Manual de sobrevivência do torcedor da copa Uma seleção de craques escalada pela VivaSaúde orienta os brasileiros sobre como assistir aos jogos da Copa do Mundo da maneira mais saudável possível. Para isso, é preciso aprender a golear o estresse, dar um chapéu no álcool e chutar a ansiedade para a arquibancada. Não perca o nosso...
por André Bernardo | foto Fábio Mangabeira
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Torcedor que é torcedor já começa a passar mal quando o seu time entra em
campo. Se o jogo é da seleção, então, a angústia é ainda pior. A impressão que
dá é que, a cada chute a gol ou bola na trave, o coração vai saltar pela boca.
Na Copa do Mundo de 1998, na França, um estudo inglês registrou um aumento de
25% nas internações hospitalares após a eliminação da seleção de David Beckham
& Cia. nas oitavas de final. Na de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, o
número de internações chegou a 60% na Suíça. Um detalhe é que o país não estava
sequer disputando a Copa do Mundo. Mas se o esporte mais popular do planeta
mexe com os nervos dos suíços, que nunca conquistaram um Mundial, o que dizer,
então, dos brasileiros, que são pentacampeões? É por isso que
VivaSaúde escalou uma seleção de craques, das mais diferentes
especialidades, para orientar o torcedor, principalmente o hipertenso, o
cardiopata e o portador de diabetes, sobre como se comportar antes, durante e
depois dos jogos do Brasil na Copa da África do Sul.
Os médicos alertam que toda e qualquer situação de estresse, como assistir a
um jogo de futebol, provoca uma série de reações químicas no organismo. A mais
famosa delas é a descarga de adrenalina, um hormônio produzido nas glândulas
suprarrenais. Diante de uma situação de perigo ou ameaça, a adrenalina prepara o
indivíduo para duas opções: lutar ou fugir. O efeito mais evidente está
relacionado ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Mas a
adrenalina provoca também outros efeitos, como a tonificação dos músculos e a
dilatação da pupila. Em curto prazo, produz taquicardia, sudorese, boca seca e
falta de ar. Em longo prazo, pode causar até diabetes e hipertensão em
indivíduos propensos. "Em momentos de expectativa, como a cobrança de um
pênalti, recomendo que os torcedores mais vulneráveis deem uma volta pela casa.
Que tal ir até a cozinha beber água?", aconselha Ana Maria Rossi, presidente da
International Stress Management Association (ISMA-BR).
Goleada de emoções
Qual seria, na opinião dos
médicos, o momento mais crítico para a saúde do torcedor durante os 90 minutos
de uma partida? A hora do gol, os minutos finais, a cobrança de pênalti, a
expulsão do centroavante? Segundo o cardiologista Ricardo Vivacqua, do Hospital
Pró-Cardíaco (RJ), é impossível quantificar ou qualificar o momento mais
emocionante. Tudo vai depender da sensibilidade de cada um. "O mais importante é
que o torcedor consiga identificar seus limites físicos e emocionais. E,
principalmente, que saiba respeitá-los", enfatiza Vivacqua. A principal
recomendação dos médicos é que, apesar de toda a euforia, os torcedores não se
esqueçam de tomar os seus remédios habituais. Além disso, eles devem prestar
atenção redobrada a certos sintomas, como falta de ar, dor de cabeça e
palpitações no peito. "Caso apresente algum deles durante a comemoração, o
torcedor deve procurar o pronto-socorro", aconselha Vivacqua.
Na opinião
do endocrinologista Márcio Mancini, da Associação Brasileira para o Estudo da
Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), não são apenas os jogadores que
devem ser submetidos a exames médicos antes de participarem de uma Copa do
Mundo. Os torcedores, principalmente os portadores de diabetes, também deveriam.
"O paciente com diabetes tem um risco mais elevado de desenvolver doenças que
são fatores de risco cardiovascular, como obesidade, hipertensão e colesterol
alto. Desse modo, é importante que as condições do coração tenham sido avaliadas
pelo seu médico", aconselha Mancini. Os torcedores devem tomar as suas
precauções. Antes de ingerir bebida alcoólica, por exemplo, podem consultar o
seu médico de confiança e perguntar a ele se o consumo de chope pode causar
algum tipo de reação adversa quando misturado com remédios para hipertensão ou
diabetes. "No campo ou em casa, devemos estar atentos para não tomar
contra-ataque", brinca o endocrinologista Ivan Ferraz, da Sociedade Brasileira
de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
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