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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  Jardim é terapia
O contato direto com a natureza é capaz de ajudar na recuperação de doenças, estimulando a vontade de a pessoa viver e lutar. Conheça a Garden Therapy, ou hortoterapia, uma eficaz coadjuvante dos tratamentos convencionais

POR CRISTINA ALMEIDA

AS MUITAS UTILIDADES

Com tantos atributos, a hortoterapia tem sido utilizada em institutos correcionais, nos casos de dependência química ou alimentar, fisioterapias, doenças mentais, no tratamento de idosos e doentes senis, bem como entre crianças com necessidades especiais ou não. Para os mais velhos, a jardinagem possui um efeito extraordinário, pois estimula a ação e exercita a coordenação mão-olhos, melhora a capacidade motora fina, ajudando na abstração do pensamento obsessivo da perda de forças e da saúde.

"O resultado é que eles se sentem não só úteis e produtivos, mas menos tristes e solitários." Nas doenças crônicas, degenerativas ou invalidantes, quando a resposta aos remédios é insatisfatória, a terapia torna a vida mais agradável: "Mesmo que o doente não se cure, ele se sentirá melhor, mais relaxado", completa Cristina. A terapia pode ter também ação preventiva porque atividades ao ar livre pressupõem uso dos músculos e cérebro, exposição aos benefícios do sol e ar puro. Assim, é uma boa alternativa contra as doenças típicas da cidade: obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, osteoporose e câncer.

Aliás, para obter resultados clinicamente relevantes para as doenças coronárias bastam 225 minutos de jardinagem por semana, conforme concluiu um estudo feito por Carl J. Caspersen, e publicado no American Journal of Epidemiology.

BEM-ESTAR FÍSICO E MENTAL

Indagada sobre como e em quanto tempo as pessoas reagem à terapia, Cristina responde que a maioria encontra conforto em contato com a natureza: "Mas mesmo esta pode surtir alguma resistência naqueles que não estão prontos para despertar o médico que existe em cada um de nós".

Quanto à questão do tempo, a médica diz que é difícil saber, pois cada um é único e tudo depende da gravidade da doença, sua duração, além da forma como a pessoa reage afetivamente. "Funciona mais ou menos como numa terapia farmacológica: a diferença é que tomar remédios desresponsabiliza o doente."

E pondera: "Muitas vezes, uma pessoa adoece porque se sente insatisfeita com a própria vida e deseja encontrar uma cura milagrosa, rápida e eficaz que não existe. Sem esforço e trabalho constantes não se chega a lugar algum. Todos nós precisamos nos ocupar da nossa recuperação, pois a equação 'terapia = remédio' não é válida. Seria muito simples tomar uma pílula e ficar bem. Porém tudo na vida é conquistado com sacrifício, até mesmo o bem-estar físico e mental", conclui a especialista

VERDES HOSPITAIS

Comentando sobre a importância das áreas verdes nos hospitais, Cristina Borghi revela que estudos multidisciplinares, destacando o trabalho do arquiteto Roger Ulrich, da Universidade Texas A&M (EUA), confirmam os benefícios terapêuticos pós-operatórios para pacientes que puderam apreciar o verde da janela de seus quartos. Especializada em Ciências Ambientais e Healing Gardens, a professora da Universidade de Estudos de Milão, Sara Pasqui, confirma que "o ambiente influencia os comportamentos das pessoas e as formas de relacionar, a qualidade do próprio serviço, a criatividade e a eficiência do pessoal".

No caso dos hospitais, acrescenta, a situação pode ser bastante difícil porque o tipo de trabalho ali desenvolvido, por si só, é bastante difícil e, por isso, "todas as equipes estão sujeitas ao exaurimento, perda de controle e altas taxas de demissões". "Infelizmente, a situação é agravada pela falta de espaços verdes pensados para possibilitar breves momentos de pausa e distração, retomada do autocontrole e abstração do contato diário com a morte e o sofrimento alheios", explica.

Conforme Sara, para os pacientes, "o efeito terapêutico do verde é facilmente mensurável por indicadores que descrevem suas condições físicas (pressão sanguínea, presença de infecções, nível das funções motoras etc.), bem como pela superação de alguns problemas psicológicos devidos à carga de estresse a que estão submetidos". E esclarece: "Geralmente esses estados são causados pelo isolamento do mundo familiar e dos amigos, pela incompreensão dos jargões médicos e o temor diante dos procedimentos, além da impossibilidade de ter informações sobre sua própria condição".

 

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