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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  O amor é genético
Com o progresso científico, encontrar a parceria amorosa dependerá apenas da compatibilidade entre os genes

POR CRISTINA ALMEIDA
FUSÃO DE IMAGENS: HELTON GOMES

Durante muito tempo, na noite de 12 de junho, jovens adormeciam com a chave de casa debaixo do travesseiro. A esperança era de que sonhassem com o pretendente. Os anos passaram, os caminhos para encontrar o amor se modificaram, mas alcançar esse objetivo ainda é o desejo de muitas pessoas. Embora a busca seja árdua, a ciência descobriu que os genes podem ajudar na procura pela alma gêmea. O termo, aliás, remonta à mitologia grega. O fundamento para a atração entre os casais seria o fato de que, no princípio, havia três sexos: o masculino, o feminino e o andrógino,representado por seres duplos, cuja força e inteligência eram notáveis. Julgando-se perfeitos, ameaçavam os deuses. Para ensinar-lhes a humildade, Zeus decidiu dividi-los. Daí em diante, as metades separadas foram condenadas a vagar em busca da outra parte.

MANUTENÇÃO DA ESPÉCIE

Mesmo que a história nos remeta à procura da parte que nos completa, Claus Wedekind, professor de Biologia da Universidade de Lausanne, na Suíça, explica que os critérios para a determinação do parceiro ideal estão no âmbito da Psicologia da Evolução Humana. No passado, acreditava-se que a escolha refletia apenas a necessidade da manutenção da espécie, mas, com o passar do tempo, "a questão se revelou mais complexa, pois o encontro de um homem e uma mulher foi interpretado como consequência da agressividade masculina, comportamento também ligado à garantia da reprodução", diz Wedekind.

Segundo o biólogo, uma outra teoria evidencia os cuidados com o bebê. Os seres humanos precisam de mais tempo para zelar pela prole: "Promover a sobrevivência da linha descendente, a longo prazo, parece não corresponder à ideia de que o homem tivesse que se concentrar na alta reprodução, num curto período de tempo".

Além dessas hipóteses, pouco se sabe sobre as reais motivações psicológicas que levam à decisão de formar um casal. Wedekind sugere que talvez o estudo do papel dos sentidos nesse processo tenha sido negligenciado, especialmente porque a comunicação do homem moderno parece fundamentar- se na acústica, na visão e no tato. "O consenso é de que os humanos não possuem um órgão vômeronasal (presente em alguns mamíferos e que identifica substâncias químicas não voláteis). Porém as pessoas gastam pequenas fortunas com perfumes. Isso significa que estamos interessados em usar e enviar sinais químicos no contexto social", explica o biólogo.

QUESTÃO DE CHEIRO

Essas considerações correspondem à descoberta feita por Claus Wedekind em 1995. Naquele ano, o cientista concluiu que as preferências das mulheres pelos odores masculinos estavam relacionadas aos graus de semelhança existentes nos genes MHC (sigla para maior complexo de histocompatibilidade), importantes para o controle imunológico e responsáveis pela conexão entre odores e preferências por parceiros. Em sua pesquisa, o cientista utilizou camisetas vestidas por homens, cujo odor deveria ser julgado por mulheres. Quanto mais agradável o cheiro fosse considerado, maior diferença existia entre o genótipo MHC do homem e da mulher.

Wedekind acrescenta que os odores são muito importantes para a vida sexual de roedores e também de primatas. Entre os homens isso não difere. Um exemplo disso seria o cheiro almiscarado das axilas humanas, que possui em sua composição o androstenol (um tipo de feromônio), além de outros esteroides: "Alguns desses componentes são um potente feromônio na biologia sexual de outros animais e esse parece ser um dos principais odores sexuais dos humanos".

"Todas as hipóteses apontam para o fato de que a escolha de um parceiro se dá por causa de determinadas combinações de MHC, pois elas conferem grande vantagem na resistência a doenças. Pode ser também que seja uma forma de evitar que parasitas escapem do controle imunitário, ou até mesmo que se trate de um sofisticado mecanismo para evitar a procriação consanguínea", conclui o especialista.

FUSÃO DE IMAGENS: HELTON GOMES

NAMORO OU AMIZADE?

Se o corpo humano conta com a genética para a escolha do par ideal, exames laboratoriais poderiam indicar níveis de compatibilidade bem precisos. Encontrar um amor por meio de um exame? A ideia parece assunto de filme de ficção científica, mas já é um serviço oferecido pela empresa suíça GenePartner.

Tamara Brown, especialista em genética molecular e neurobióloga, afirma que potencializar os resultados da busca da pessoa certa não substituiu o frio na barriga que acontece quando nos sentimos atraídos por alguém. O exame tem custo acessível e é bastante simples. Os interessados recebem um kit em sua residência com instruções e material para coleta de saliva.

O teste fica pronto em 15 dias e os resultados são enviados pelo laboratório para a interface do servidor da GenePartner que processa a informação por meio de algoritmos capazes de individuar a compatibilidade entre uma e outra pessoa. No entanto, a análise considera apenas "o HLA (Antígeno Leucocitário Humano, o mesmo que MHC) do cromossomo 6 (corresponde a 6% do DNA), e nenhuma outra sequência do genoma humano", explica Tamara.

A química da paixão

DESEJO: Desencadeado pelos hormônios sexuais (testosterona e estrógeno).
ATRAÇÃO: perda do apetite, do sono e da concentração, mãos suadas, respiração falha e a sensação de frio na barriga, todos esses sintomas estão ligados a um conjunto de compostos químicos que afetam o cérebro: a norepinefrina excita e, por isso, o coração bate mais forte; a serotonina descontrola e a dopamina faz a pessoa entender o que é a felicidade. Essas reações químicas são guiadas por neurotransmissores e gerenciadas pela feniletilamina, cuja função é controlar a passagem do desejo para a fase do amor.
LIGAÇÃO: fase do amor equilibrado que criou laços entre os parceiros. Os hormônios envolvidos são a oxitocina, relacionada à indução do trabalho de parto (corpo), às emoções e comportamentos sociais (cérebro) e ao orgasmo; e a vasopressina age na pressão sanguínea e que, em roedores, revelou ser importante para o comportamento monogâmico dos machos.
FONTE: HELEN E. FISHER; LUST, ATTRACTION AND ATTACHMENT IN MAMMALIAN REPRODUCTION, ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA HUMAN NATURE, VOL. 9, N.1, P. 23-52.







 
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