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Edição 79 | EXPEDIENTE |
Sentimentos como medo, dúvida ou até mágoa podem desencadear sintomas físicos por todo o corpo. É a chamada somatização, uma área que a medicina tem investigado a fundo POR STELLA GALVÃO FOTOS FABIO MANGABEIRA
Como se manifesta Desde os primórdios dos estudos dessa vertente (que considera o psíquico atrelado ao biológico na manifestação de doenças), sabe-se que algumas patologias têm mesmo um componente fortemente somático. É o caso de asma, úlceras, fibromialgia, gastrites, alergias e herpes, principalmente, além da chamada síndrome do intestino irritável, quadros dermatológicos como a psoríase, asma brônquica, hipertensão arterial e muitos outros. As situações que mais deflagram respostas somáticas são as de estresse decorrente de um luto ou de uma separação conjugal, vida profissional altamente insatisfatória e quadros depressivos. As explicações para a vinculação entre o estado psicológico e o rebaixamento das defesas do organismo baseiam-se nas alterações orgânicas que as situações de estresse provocam como a maior produção do hormônio cortisona, que levaria à destruição das células de defesa do organismo, como alguns tipos de linfócitos. As principais queixas dos somatizadores são: dor no peito, fadiga, tontura, dor de cabeça, inchaço, dor nas costas , falta de ar, insônia, dor abdominal e torpor O perfil de risco Do ponto de vista psíquico, os somatizadores têm sido caracterizados por uma carência na elaboração psíquica, por falhas na simbolização e pelo chamado "pensamento operatório" (pobreza da vida de fantasia, da vida imaginativa, do devaneio e uma excessiva ligação com a realidade, onde o sujeito é "concreto", sendo até os seus sonhos, quando existem, repetições da realidade), como descreve o psiquiatra José Atilio Bombana. Segundo Marilda Lipp, essa é uma questão que vem inquietando os pesquisadores, entre os quais ela própria. "Tenho anos de pesquisas nessa área e cheguei à conclusão de que existe o que poderia ser designado de 'perfil psicossomático', que seria a pessoa propensa a desenvolver algum problema físico em consequência de emoções não identificadas ou com as quais não sabe lidar.Porém me parece que o órgão atingido vai depender muito mais da vulnerabilidade física de cada indivíduo do que da emoção que gerou a resposta psicossomática." Há, no entanto, conforme a professora da PUC-Campinas, algo de muito fascinante nos dados de pesquisa, com algumas emoções parecendo se associar mais à somatização. Um exemplo citado por ela é a manifestação de raiva, fortemente associada à retocolite, hipertensão, doença coronariana e psoríase, entre outras (veja outros casos no quadro Dor e sentimento). De modo geral, o que o paciente com o diagnóstico de transtorno somatoforme demonstra é a sensação de falta de controle sobre o que está acontecendo, ou de estar sendo injustiçado. Ou ainda demonstra solidão e a percepção de que não consegue lidar com o que está ocorrendo. O principal elemento parece ser o que se designa de alexitimia, palavra que vem do grego e quer dizer "sem palavras para a emoção". De acordo com os especialistas, a dificuldade para perceber o que se está sentindo e dar um nome à emoção presente parece ser o elemento mais importante para o desencadeamento da doença psicossomática.
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