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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  Como funciona a doação de órgãos

A carência de doadores ainda é um grande obstáculo para salvar muitas vidas

 

Por Priscila Moreira

 

A cidade de São Paulo é a capital que mais doa órgãos no Brasil. É importante esclarecer que a doação só acontece após a comprovação de morte encefálica (quando o cérebro para de funcionar, mas o coração e os outros órgãos continuam trabalhando).

 

O coordenador da Central de Transplantes do Estado de São Paulo, Luiz Augusto Pereira, informa que para se diagnosticar esse tipo de morte são necessários dois exames clínicos, feitos por dois médicos diferentes e um intervalo de seis horas, além de um exame gráfico complementar. "Para que a doação ocorra, é preciso que os familiares assinem um termo de autorização. Sem ele não podemos retirar nenhum órgão", afirma Pereira.

 

O intervalo entre a constatação do óbito e o início da retirada dos órgãos pode durar no máximo, 36 horas. Depois da autorização dos familiares, são feitos diversos exames para detectar doenças que possam inviabilizar o transplante, como HIV, hepatite B, hepatite C ou câncer. Depois, a central de transplantes é informada, para que possa identificar o paciente que receberá a doação. Podem ser transplantados órgãos coração, pulmão, pâncreas, rins e fígado, além de alguns tecidos, como córnea, pele, vasos, ossos e medula.

 

O Estado paulista possui Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), distribuídas em várias regiões. Elas fazem buscas em instituições menores e oferecem todas as condições de suporte técnico e logístico para os transplantes. Luiz Pereira diz que qualquer hospital que tenha um paciente em estado terminal de morte encefálica, pode avisar a Central de Transplantes, e eles rapidamente providenciam toda a logística de armazenamento do órgão.

 

Pereira ressalta que o povo brasileiro é muito solidário e que por isso os números são promissores. Hoje, em São Paulo, 70% das famílias aceitam doar os órgãos do ente querido, dando a possibilidade de vida saudável à outra pessoa. É importante que os profissionais de saúde envolvidos com a transplantação esclareçam todo o processo, mostrem sua seriedade, transparência e importância social para que o número de doadores cresça e salve muitas vidas.

 



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