O sutiã certo Estima-se que 70% das mulheres usam o modelo errado, o que pode ser a causa de dores nas mamas e costas
POR CRISTINA ALMEIDA
A beleza da mulher brasileira ficou internacionalmente conhecida por causa de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e uma romântica Garota de Ipanema, cujo balançar das ancas entrou para o imaginário coletivo até se transformar em uma intervenção cirúrgica: o brazilian butt lift [lifting do bumbum brasileiro]. Se a famosa canção tivesse sido escrita hoje, provavelmente o que mais chamaria a atenção numa jovem não seria seu quadril, mas o tamanho de seus seios e a dúvida sobre sua originalidade ou não. Segundo uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial desse tipo de cirurgia, e o aumento dos seios são 74% mais frequentes do que as reduções. A explicação para esse aumento seria o prevalecimento de um novo perfil estético feminino, que hoje tende a espelhar-se nos padrões americanos de beleza.
A gente esquecer nunca deveria esquecer
A preferência por seios volumosos chama a atenção para os cuidados que as mulheres devem ter com o corpo e com as mamas, especialmente após a publicação de uma pesquisa realizada no final de 2008 pela British Chiropractic Association. O trabalho revelou que uma em cada quatro mulheres inglesas gostaria de diminuir o tamanho do sutiã, isso porque 70% delas sofrem com dores nas costas. Tim Hutchful, quiroprático e porta-voz da associação
| O sutiã ideal deve equilibrar o peso das mamas entre as alças, evitando que os ombros fiquem tensos. Dê preferência a peças de algodão e seus derivados |
britânica, aponta como uma das causas desse fenômeno o uso inadequado de sutiãs, e declara: “É assustador o fato de muitas mulheres ainda se importarem apenas com a aparência da peça, pouco se preocupando com o suporte que ela oferece. O modelo certo deve ser bem projetado para que os ombros não fiquem tensos. Equilibrar o peso é importante, e sutiãs inadequados podem afetar ombros e tórax, o que certamente causará dores nas costas.”
Se essas dores já se instalaram e duram mais de três meses, informa Hutchful, “estamos diante de um sintoma grave que pode se tornar crônico”.
A ESCOLHA ERRADA
Tim Hutchful relata que 80% da população geral, ao longo da vida, pode ter dor nas costas. Mas o número de mulheres que se queixam desse mal continua a crescer na Inglaterra. Uma nova atitude feminina seria o conhecimento e a aceitação do próprio corpo, além dos riscos que o mau uso do acessório pode causar. Sabe-se que muitas mulheres compram um número menor, só porque pedir à balconista o tamanho adequado seria o mesmo que reconhecer que estão acima do peso. “Usar o número errado pode levar não só à dor nas costas, mas também ao formigamento nos braços, à restrição respiratória, escoriações, além de dores nos seios”, esclarece o quiroprático.
Se na Inglaterra as queixas das mulheres inspiraram uma campanha preventiva, nos consultórios brasileiros, a situação não é diferente. Segundo Betina Vollbrecht, ginecologista e obstetra do Centro de Mama do Hospital São Lucas da PUC/ RS, uma das principais reclamações é a mastalgia (dor mamária), cuja causa muitas vezes está no uso equivocado do sutiã. “A simples troca do modelo pode resolver o problema”, garante.
No período anterior à menstruação, após a menopausa e na gravidez, as mamas modificam seu tamanho. Nessas fases, a opção deve recair sobre modelos maiores e mais confortáveis. A orientação de Betina é de que o acessório corresponda exatamente ao volume das mamas, especialmente no período da amamentação, pois o uso do tipo errado pode levar até à fissura mamilar. Outra indicação é o tipo do tecido: “A preferência deve ser por peças de algodão e seus derivados”, ensina a especialista.
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