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Edição 79 | EXPEDIENTE |
Muitos fatores podem influenciar no comportamento dos adolescentes, desde o relacionamento com pais e amigos e o que ele vê na internet até a genética. Ensinar valores e limites é a chave para impedir que ele se torne uma pessoa violenta por sílvia dalpicolo Os genes explicam Além de todos os fatores externos e ambientais, a genética pode estar por trás da agressividade juvenil. Uma pesquisa sobre o assunto foi realizada por Juergen Hennig e publicada na Behavioral Neuroscience. Nela, é apontada a relação de componentes específicos de agressão relacionados a um gene chamado TPH. Mas isso não significa que as pessoas já nasçam violentas. Uma analogia explica como funciona essa questão. Imagine um revólver. A genética é a bala e o meio ambiente é aquele responsável por puxar o gatilho. Isso significa que, caso a arma não esteja carregada (informação genética), não é possível atirar. Da mesma maneira, o revólver pode continuar sem uso se ninguém puxar o gatilho (influência do meio). Prevenir é o remédio Os pais podem (e devem) se antecipar e evitar que o jovem cometa atos violentos. O ideal é estabelecer limites (com autoridade, e não autoritarismo) desde pequeno. "Saber dizer não na hora e da forma certa é a chave para impor regras de uma maneira que a criança tenha respeito pelos pais e não se revolte. Isso não significa que os pais devem ser contrários a tudo, o que a tornaria excessivamente comportada e reprimida. Para os filhos, liberdade em excesso é sinônimo de falta de carinho", justifica Possendoro. Outra forma eficiente de impedir que o adolescente se torne agressivo é dar o exemplo. Afinal, filho de peixe peixinho é. "Seja um modelo de pacificação, até mesmo na maneira de administrar os conflitos que surgem pelo comportamento violento do filho, afinal violência gera violência. Adotar uma postura pacífica é diferente de não colocar limites. É preciso determinar de forma clara as regras para a convivência saudável e aplicar punições leves (como proibir o videogame) quando o jovem descumpre o que foi estabelecido", alerta Rose Miyahara. Como identificar Não existe uma idade determinada e nem mesmo local ou vítimas específicos para a agressividade do jovem. Tudo vai depender do que motivou esse tipo de comportamento e dos limites que cada espaço ou pessoa aplica, seja na escola ou em casa, com os professores, os pais ou namorada(o). O gênero também é indiferente. Quando chega à adolescência, para chegar ao veredicto é preciso estar atento aos detalhes. Analise a maneira como ele se relaciona com os vizinhos, por exemplo. "Verifique sua conduta, o tipo de coisas que dá importância e como é a relação com as pessoas a sua volta. Discutir sobre valores morais e conduta também pode ser uma forma de saber o que ele pensa e de que maneira encara certas situações", indica Ana Bock. Ajude o quanto antes Para quem já está identificando atitudes suspeitas, uma sugestão de Carolina Nikaedo é criar um registro para acompanhá-lo. Anote a data, a situação que antecedeu o comportamento violento do jovem, que tipo de agressão ele fez e as consequências dessa ação. Ao perceber que essas cenas estão frequentes, é hora de procurar ajuda. Detectar os problemas o mais cedo possível é a melhor forma de corrigi-los e evitar situações graves. "Quando os adolescentes já protagonizam episódios violentos como o que vemos atualmente nas escolas, eles ficam confusos em relação aos próprios sentimentos, gerando um misto de culpa e raiva pelo que fazem.", afirma Carolina.
O tratamento deve envolver todos os círculos sociais do qual o jovem faz parte (a escola, os amigos e a família), junto com o psicólogo. Indicar a realização de atividades em que eles possam "descarregar" a raiva surge como terapia complementar (praticar esportes ou aprender algum instrumento musical, por exemplo). Fazer o tratamento de maneira correta é a garantia de que o problema não se estenda para a vida adulta. "Adolescência não é sinônimo de violência. Eles cresceram e adquiriram as possibilidades físicas e intelectuais para se tornarem adultos, mas ainda são subestimados pela idade. Essa situação gera contradições que não são específicas do jovem; é parte da relação entre eles e os adultos", justifica Ana Bock.
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