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Edição 79 | EXPEDIENTE |
Acompanhe como um vírus e seu histórico de mutações genéticas trouxeram novo pânico à humanidade POR STELLA GALVÃO COMO SE FORMA UM VÍRUS MORTAL O vírus influenza se assemelha ao ouriço-do-mar, mas milhares de vezes menor: é esférico, com várias projeções ou saliências em sua superfície. Ele desliza pelas vias respiratórias do animal ou homem atingido em busca das células. Utiliza projeções da sua superfície para encontrar e reconhecer a célula-alvo de seu ataque. Procura por moléculas que se encaixem perfeitamente às suas. Caso a encontre, o vírus adere e invade a célula. Na estrutura A/H1N1, o H significa presença da proteína hemaglutinina, que é diferente em cada tipo de vírus. Ela funciona como um radar para encontrar sua presa pelo contato. Se não a reconhecer, então a invasão é abortada. São conhecidos 16 tipos de hemaglutinina e, portanto, classificamos os vírus influenza de H1 até H16. Existe, ainda, outra molécula presente no vírus, a neuraminidase (N) com 9 tipos diferentes. Portanto, também classificamos o vírus de N1 a N9. Poucos deles conseguem infectar outras espécies além daquela onde se originaram. No caso da pandemia iniciada no México, a letra A foi acrescentada para indicar a transmissão de animais para humanos e entre estes. Os vírus influenza do tipo B e C são menos agressivos e identificam as gripes comuns, combatidas pela vacinação anual preventiva.
MUTAÇÕES PERIGOSAS
Há outro aspecto destacado pelo infectologista David Uip, diretor do Hospital Emílio Ribas, o de que a disseminação das informações e os tremendos avanços da ciência mudaram a correlação de forças com os micro-organismos que causam pânico. “Desde 1968 não houve vírus de doença respiratória com força suficiente para causar uma pandemia global. Isso se deve ao fato de que os países se prepararam, aperfeiçoando mecanismos de vigilância e controle de doenças. E a medicina avançou, com o advento de novos tratamentos, remédios e vacinas”, pondera Uip. NOVA VACINA No caso da gripe suína (A/H1N1), uma vacina ainda teria de ser desenvolvida, e o intervalo previsto pela Organização Mundial da Saúde é que um imunizante possa estar disponível no prazo máximo de seis meses. Até o segundo semestre deste ano, portanto, pacientes e médicos continuarão contando com os antivirais. Segundo comunicado do CDC, “as provas laboratoriais indicaram que o tipo A (H1N1) é suscetível aos medicamentos oseltamivir e zanamivir”. Para Nancy Junqueira Bellei, coordenadora do Centro de Pesquisa de Vírus Respiratórios da Universidade Federal de São Paulo, os antivirais só devem ser tomados sob receita médica, diferentemente de remédios sintomáticos. O grande risco da corrida aos medicamentos, sem critério médico, é o de criar resistência à única forma de tratamento atualmente disponível para agir na enzima responsável pela duplicação de um vírus que tira o sono de governos, cientistas e populações em todo o mundo. << Anterior | 1 | 2 | 3 | Próxima >>
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