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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  A beleza na medida da saúde

Por Rose Mercatelli

Procedimentos "mágicos", proclamados de pequeno porte e com resultados imediatos, têm aumentado a procura do brasileiro por cirurgias plásticas.
Na verdade, muitas dessas intervenções são invasivas e perigosas. A melhor maneira de se proteger contra riscos desnecessários é informar-se com especialistas

Ficar bonito ou mais jovem, ter um corpo sedutor, corrigir um problema estético. Enfim, olhar-se no espelho e ficar satisfeito com o que vê e, por tabela, alcançar o sonho de ser feliz. Motivados por esses desejos, legítimos, diga-se de passagem, todos os anos, no Brasil, cerca de 650 mil pessoas entram nos consultórios de cirurgiões plásticos à procura de uma mudança em sua aparência. Os dados são da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O número, bastante expressivo, confere ao país o segundo lugar no ranking mundial das cirurgias plásticas, só perdendo para os EUA.

Porém não é apenas a vaidade ou a insatisfação com a imagem que levam pacientes a procurar saídas para seus problemas estéticos. Nos últimos 15 anos, o avanço das técnicas cirúrgicas, a redução do tempo de internação e o aumento do número de profissionais qualificados contribuíram para que a procura pela perfeição estética aumentasse e se tornasse mais democrática. Se, ontem, a plástica era acessível apenas a um público restrito por ser cara, hoje é possível reduzir medidas, remodelar silhuetas ou implantar mamas a preços módicos. Soma-se a todos esses fatores a excelente reputação dos cirurgiões plásticos brasileiros, que faz com que muitos estrangeiros venham para cá recorrer aos seus trabalhos.

Minilipos e modismos

Entretanto, se por um lado mais pessoas têm condições de providenciar uma "corrigida" na natureza, por outro, o marketing exagerado em cima de como obter um corpo perfeito pode levar os pacientes a se depararem com promessas falsas, baseadas em indicações incorretas. Essa combinação de fatores, não raro, resulta em procedimentos temerários. Como exemplo recente, está a divulgação de uma técnica para retirada de gordura localizada que promete reduzir medidas em apenas uma rápida visita ao consultório do cirurgião. Nos EUA, a técnica é conhecida como "lipo da hora do almoço". Segundo alguns profissionais, o procedimento, com o uso de anestesia local, é o preferido das executivas americanas que não têm tempo (nem imagem) a perder. Por isso, resolvem tudo nas duas horas reservadas ao lunch. Depois voltam ao trabalho sem o menor problema, afirmam os adeptos da técnica.

Esse tipo de intervenção pode trazer consequências desagradáveis. Quando indicadas e realizadas corretamente, as técnicas, conhecidas como "minilipos", podem, sim, deixar a silhueta mais harmoniosa, mesmo que a retirada de gordura seja pequena. Porém a ação da anestesia local abrange uma área limitada e seu tempo de duração é menor. Se for necessário dar mais anestesia local, o excesso pode resultar em uma intoxicação anestésica. "Apesar de ser considerada uma intervenção menor, a 'minilipo' não deixa de ser uma técnica cirúrgica que deve ser realizada dentro dos critérios de segurança em ambiente hospitalar, como qualquer outra. E o paciente deve seguir as recomendações de repouso de acordo com a orientação médica", afirma Eduardo Kanashiro, membro titular da SBCP, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cranio-maxilo-facial e cirurgião plástico do Instituto de Pesquisa e Tratamento do Cabelo e da Pele (IPTCP).

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