Quando o remédio pode fazer mal Recente pesquisa divulgada pelo Jornal da Associação Médica Americana revela: mais da metade dos pacientes entre 57
e 85 anos tomam cinco remédios diferentes por dia. E os efeitos desse excesso são sentidos em todo o corpo
Por Juliana Tirabosch
Outro problema comum chamase cascata medicamentosa. Acontece quando o paciente sofre um efeito colateral relacionado a algum remédio e acaba tomando outra droga para tratar aquela reação. O novo medicamento causa um outro efeito adverso, e assim por diante. Imagine o seguinte cenário: o indivíduo sente uma tontura e não vai ao médico.
Vai até uma farmácia e compra um antivertiginoso. Alguns deles podem causar sintomas semelhantes aos provocados pela doença de Parkinson, levando sua família ou até seu médico a pensar que ele desenvolveu tal patologia. "É preciso primeiro investigar a causa da tontura", diz Milton Gorzoni, coordenador da Geriatria na Santa Casa de São Paulo.
Por isso, é de extrema importância que o profissional da saúde analise cada caso e saiba distinguir se um sintoma é sinal de uma nova doença ou se é um efeito colateral de uma substância que o paciente já está ingerindo. Milton Gorzoni aconselha que os pacientes levem os próprios remédios para checagem do médico a cada nova consulta. Isso evita problemas como dois profissionais de diferentes especialidades prescreverem medicamentos do mesmo tipo ao paciente, sobrecarregando seu organismo.
Até alguns tipos de alimento, como o cálcio dos laticínios, podem prejudicar a absorção de medicamentos ou piorar as reações adversas
Contorne o problema Então, já que o idoso tem uma necessidade maior de ingerir medicamentos, como contornar tantos efeitos colaterais? Carlos André Freitas dos Santos, professor assistente da disciplina de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sugere cinco passos.
O primeiro é o médico avaliar se um determinado remédio é fundamental para aquele paciente. O segundo é ponderar se os sintomas apresentados não são efeitos colaterais de outro medicamento. Se for assim, o profissional pode diminuir a dose ou substituir a droga para atenuar o problema. O terceiro passo é, definido que o medicamento é realmente necessário, prescrever uma dose pequena.
A quarta etapa é reavaliar o paciente dentro de duas a quatro semanas para verificar se o remédio está tendo o efeito desejado. Por fim, o quinto e último passo é determinar até quando o idoso vai ingerir o medicamento e enfatizar essa informação para o paciente. Muitos esquecem que já deviam ter parado de tomar determinado remédio e o continuam fazendo durantes meses ou anos, sem necessidade. Se for uma droga de uso prolongado, o paciente deve ser reavaliado regularmente.
Tomando essas precauções, fica mais fácil enfrentar as dificuldades naturais do envelhecimento com mais conforto e qualidade de vida.
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