe todos os anos - já que o vírus sempre sofre mutações. A vacina, por se tratar de um pedaço morto do vírus, não acarreta nenhum tipo de reação que comprometa a saúde. "Na época que é feita a campanha de vacinação contra a gripe muitas pessoas já estão no período de encubação. Então, mesmo depois de vacinado, o paciente pode apresentar os sintomas da doença", explica Lucia Ande, pneumologista do Hospital Beneficência Portuguesa. Para evitar o aparecimento desses sintomas e de quadros alérgicos, como a rinite, asma e bronquite, a médica recomenda lavar sempre as mãos, manter a casa limpa - prevenindo o aparecimento dos ácaros - evitar lugares com aglomeração de pessoas, alimentar-se corretamente e se manter bem hidratado. Ortopedista Dores nas articulações ou nas costas, em pacientes normalmente sadios, não é normal e pode ser um sinal precoce de algum problema que está para acontecer. "Em algumas pessoas, as mudanças que trazem as temperaturas frias podem agravar as condições inflamatórias", afirma Lafayette Lage, mestre em ortopedia pela FMUSP. Segundo ele, quando existe dor pode ser que exista uma exposição do osso sub-condral, aquele que fica abaixo da cartilagem e que não deveria transmitir a dor. "Isso significa que pode haver uma lesão na cartilagem, um início de artrose ou uma artrite", explica Lage. Para se prevenir contra tais sintomas, o melhor remédio é se manter aquecido, pois, o isolamento térmico evita a friagem que traz a dor. Caso ela persista, é aconselhável procurar um ortopedista ou um reumatologista para investigar o caso. Dermatologista Nessa época do ano, com o clima está mais seco, a pele fica exposta a um ressecamento natural. Contudo, alguns problemas como escoriações, dermatites, alergias e infecções podem surgir do ressecamento excessivo caso não sejam tomados os devidos cuidados. Um deles é o uso do protetor solar, que não deve ser esquecido mesmo no inverno, pois, a radiação não é visível e o risco de manchas e câncer de pele também existe. "O envelhecimento é comprovado pelo aumento das profundidades das rugas e perda da elasticidade da pele", explica Cristiane Braga, dermatologista especialista em medicina estética e tricologia. Segundo ela, como a incidência da radiação UV é menor, essa é a melhor época para fazer procedimentos estéticos mais agressivos, como o peeling. Para manter a hidratação da pele é recomendado tomar banhos mornos e passar hidratantes logo após lavar-se, além de ingerir bastante líquido.
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