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Edição 109 | EXPEDIENTE |
Rita Trevisan e Louise Vernier
Sem nem saber, você pode estar sofrendo uma tremenda pressão psicológica, no trabalho ou mesmo dentro da própria casa. E saber driblar esse tipo de estresse é fundamental para evitar que ele venha a provocar problemas físicos e emocionais mais sérios. Fique atento!
Nas finanças Num mundo capitalista, em que a maioria das atividades exige que se desembolse algum dinheiro, não ter o suficiente para manter um determinado padrão de vida pode causar alguns dissabores. O aparecimento das dívidas, seja pela má administração das finanças ou por conta do desemprego, gera, além da cobrança autoimposta, a pressão por parte dos familiares e pessoas próximas, para que se resolva o quanto antes a questão. Quem está na posição mais vulnerável pode reagir mal a tantas exigências, tornando-se agressivo com os demais. Também é comum que, nessa situação, a pessoa fique tão desnorteada a ponto de largar mão de tudo e se fechar. Em decorrência da instabilidade, quadros de hipertensão, fortes dores de cabeça, distúrbios do sono e problemas gastrointestinais podem aparecer, para complicar ainda mais o cenário. "Em alguns casos, o indivíduo chega num nível de intolerância tão grande, que acaba se tornando depressivo, ou então, ao não ver saída para o problema, desenvolve uma crise de pânico", explica a psicóloga Ana Rossi. Saia dessa: "Não aceite indiretas e evite atacar aqueles que o estão ofendendo. Em vez disso, prefira uma conversa franca, mostre que a situação também está sendo difícil para você e conte o que está fazendo para sair dela. Além disso, procure buscar o apoio de outras pessoas próximas e que o ajudem a encontrar saídas para o problema", completa. Na saúde A descoberta de uma doença grave, como o câncer, pode ser uma experiência traumática para algumas pessoas e levar até mesmo a uma piora do quadro. "Qualquer doença grave, incapacitante, causa sofrimento, porque remete a pessoa à sua própria finitude, a faz pensar na questão da vida e da morte, que é o conflito mais intenso com o qual o ser humano pode se deparar", explica a psicóloga Ana Cristina Waissmann, chefe da sessão de psicologia do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Existem várias doenças e sintomas que um trauma psicológico pode agravar, mas o mais comum é que apareçam quadros asmáticos, de hipertensão, problemas cardíacos, doenças de pele e dores de causas desconhecidas. Também os distúrbios emocionais são frequentes, como a angústia exagerada, a ansiedade e a depressão. O choque também pode fazer com que as pessoas se isolem e se sintam solitárias. Saia dessa: Para quem está nessa situação, o mais importante é procurar uma rede de apoio, uma instituição que reúna outros pacientes com aquela mesma doença, por exemplo, para poder dividir angústias e medos. Também vale cercar-se de familiares e amigos queridos. No mais, é interessante consultar-se com um psicólogo, que poderá escutar todas as dores e preocupações sem fazer julgamentos. "Uma pessoa que está sofrendo tanto não pode ter preconceito em procurar um profissional de saúde mental, porque esse auxílio só vai lhe fazer bem", reforça Ana Waissmann. Na vida social Piadas e brincadeiras são formas gostosas de distrair um grupo, emprestando certa leveza até mesmo aos momentos mais difíceis do dia a dia. Porém ser o alvo constante das gozações dos colegas, amigos e familiares pode desencadear problemas sérios de autoestima. A situação, conhecida como bullying, é frequente, principalmente nos ambientes escolares e de trabalho. E é comum que as vítimas se tornem pessoas facilmente irritáveis e que passem a ter dificuldade de se relacionar com os demais. Além disso, quem sofre bullying pode desenvolver crises de ansiedade, medo, pânico ou sentir uma forte angústia. Distúrbios alimentares e do sono, dores de cabeça com ou sem causa diagnosticada e problemas gastrointestinais também são sintomas de que as brincadeirinhas alheias estão passando dos limites. Saia dessa: Quem passa por uma situação tão delicada deve tomar uma atitude o quanto antes. E o melhor mesmo, segundo o psiquiatra Adriano Segal, é investir num bate-papo com os causadores de tanto constrangimento, explicando que suas piadas, muitas vezes, magoam. Se a perseguição estiver acontecendo no ambiente de trabalho, uma boa solução é conversar com o responsável pelo RH da empresa. "Esse profissional poderá tanto se comunicar com o agressor ou com os agressores, diretamente, como pensar em campanhas educacionais para sensibilizar os funcionários, em geral, quanto à inadequação e às consequências dessa forma pervertida de interação social", complementa Segal. Além disso, ao perceber o aparecimento dos primeiros sintomas relacionados à pressão psicológica, é importante procurar um psicólogo, para evitar complicações. Na aparência A exigência por uma forma física adequada aos padrões é, atualmente, uma grande causa de estresse. Assim, muita gente se sente extremamente pressionada para mudar algo em sua aparência. Nesse time estão, em maioria, os que desejam perder peso a qualquer custo. "Tornar-se ou manter-se magro é uma das maiores pressões da atualidade. O sofrimento pode ser intenso, mas as consequências serão individuais", diz Segal. Em geral, a preocupação excessiva com a forma acaba evoluindo para o aparecimento de um transtorno alimentar, como a anorexia e a bulimia, quadros que, se não forem tratados em tempo, podem até provocar a morte. Saia dessa: Ainda não inventaram receita melhor para a manutenção do peso ideal, sem abrir mão da saúde, do que aliar exercícios e uma alimentação balanceada. Para ter certeza de que se está realmente no caminho certo, nada melhor do que contar com o acompanhamento de um educador físico e de um nutricionista ou médico. E, se o que falta é motivação, uma boa estratégia é procurar grupos que reúnem pessoas compartilhando o mesmo objetivo e que organizam encontros semanais entre os membros. Contando com o carinho e o estímulo que vêm de fora, muitas batalhas individuais podem tornar-se infinitamente mais fáceis de serem vencidas.
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