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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  O que a vacina faz, pela saúde da criança?
Em pleno século XXI, há quem ainda duvide da eficácia da imunização. A verdade é que as vacinas erradicam doenças, previnem infecções e reduzem o número de internações hospitalares

Por André Bernardo

Quando desenvolveu uma vacina contra a varíola em 1796, o médico inglês Edward Jenner não imaginou que estava prestes a revolucionar a medicina. Na ocasião, ele observou que, após contraírem a varíola bovina, as mulheres que ordenhavam vacas ficavam imunes à varíola humana. Após 20 anos de pesquisa, Jenner fez sua primeira experiência em um garoto de oito anos ao imunizá-lo com o soro da varíola bovina. Não é à toa que o termo "vacina" vem do latim vaccinus, que quer dizer "vaca".

Passados mais de 200 anos, a descoberta de Jenner tornou-se a segunda medida mais eficaz de prevenção contra doenças. A primeira é a água potável. "Muita gente pensa que tratar é melhor do que prevenir. Os antibióticos são ótimos, mas eles só podem ser usados contra doenças A vacina, ao contrário, é preventiva", afirma a pediatra Isabela Ballalai, vice-presidente da Associação Brasileira de Imunizações (SBIm).

Não demorou muito para que a descoberta de Edward Jenner fosse violentamente contestada por alguns de seus contemporâneos. Muitos não acreditavam na eficácia da vacina. O que jamais passaria pela cabeça deles é que, um dia, a varíola seria erradicada. O último caso registrado no Brasil foi em 1971 e, no mundo, em 1977, na Somália. Outra doença que está em processo de erradicação é a poliomielite (paralisia infantil).

"O vírus da varíola foi erradicado, mas o da pólio, não. Por isso, a gente não pode vacilar. Se parar a vacinação, a doença volta", alerta Isabela. Em 1980, o Brasil deu início à 1ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Pólio, com o objetivo de vacinar todas as crianças menores de cinco anos em um único dia. Naquele ano, foram registrados 1.290 casos da doença. No ano seguinte, esse número caiu para 122. O último registrado no país foi em 1989 no município de Souza, na Paraíba.

Reações adversas à vacina

Crianças, jovens e, por que não dizer, até mesmo adultos. Não há quem fique indiferente a tomar vacina. Principalmente se ela for do tipo injetável. Mas, pior do que o medo de ter que tomar injeção, só mesmo a desinformação de acreditar que tomar vacina é uma furada. Alguns garantem que a tríplice bacteriana, por exemplo, pode causar danos cerebrais. Já outros afirmam que a tríplice viral pode ser responsável por alguns casos de autismo. "As reações adversas variam de acordo com o tipo de vacina e a sua composição. Em termos gerais, pode ocorrer febre e/ou reações no local da aplicação, como dor, vermelhidão e inchaço", tranquiliza a pediatra e infectologista Tatiana Noronha, da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos/ Fiocruz. A pesquisadora do Instituto Butantan, Vera Gattás, acrescenta: "A maioria dos efeitos adversos são leves e temporários. As vacinas são muito seguras". Boa parte dos mitos é baseada no fato de que algumas vacinas são produzidas com microorganismos vivos ou atenuados. "Mas essas vacinas foram modificadas em laboratório para não terem potencial de causar a doença. Mesmo assim, são capazes de estimular o sistema imunológico e defender o organismo num eventual contato com os verdadeiros causadores da doença", explica Tatiana.

Cinco anos depois, o Brasil recebeu o Certificado Internacional de Erradicação da Poliomielite das mãos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo dados do Ministério da Saúde, na segunda etapa da mais recente campanha de vacinação, realizada em 19 de setembro de 2009, 14,8 milhões de crianças foram vacinadas contra a pólio, o que representa aproximadamente 96% do total de crianças em todo o país.

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