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Edição 119 | EXPEDIENTE
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Terapia complementar
  Reeduque seus movimentos
O método Rolfing estimula a saúde, alivia o estresse e ainda permite que o corpo encontre alinhamento adequado em relação à força da gravidade

Por Cristina Almeida
 

Foto: Shutterstock

"Quando o corpo funciona de forma apropriada, a força da gravidade flui através dele e, espontaneamente, o próprio se cura.” Essa é a frase que explica o princípio do Rolfing, método idealizado pela bioquímica americana Ida Pauline Rolf e definido pelo National Institute of Health (EUA) como prática que utiliza a manipulação dos tecidos superficiais e profundos (fáscias) para promover a reeducação dos movimentos. A finalidade é estimular a saúde, aliviar o estresse e ainda permitir que o corpo encontre alinhamento adequado em relação à força da gravidade.

A técnica foi desenvolvida com base em observação. Ida Rolf não se conformava com as dificuldades de seus colegas no enfrentamento das várias síndromes de dor que a medicina não conseguia resolver. A partir daí, passou a pesquisar e experimentar vários sistemas de tratamento e manipulação. A pergunta que buscava resposta era: “Quais são as condições para que a estrutura humana se organize e se integre à gravidade, de forma que seu funcionamento possa ser mais econômico e otimizado?”.

Ela descobriu que músculos, tecidos miofasciais ou conjuntivos, tendões e ligamentos poderiam ser reeducados em seus movimentos, e por meio de um sistema capaz de incorporar a manipulação das fáscias. De acordo com Luiz Fernando Bertolucci, médico fisiatra e professor da Associação Brasileira de Rolfing, todo o trabalho é dirigido para o toque desses tecidos. Para explicar o que são fáscias, Bertolucci usa uma metáfora: “Imagine uma laranja. Quando retiramos sua casca, a segunda camada que encontramos é a parte branca. Este é o mesmo tecido que forma os gomos, envolvendo cada pedacinho deles”, diz. “Nas células, acontece o mesmo: cada célula muscular é envolvida por uma fina camada de fáscia. Uma segunda camada, mais espessa, agrupa várias células, formando os feixes de músculos. Estes são igualmente envolvidos por outra camada de fáscia, formando, assim, um músculo”, completa.

O especialista diz que quando uma pessoa tem má postura, sofre um traumatismo, passou por uma cirurgia ou possui uma inflamação, ocorre um enrijecimento das fáscias. Essa condição causa dor. No entanto, graças à plasticidade desses tecidos e à sua consistência gelatinosa, a manipulação pode agir sobre a rigidez: “O toque transforma aquela substância endurecida em maleável, permitindo que os músculos deslizem e se movimentem de forma natural, aliviando as consequências provocadas pela sobrecarga anterior”, explica Bertolucci.

Alinhamento postural
Um artigo de revisão publicado pela revista Physical Medicine and Rehabilitation Clinics of North America, de autoria do médico Tracey A. Jones, da Universidade da Califórnia, destacou que estudos anteriores mostraram que o Rolfing promove o alinhamento da espinha dorsal, da pélvis e das extremidades. “Os pontos fortes são a atenção à estrutura do esqueleto e da fáscia para identificar assimetrias. E a habilidade do técnico para identificar áreas de constrição produz resultados substanciais”, relata o pesquisador. Jones conclui que toda essa modificação traz para o cliente a possibilidade de uso eficaz dos músculos, melhor distribuição de energia, criando novos padrões de movimento. Além disso, observa-se redução da curvatura espinhal em pessoas com lordose, sem falar no estímulo do sistema nervoso.

Mas Bertolucci adverte: “É preciso que as pessoas entendam que o Rolfing não é uma terapia, embora seja utilizada como tal”. Foi idealizado como técnica preventiva. “A ideia de Ida Rolf era ajudar o ser humano em seu processo evolutivo. Daí ter sistematizado a manipulação do corpo inteiro para melhorar seu grau de integração”, observa.

Para quem acha que o método, por ser uma prática manual, é apenas uma massagem que leva ao relaxamento, o fisiatra pondera: “O Rolfing pode mesmo levar a esse estado. Contudo, é um poderoso recurso para o tratamento de problemas musculoesqueléticos, especialmente daqueles cuja causa é mecânica”, conclui.

TIRA-DÚVIDAS SOBRE O MÉTODO ROLFING

Como é a consulta?
Após avaliação postural, o paciente se submete aos cuidados do profissional de Rolfing, que efetuará movimentos mecânicos com as mãos, dedos ou cotovelos sobre todo o corpo. As sessões duram, em média, 45 minutos.

De que forma funciona?
A manipulação do tecido conjuntivo que envolve e conecta músculos e tendões promove a liberação das tensões presentes nos segmentos corporais. O resultado é a melhora na relação com as outras partes do corpo. Essa reintegração permite que o paciente se reoriente no espaço, aprimorando a postura e os movimentos. O corpo adquire equilíbrio e economia funcionais e deixa de gastar energia desnecessária para a prática de ações como caminhar, manter-se em pé etc.

Quais são as indicações?
Distúrbios musculoesqueléticos causados por má postura, traumas, estresse crônico, dores (incluídas as lombares, miofasciais, ombros e nuca), tensões, falta de flexibilidade, hérnias de disco, problemas relacionados ao nervo ciático.

Quem pode se beneficiar?
Todos, incluídos idosos e crianças. Atletas e bailarinos podem melhorar seu desempenho profissional.

As sessões provocam dor?
Os especialistas afirmam que, embora a prática manipule tecidos profundos, não pode ser definida como dolorosa.

Há contraindicações?
Sim, em casos de câncer ativo, erisipela ou abcessos, pois há possibilidade de disseminar células cancerosas e infecções por todo o corpo.

 





 
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