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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  Gripe Suína
Acompanhe como um vírus e seu histórico de mutações genéticas trouxeram novo pânico à humanidade

POR STELLA GALVÃO

COMO SE FORMA UM VÍRUS MORTAL

O vírus influenza se assemelha ao ouriço-do-mar, mas milhares de vezes menor: é esférico, com várias projeções ou saliências em sua superfície.

Ele desliza pelas vias respiratórias do animal ou homem atingido em busca das células. Utiliza projeções da sua superfície para encontrar e reconhecer a célula-alvo de seu ataque. Procura por moléculas que se encaixem perfeitamente às suas. Caso a encontre, o vírus adere e invade a célula.

Na estrutura A/H1N1, o H significa presença da proteína hemaglutinina, que é diferente em cada tipo de vírus. Ela funciona como um radar para encontrar sua presa pelo contato. Se não a reconhecer, então a invasão é abortada. São conhecidos 16 tipos de hemaglutinina e, portanto, classificamos os vírus influenza de H1 até H16.

Existe, ainda, outra molécula presente no vírus, a neuraminidase (N) com 9 tipos diferentes. Portanto, também classificamos o vírus de N1 a N9. Poucos deles conseguem infectar outras espécies além daquela onde se originaram.

No caso da pandemia iniciada no México, a letra A foi acrescentada para indicar a transmissão de animais para humanos e entre estes. Os vírus influenza do tipo B e C são menos agressivos e identificam as gripes comuns, combatidas pela vacinação anual preventiva.

FOTOS: DIVULGAÇÃO / SHUTTERSTOCK
MATERIAL ADAPTADO DO LIVRO A HISTÓRIA DA HUMANIDADE CONTADA PELOS VÍRUS, DE STEFAN CUNHA (EDITORA CONTEXTO).

MUTAÇÕES PERIGOSAS
A mutação, porém, não é uma sentença de indestrutibilidade. Não em face da ciência atual. “É apenas um vírus novo que não sabemos como vai se comportar no homem, se será mais transmitido ou com maior mortalidade”, esclarece Cunha. Mas, na realidade, o A/H1N1 surpreendeu os virologistas pela rápida adaptação ao contágio entre humanos. Na gripe aviária, por exemplo, o vírus não encontrou uma forma de transmissão entre os humanos. Todos os casos foram de pessoas em contato com animais, como lembra Edison Durigon, também virologista e pesquisador da Universidade de São Paulo. Os casos ficaram restritos a Hong Kong e o risco de epidemia foi contido com o sacrifício de praticamente toda a criação de frangos do país. Apesar das ações preventivas, o vírus ressurgiu seis anos depois e foi responsável por 25 mortes na África e Europa.

FOTOS: DIVULGAÇÃO / SHUTTERSTOCK

Há outro aspecto destacado pelo infectologista David Uip, diretor do Hospital Emílio Ribas, o de que a disseminação das informações e os tremendos avanços da ciência mudaram a correlação de forças com os micro-organismos que causam pânico. “Desde 1968 não houve vírus de doença respiratória com força suficiente para causar uma pandemia global. Isso se deve ao fato de que os países se prepararam, aperfeiçoando mecanismos de vigilância e controle de doenças. E a medicina avançou, com o advento de novos tratamentos, remédios e vacinas”, pondera Uip.

NOVA VACINA

No caso da gripe suína (A/H1N1), uma vacina ainda teria de ser desenvolvida, e o intervalo previsto pela Organização Mundial da Saúde é que um imunizante possa estar disponível no prazo máximo de seis meses. Até o segundo semestre deste ano, portanto, pacientes e médicos continuarão contando com os antivirais.

Segundo comunicado do CDC, “as provas laboratoriais indicaram que o tipo A (H1N1) é suscetível aos medicamentos oseltamivir e zanamivir”.

Para Nancy Junqueira Bellei, coordenadora do Centro de Pesquisa de Vírus Respiratórios da Universidade Federal de São Paulo, os antivirais só devem ser tomados sob receita médica, diferentemente de remédios sintomáticos. O grande risco da corrida aos medicamentos, sem critério médico, é o de criar resistência à única forma de tratamento atualmente disponível para agir na enzima responsável pela duplicação de um vírus que tira o sono de governos, cientistas e populações em todo o mundo.

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