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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  Emoções que afetam a saúde
Sentimentos como medo, dúvida ou até mágoa podem desencadear sintomas físicos por todo o corpo. É a chamada somatização, uma área que a medicina tem investigado a fundo

POR STELLA GALVÃO FOTOS FABIO MANGABEIRA

Você está com medo da crise econômica?

As repercussões da crise, cujos efeitos se fazem sentir sob a forma de tensão e estresse, podem se refletir diretamente na saúde ou na perda dela. Somatizar a tormenta que afeta o bolso de boa parte da população é um risco potencial.

A psicóloga Marilda Lipp constatou um aumento de cerca de 20% na procura por atendimento clínico dentro das empresas. "quando o estresse se torna excessivo ou muito prolongado, seus efeitos resultam em cansaço, desânimo, dificuldade de concentração e várias doenças.

Pode ocorrer inicialmente azia, má digestão, queda de cabelo, disfunção na pressão, entre outros distúrbios." de acordo com Marilda, são quatro os pilares para o controle do estresse.

O primeiro é uma alimentação rica em verduras, legumes e frutas.

O segundo é promover o interesse em atividades físicas. O terceiro pilar é o relaxamento.

Ela dá uma dica prática para criar um ambiente tranquilo. "como a cor verde acalma, pode-se implantar uma área com plantas para as pessoas olharem."

O último e mais importante pilar é o autoconhecimento, conforme a psicóloga, que ensina que cada um é responsável por sua vida, seu bem-estar e a qualidade de suas relações afetivas.

Como se manifesta

Desde os primórdios dos estudos dessa vertente (que considera o psíquico atrelado ao biológico na manifestação de doenças), sabe-se que algumas patologias têm mesmo um componente fortemente somático.

É o caso de asma, úlceras, fibromialgia, gastrites, alergias e herpes, principalmente, além da chamada síndrome do intestino irritável, quadros dermatológicos como a psoríase, asma brônquica, hipertensão arterial e muitos outros.

As situações que mais deflagram respostas somáticas são as de estresse decorrente de um luto ou de uma separação conjugal, vida profissional altamente insatisfatória e quadros depressivos.

As explicações para a vinculação entre o estado psicológico e o rebaixamento das defesas do organismo baseiam-se nas alterações orgânicas que as situações de estresse provocam como a maior produção do hormônio cortisona, que levaria à destruição das células de defesa do organismo, como alguns tipos de linfócitos.

As principais queixas dos somatizadores são: dor no peito, fadiga, tontura, dor de cabeça, inchaço, dor nas costas , falta de ar, insônia, dor abdominal e torpor

O perfil de risco

Do ponto de vista psíquico, os somatizadores têm sido caracterizados por uma carência na elaboração psíquica, por falhas na simbolização e pelo chamado "pensamento operatório" (pobreza da vida de fantasia, da vida imaginativa, do devaneio e uma excessiva ligação com a realidade, onde o sujeito é "concreto", sendo até os seus sonhos, quando existem, repetições da realidade), como descreve o psiquiatra José Atilio Bombana.

Segundo Marilda Lipp, essa é uma questão que vem inquietando os pesquisadores, entre os quais ela própria.

"Tenho anos de pesquisas nessa área e cheguei à conclusão de que existe o que poderia ser designado de 'perfil psicossomático', que seria a pessoa propensa a desenvolver algum problema físico em consequência de emoções não identificadas ou com as quais não sabe lidar.Porém me parece que o órgão atingido vai depender muito mais da vulnerabilidade física de cada indivíduo do que da emoção que gerou a resposta psicossomática."

Há, no entanto, conforme a professora da PUC-Campinas, algo de muito fascinante nos dados de pesquisa, com algumas emoções parecendo se associar mais à somatização. Um exemplo citado por ela é a manifestação de raiva, fortemente associada à retocolite, hipertensão, doença coronariana e psoríase, entre outras (veja outros casos no quadro Dor e sentimento).

De modo geral, o que o paciente com o diagnóstico de transtorno somatoforme demonstra é a sensação de falta de controle sobre o que está acontecendo, ou de estar sendo injustiçado.

Ou ainda demonstra solidão e a percepção de que não consegue lidar com o que está ocorrendo.

O principal elemento parece ser o que se designa de alexitimia, palavra que vem do grego e quer dizer "sem palavras para a emoção".

De acordo com os especialistas, a dificuldade para perceber o que se está sentindo e dar um nome à emoção presente parece ser o elemento mais importante para o desencadeamento da doença psicossomática.

Por que as mulheres são as principais vítimas?

As somatizações ocorrem em ambos os sexos, mas as mulheres são mais acometidas e buscam mais frequentemente tratamento.

"Observamos somatizações em todas as idades, mas há uma predominância no Programa de Atendimento e Estudos de Somatização, da Unifesp, de mulheres de meia idade", confirma o psiquiatra José Atilio Bombana, coordenador do programa.

Não se sabe exatamente por que as mulheres somatizam mais. As hipóteses, conforme o médico, incluem questões biológicas (como as hormonais), questões psicológicas e questões culturais.

As mulheres, diz, parecem ter mais abertura para buscar ajuda para seu sofrimento emocional e, portanto, estão mais presentes nos serviços médicos.

É possível somatizar em qualquer faixa etária, muitas crianças o fazem. Mas, como afirma Marilda Lipp, já há dados científicos mostrando que depressão, ansiedade e estresse são mais comuns nas mulheres.

Por outro lado, "nas avaliações de estresse que fazemos com grande número de pessoas dos dois gêneros, temos notado que, muitas vezes, os homens, talvez por não terem muito espaço na sociedade para chorarem e demonstrarem fragilidade, tendem a desenvolver mais sintomas físicos do que as mulheres".

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