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Edição 82 | EXPEDIENTE
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  Elas sofrem mais com a enxaqueca
Saiba por que as mulheres são as maiores vítimas dessa que é a mais terrível das dores de cabeça e como prevenir o aparecimento de novas crises

POR STELLA GALVÃO

Para cada homem com dores atrozes na cabeça, há 2,2 mulheres afetadas pela enxaqueca, a mais terrível de todas elas. A enxaqueca é, na verdade, uma doença neurológica crônica com causas variadas e predisposição genética. "É muito comum, durante a primeira consulta com o paciente, descobrir que ele possui algum parente de 1.° grau com a mesma doença", confirma Getúlio Daré Ribeiro, coordenador do Ambulatório de Cefaleia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O médico ainda alerta para o fato de que, aproximadamente, 20% da população feminina sofra suas consequências. Entre os homens, a porcentagem varia entre 5% e 10%. O problema, geralmente, se inicia na infância ou na adolescência e pode acompanhar a pessoa por toda a vida. Na prática, ela se traduz por uma dor unilateral, latejante, e piora com a movimentação, o que obriga muitas vezes a pessoa a recolher-se num quarto escuro por causa da hipersensibilidade à luz e aos ruídos.

O incômodo pode durar entre quatro e 72 horas. Causa sensação de dormência em membros do corpo, náusea e perturbações visuais, como luzes piscando e visão embaçada. Enfim, um tormento, mas hoje cada vez melhor controlado, especialmente para aqueles que aceitam que não basta entupirse de medicamentos para aliviar a dor.

Dores que pioram à mesa

Os maiores vilões da enxaqueca são três: jejum prolongado, bebida alcoólica e consumo excessivo de café, segundo o especialista Mario Peres. Tomar muito refrigerante diet (com aspartame) e temperar a comida com glutamato monossódico (mais conhecido por seu nome comercial aji-no-moto) são outros hábitos proibitivos por serem conhecidos como gatilhos para as dores. Estima-se que quatro ou cinco cafezinhos contenham 200 mg de cafeína, o limite máximo permitido. O problema é o hábito disseminado nos escritórios e repartições de tomar várias xícaras ao longo do dia. A soma dessas pequenas doses gera propensão maior para dor de cabeça, irritabilidade, insônia, tremor nas mãos, ansiedade. Por isso, é importante vigiar o consumo de café.

HORMÔNIOS E ATITUDES

O primeiro estudo epidemiológico que mapeou a enxaqueca no Brasil, por amostra populacional, indicou que o Sudeste é campeão nesse quesito, com índices que chegam a 20,5% de toda a população, seguido pela região Sul, com 16,4%, e Centro-Oeste, 9,5%. As mulheres são as vítimas mais frequentes não apenas por maior predisposição genética e porque a dança mensal de hormônios favorece a doença. Há também o fator comportamental, que se traduz em mais ansiedade, oscilação de humor, irritabilidade como causas principais.

"A flutuação hormonal é a grande responsável, especialmente com a queda nos níveis de estrógeno, que deixa a mulher mais predisposta às crises. A alteração de neurotransmissores, como a serotonina, é outro motivo que explica as alterações comportamentais", afirma o coordenador do mapeamento inédito, Mario Peres, professor do departamento de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e médico do Hospital Israelita Albert Einstein.

De acordo com os resultados de um estudo publicado em março na revista Headache, a associação entre menstruação e enxaqueca pode ser demonstrada já durante a adolescência. Os pesquisadores do Children's Hospital Medical Center avaliaram 896 meninas com idade entre nove e 18 anos.

Desse total, 331 relataram o aparecimento de dor de cabeça durante o período menstrual. Além disso, 160 meninas determinaram um padrão mensal para as dores, apesar de não terem apresentado menarca. "Esses dados sugerem que a enxaqueca relacionada à menstruação aparece antes do primeiro ciclo menstrual, o que indica ser um evento sensível às flutuações hormonais que podem aparecer antes da menarca", disse Andrew Hershey, chefe do estudo.

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