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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  O que indica cada laboratorial
Eles são complementares. Ou, pelo menos, deveriam ser. Mas na opinião dos próprios médicos, sobram testes laboratoriais e faltam avaliações físicas

por André Bernardo

Salvo raríssimas exceções, qualquer consulta médica segue mais ou menos a mesma cartilha: o paciente chega ao consultório, queixa-se de sua saúde, relata alguns sintomas e, apreensivo, pergunta ao médico se o seu estado é grave. Em seguida, o médico faz uma análise clínica do paciente, levanta o seu histórico familiar, realiza exames físicos e, só então, solicita exames laboratoriais ou de imagem para confirmar a sua hipótese diagnóstica. Certo? Nem sempre...

Às vezes, os médicos subvertem essa ordem. Ou pulam etapas. Há especialistas que, por diversos motivos, deixam de fazer exame físico ou levantar o histórico familiar do paciente. Contentam-se, apenas, em solicitar uma infinidade de exames. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), a cada 100 consultas realizadas por convênios médicos que possuem clínicas e hospitais próprios, cerca de 90 delas registram a solicitação de exames.

Esse número tende a subir quando o atendimento é feito pela rede credenciada. Segundo a Abramge, a proporção é de 1,5 exame para cada consulta. "Há um exagero na solicitação de exames. Muitos são pedidos ao acaso, sem qualquer base clínica. Não é à toa que 70% dos resultados são normais", afirma Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. "O ideal seria o médico formular um bom raciocínio clínico, chegar a uma hipótese diagnóstica e, só então, pedir exames vinculados àquele diagnóstico", ensina.

Banalização dos testes

Para Lopes, são muitas as razões que levam os médicos a exagerar na hora de prescrever exames. A falta de tempo é uma delas. A má-formação profissional é outra. "Muitos médicos não têm tempo suficiente para examinar o paciente e fazer uma boa análise clínica. Já os que têm não se sentem seguros para formular um diagnóstico".

Clínico geral do Hospital Sírio-Libanês, Euclides Cavalcante concorda com Lopes. Mas acrescenta que os médicos não são os únicos responsáveis pelo número abusivo de exames. Segundo ele, os pacientes têm a sua parcela de culpa. "Muitos querem usufruir ao máximo o plano de saúde. Acreditam que, por pagarem, têm direito a fazer todo e qualquer exame. Com isso, a análise que deveria ser complementar passa a ser o principal foco da consulta. Essa atitude é equivocada", salienta Cavalcante.

Os exames de imagem mais solicitados são as radiografias e as ultrassonografias. Quanto aos testes laboratoriais, o mais pedido é o de sangue

Avanços tecnológicos

Na opinião de Carlos Alberto Martins de Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia, o aumento no número de solicitações se deve, também, ao aumento no número de exames à disposição da classe médica. Ele cita o caso da ressonância magnética ou da tomografia computadorizada. "Há 30 anos, se o médico identificasse algo estranho em uma radiografia de tórax, não tinha o que fazer. Ou operava o paciente ou prescrevia medicamentos. Hoje, ele pode solicitar uma tomografia computadorizada para investigar melhor", explica Souza.

Para Souza, os exames de imagem mais solicitados são as radiografias - principalmente as de tórax, coluna e seios da face - e as ultrassonografias - especialmente as de abdome e a transvaginal. Quanto aos eventuais malefícios da radiação, garante que eles são mínimos se comparados aos benefícios da avaliação radiológica. "Os exames radiológicos de rotina oferecem um risco desprezível porque a quantidade de radiação emitida é muito pequena", tranquiliza.

Já o exame laboratorial mais solicitado, segundo a diretora médica do Laboratório Sérgio Franco, Mônica Freire, é o de sangue. Em relação à periodicidade com que os exames devem ser realizados, Mônica afirma que tudo depende do quadro clínico do paciente e do fator de risco da doença. "A cada nova descoberta tecnológica, o número de exames à disposição da medicina tende a aumentar. Mas um exame não substituirá o outro. Apenas complementa", salienta.

Quanto aos especialistas que podem e devem solicitar exames, Mônica explica que todo médico, de qualquer especialidade, pode e deve solicitar o exame que julgar necessário. "O médico não precisa ser cardiologista para solicitar um eletrocardiograma. Ou um neurologista para pedir uma ressonância magnética. Todos os médicos podem pedir todos os exames, independentemente de sua especialidade. Se ele acredita que aquele exame vai ajudá-lo no diagnóstico ou no tratamento, tem toda a liberdade para solicitá-lo", explica.

Conheça os principais exames de rotina

Ecocardiograma

O que é: análise da anatomia cardíaca e detecção de possíveis anomalias sanguíneas dentro dos vasos e artérias, como coágulos, por exemplo. Preparo: não precisa. Quem solicita: cardiologista, clínico geral, entre outros.

Eletrocardiograma (ECG)

O que é: análise dos batimentos cardíacos e detecção de possíveis anomalias, como arritmia cardíaca, por exemplo. Preparo: não precisa. Quem solicita: cardiologista, clínico geral, entre outros

Eletroencefalograma (EEG)*

O que é: avaliação da atividade elétrica do cérebro e diagnóstico de suspeitas neurológicas, como epilepsia, por exemplo. Preparo: evitar o consumo de bebidas que contenham cafeína, como café, chá e refrigerante, por até 8 horas antes do exame. Manter o cabelo limpo e seco para permitir melhor fixação dos eletrodos. Quem solicita: neurologista, entre outros.

Endoscopia

O que é: detecção precoce de possíveis anormalidades no sistema gastroinstestinal. Preparo: jejum de 8 horas. Em alguns casos, recomenda-se interromper o uso de certos medicamentos, como anti-inflamatórios e anticoagulantes, entre outros. Quem solicita: gastroenterologista, clínico geral, entre outros.

Exame de Papanicolau

O que é: detecção precoce de câncer de útero e infecções pelo vírus HPV. Preparo: não precisa. Apenas evite o uso de creme vaginal. Quem solicita: ginecologista, clínico geral, entre outros.

Exame de PSA

O que é: detecção precoce do câncer de próstata. Preparo: jejum mínimo de 4 horas, abstinência sexual de 48 horas e não praticar exercícios físicos, como andar de bicicleta, antes do horário da coleta. Quem solicita: urologista, proctologista, clínico geral, entre outros.

Fezes

O que é: pesquisa de parasitoses intestinais. Sangue nas fezes pode indicar câncer no intestino. Preparo: coletar o material em recipiente limpo e seco, evitar a contaminação com urina, água ou outro elemento, e não usar purgativo. Em caso de prisão de ventre, usar supositório de glicerina. Não é preciso fazer jejum. Quem solicita: clínico geral, gastroenterologista, entre outros.

Hemograma completo

O que é: detecção de possíveis anormalidades nas células sanguíneas, como anemia, infecções, leucemias ou deficiência de plaquetas. Preparo: não é necessário fazer jejum. É recomendável apenas evitar dieta rica em gorduras e exercício físico intenso. Quem solicita: endocrinologista, cardiologista, clínico geral, entre outros.

Mamografia

O que é: detecção precoce de câncer de mama. Preparo: não usar desodorante ou creme no corpo no dia do exame. Quem solicita: ginecologista, mastologista, entre outros.

Radiografia

O que é: pesquisa de tumores ou infecções como pneumonia e tuberculose no caso de uma radiografia de pulmão, por exemplo. Preparo: não precisa. Deve-se apenas retirar joias e avisar se está grávida. Quem solicita: ortopedista, pneumologista, clínico geral, entre outros.

Ressonância Magnética*

O que é: avaliação de estudos neurológicos, músculos-esqueléticos e de mama. Preparo: não precisa. Portadores de marca-passos não devem ser submetidos a exames de ressonância magnética. Quem solicita: neurologista, ginecologista, oncologista, entre outros.

Sangue

O que é: detecção precoce de disfunções hormonais, doenças infecciosas ou distúrbios no sistema imunológico. Se não apresentar problemas, deve ser repetido anualmente. Preparo: não é necessário jejum. Informe ao seu médico se você estiver no período menstrual. Quem solicita: endocrinologista, cardiologista, clínico geral, entre outros.

Tomografia computadorizada*

O que é: detecção de doenças ósseas e pulmonares. Preparo: com sedação ou contraste, jejum de 4 a 6 horas antes do exame. Retirar joias e próteses. Quem solicita: pneumologista, ortopedista, clínico geral.

Ultrassonografia

O que é: detecção de anomalias nos órgãos internos, como cistos e tumores, especialmente no fígado e rins. Durante a gravidez, examina o útero, a placenta e o feto. Preparo: na maioria das vezes, não precisa de preparo. Mas em alguns casos, recomenda-se, na véspera do exame, não fumar, não ingerir bebida alcoólica ou consumir doces, refrigerantes e frituras. No dia do exame, fazer jejum e tomar 4 a 5 copos de água antes de sair de casa e não urinar até a hora do exame. Na ultrassonografia transvaginal, a paciente não deve estar menstruada. Quem solicita: urologista, nefrologista, ginecologista.

Urina

O que é: detecção precoce de infecção urinária, diagnóstico de doenças renais, monitoramento de diabetes e confirmação de gravidez. Altos índices de glicose e proteína podem ser sinal de diabetes. Preparo: coleta da primeira urina da manhã ou após a retenção da urina quatro horas após a última micção. Desprezar o primeiro jato e a porção final. Manter a urina sob refrigeração até levá-la ao laboratório. Quem solicita: endocrinologista, clínico geral, entre outros.

(*) Não são considerados exames de rotina. Fontes: Laboratório Sérgio Franco e Laboratório Richet.

Fus'ao de imagens: Helton Gomes / ilustração: Leandro Benigno

 





 
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