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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  No mundo da lua
Durante anos, crianças portadoras de TDAH foram tratadas como preguiçosas. Hoje, a partir de um exame clínico, é possível detectar e tratar o transtorno neurobiológico que está por trás de tantos problemas

Por Rita Trevisan Ilustração Luiz Lentini Fotos Fabio Mangabeira

Remédios que ajudam

Produção: Janaina Resende / Modelo: Matheus Sousa

Os remédios utilizados são feitos a partir do metilfenidato. "Costumo usar uma metáfora para explicar como essa droga atua: ela estimula a porção anterior do cérebro, que funciona como o maestro de uma orquestra, no caso, o cérebro todo. Na criança com TDAH, todos os instrumentos funcionam e todos os músicos estão a postos, mas o concerto nunca sai como deveria. Então, o medicamento ajuda a organizar o concerto, fazendo com que todos os músicos se empenhem na sua função, na hora certa e da maneira como deveriam", explica Mattos.

No ano que vem, uma nova classe de medicamentos deve chegar ao Brasil, desenvolvida com base em um composto conhecido como lisdexanfetamina. "Ela atua de forma bastante parecida com os remédios que já temos, mas é uma opção terapêutica para os casos em que o paciente não apresenta uma boa resposta àquele princípio ativo", diz a psiquiatra Evelyn Vinocur, coordenadora de um grupo de TDAH no Rio de Janeiro. "No Brasil, só encontramos as apresentações que devem ser tomadas diariamente. O que acontece é que alguns profissionais suspendem a medicação nos finais de semana e férias. Mas essa é uma decisão que varia de um médico para outro", complementa a neurologista Tatiana Freire Barbosa, especialista em TDAH, doutoranda no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (SP).

O tratamento pode se prolongar por alguns anos e, normalmente, os resultados positivos aparecem nas primeiras semanas de uso. "Cerca de 80% dos pacientes, sejam crianças ou adultos, apresentam uma excelente resposta ao tratamento medicamentoso", garante Célia Roesler. Os efeitos colaterais são raros e, segundo os especialistas, tendem a diminuir à medida que avança o tratamento. Os principais são perda de peso, insônia, dor de cabeça e irritabilidade.

Em alguns casos, o acompanhamento de outros profissionais da saúde, como o fonoaudiólogo, também se faz necessário. Isso acontece, por exemplo, quando a criança apresenta outro distúrbio associado, como a dislexia (relacionada à dificuldade de ler e compreender textos) e a disortografia (transtorno ligado à expressão escrita).

O papel dos pais

Produção: Janaina Resende / Modelo: Matheus Sousa

O apoio da família à criança é fundamental para o êxito do tratamento. O mais importante é saber que o filho realmente tem um transtorno e precisa de apoio. "O erro mais frequente dos pais é achar que a criança faz de propósito. Esse tipo de crítica atrapalha o processo de recuperação, deixando a criança ainda mais ansiosa e, consequentemente, mais desatenta", alerta a neurologista Alessandra Freitas, que atua na Associação de Assistência à Criança Deficiente e no Laboratório de Distúrbios do Desenvolvimento da USP. "É preciso lembrar que 100% das doenças psiquiátricas infantis só são percebidas pelo médico por meio de uma avaliação clínica. Então, é preciso levar em consideração o que o profissional diz sobre a saúde do seu filho e sobre a necessidade ou não de tratar o problema", complementa o psiquiatra Paulo Mattos.

 

Reconheça os sintomas de TDAH
O Transtorno do Défi cit de Atenção e Hiperatividade tem seu quadro clínico baseado no tripé hiperatividade, impulsividade e desatenção, podendo haver predomínio de um ou outro sintoma. Agitação psicomotora, dificuldade de controle dos impulsos e na manutenção da atenção são os principais marcadores da doença. Mas há outros sinais. Veja alguns deles:

As crianças com TDAH, em especial os meninos, são agitadas e inquietas. Mexem pés e mãos, não param na cadeira, falam muito e constantemente sempre pedem para se retirar da sala ou da mesa de jantar.
Elas têm difi culdades para manter a atenção em atividades muito longas, repetitivas ou que não lhes pareçam muito interessantes no momento.
Distraem-se facilmente por estímulos do ambiente externo, mas também com seus pensamentos.
Nas provas, são visíveis os erros que cometem por distração: erram sinais, vírgulas, acentos etc.
Como a atenção é imprescindível para o bom funcionamento da memória, as crianças com TDAH, em geral, são tidas como relapsas: esquecem recados ou material escolar, aquilo que estudaram para a prova etc.
Tendem a impulsividade: não esperam a vez, não leem a pergunta até o final e já respondem, agem sem pensar.
Apresentam dificuldades em se organizar e planejar aquilo que querem ou precisam fazer.
Seu desempenho sempre parece ser inferior. É mais comum que os problemas na escola sejam de comportamento e não de rendimento (notas).

PRESTA ATENÇÃO, MENINO!
De maneira geral, qualquer problema que gere desconforto na criança, físico ou emocional, pode atrapalhar a sua capacidade de concentração. Porém há quadros específicos em que a falta de atenção é característica marcante, além da TDAH. É o caso da dislexia, por exemplo, um transtorno relacionado com a capacidade de ler e compreender textos. "Cerca de 80% dos disléxicos têm dificuldades no aprendizado", diz a neurologista Célia Roesler. Problemas de audição também podem estar por trás de um quadro de baixo rendimento, na escola, provocado pela falta de atenção. "A criança tem que ouvir e entender o que ouviu, para continuar interessada no assunto", explica Célia. O hipotireoidismo, a epilepsia, o autismo, o retardo mental, a síndrome de Asperger, entre outros, também cursam com a falta de atenção. Daí a importância da visita ao médico, para uma avaliação clínica.

 

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