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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  Elas sofrem mais com a enxaqueca
Saiba por que as mulheres são as maiores vítimas dessa que é a mais terrível das dores de cabeça e como prevenir o aparecimento de novas crises

POR STELLA GALVÃO

A serotonina liberada durante a prática de exercícios físicos é capaz de reduzir a inflamação e a dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais. Em consequência, tende a desacelerar a dor de cabeça

Sintomas clássicos

Vários pacientes convivem também com as chamadas auras, que aparecem antes dos episódios de enxaqueca. As mais comuns afetam a visão e incluem o aparecimento, diante dos olhos, de pontos e linhas brilhantes. Duram de minutos a horas e marcam o início da crise, cujos sintomas são:
* Dor de cabeça latejante;
* Intolerância a luzes, ruídos e cheiros;
* Náuseas;
* Vômitos;
* Piora diante de movimentos bruscos, inclinação da cabeça, atividade física e esforço mental;
* Sensação de esgotamento ao fim da crise.

FATOR CHOCOLATE

Um problema de saúde ainda sem cura, a enxaqueca pode ser amenizada e as crises, evitadas com pequenas medidas. Os especialistas dão preciosas dicas de como conviver com ela. Uma delas é fazer um diário detalhado, incluindo os dias de dor, a intensidade e as datas do ciclo menstrual. Esse relato pode ajudar a estabelecer uma relação entre a dor e as fases do ciclo. Também é importante sabe quais alimentos pioram o problema. "Cada pessoa sabe quais alimentos lhe fazem mal e devem ser evitados.

Não tem sentido restringir a dieta a não ser que a pessoa reconheça a ligação existente entre a enxaqueca e determinado ingrediente", diz Mario Peres, que lançou em 2008 o livro Dor de cabeça - o que ela quer com você? (Integrare Editora). O chocolate costuma ser equivocadamente citado como gatilho da enxaqueca. Na verdade, explica Peres, entre os sinais prévios de que uma crise está a caminho estão o incômodo com a luz, bocejos e vontade de comer chocolate. "Ele contém cafeína, mas estudos mostram que, se for consumido com moderação, não é um fator de risco importante", absolve.

DESACELERE A DOR

Exercícios físicos, medidas de relaxamento, psicoterapia, livrar-se de males como o tabagismo e do consumo excessivo de cafeína, álcool e dos excessos alimentares podem ser decisivos para o sucesso do tratamento, listam Mario Peres e Getúlio Daré.

A atividade física libera endorfina e serotonina, substâncias que trazem bem-estar e auxiliam no combate à dor. A serotonina, em particular, é descrita na literatura médica como capaz de reduzir a inflamação e a dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais. Em consequência, tende a desacelerar a dor. Mas, durante uma crise, nem pense em se exercitar. Dê um repouso ao seu corpo e somente retome as atividades quando estiver bem, alertam os médicos.

O lado psíquico e emocional também é um fator que não pode ser desprezado. Se a pessoa exige muito de si própria, pode beneficiar-se recorrendo à psicoterapia e a técnicas como ioga e meditação, que costumam funcionar bem. Caso haja envolvimento de um componente da musculatura cervical, a fisioterapia é um recurso com bons resultados.

O uso excessivo de analgésicos, mais que duas vezes por semana, pode transformar uma cefaleia episódica em crônica

QUAL É O TRATAMENTO?

Há várias classes de medicamentos que podem ser usadas, mas antes de indicá-las é indispensável o médico fazer o diagnóstico correto e o paciente entender por que a dor existe no organismo. "Ela é um sinal de alerta do sistema de defesa com a função específica de readquirir o equilíbrio interno. Avaliar o que está acontecendo com aquela pessoa pode ajudar bastante no controle das crises. Só então indica-se o tratamento preventivo, que pode ser medicamentoso e o que muda hábitos de vida. Em muitos casos, eles estão associados para evitar que a dor apareça", explica Peres. É importante evitar o uso excessivo de analgésicos.

Em vez de amenizar a dor, como esperado, quando consumidos em excesso podem agravar o problema. "Estudos mostram que o abuso desses medicamentos interfere no número de crises de dores de cabeça e induz à evolução para a dor crônica", alerta a psiquiatra Esther Angélica Coelho Costa. Há pouco mais de um ano, ela concluiu um levantamento com pacientes atendidos pelo Ambulatório de Cefaleias da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em que não foi possível definir o que vem primeiro: o consumo exagerado de analgésicos ou o agravamento da dor.

O uso excessivo desses remédios, mais que duas vezes por semana, pode causar "cefaléia-rebote" e transformar uma dor episódica em crônica, como reforça a pesquisadora. "O ideal é usar os recursos preventivos, seja com medicamentos prescritos e hábitos de vida mais salutares, para evitar que as crises apareçam", indica Mario Peres.

A frequência das crises é o parâmetro médico para indicação do melhor tratamento. Quatro por mês é o limite máximo para iniciar a prevenção. Crises com um intervalo maior, mas muito intensas, também exigem cuidados.

Além dos antidepressivos e anticonvulsivantes utilizados no controle da enxaqueca, não faltam estudos sugerindo alternativas terapêuticas. Segundo Peres, até mesmo a toxina botulínica já foi utilizada, mas existem dúvidas sobre os riscos associados.

 

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