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Edição 79 | EXPEDIENTE
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  7 coisas sobre...

Por Rose Mercatelli
1- Estado de alerta
A hepatite C é, atualmente, uma das doenças que mais assustam as autoridades mundiais de saúde por causa de seu avanço. Ela pode passar de 10 a 20 anos lesando o fígado, sem dar qualquer sinal de existência. Muitas vezes, quando a icterícia - característica típica das doenças hepáticas, que deixa pele e olhos amarelados - aparece, o organismo já está muito comprometido, sem possibilidades de tratamento. Por isso, a hepatite C é a maior causa de transplantes de fígado no Brasil. "Estimativas revelam que hoje podem existir no mundo cerca de 170 milhões de pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C", diz o hepatologista Hoel Sette Junior. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de cada 100 pessoas contaminadas com o vírus da hepatite C, 80 podem se tornar portadoras crônicas da doença. Mas os pesquisadores acreditam que esses números podem ser maiores, pois 57 países do Oriente Médio, Leste Europeu, África e Ásia não têm dados epidemiológicos sobre a infecção.

 

2 - Lenta evolução
Hepatite é o nome dado às doenças que apresentam inflamações nas células hepáticas. Assim, elas podem ser causadas por vários fatores como o uso abusivo do álcool, certos medicamentos ou doenças auto-imunes. A hepatite C é viral, assim como as do tipo A e B. É a infecção crônica mais comum veiculada pelo sangue. Ao entrar no organismo, o vírus HCV (Hepatitis C Virus) dirige-se às células do fígado e começa a se replicar. Depois rompe a membrana das células e as destroem, voltando a circular na corrente sanguínea.

Dessa maneira, a doença se torna crônica e pode causar danos irreversíveis. E o pior: pode levar até 30 anos para aparecer. "A evolução se dá em décadas. Nos primeiros dez anos, em geral, não há sintomas. Na segunda década, o quadro pode evoluir para uma cirrose hepática entre 20% e 40% dos indivíduos contaminados. Após 30 anos, de 2% a 7% dos doentes podem apresentar tumores no fígado do tipo carcinoma", diz Sette Junior. A doença é comum no grupo dos usuários de drogas injetáveis, com 70% de seus indivíduos contaminados pelo vírus C. Também aparece nos portadores de HIV.

 

3- Aceleradores da doença
Existem fatores que podem contribuir para que a evolução da doença se torne mais rápida: "O álcool é um deles. Quem costuma beber com freqüência pode vir a sofrer as conseqüências mais cedo. Em cinco a sete anos de contaminação, a hepatite pode acabar numa cirrose", avisa Sette Junior. Outras causas: uso freqüente de maconha, doenças associadas como a Aids, ou mesmo outra hepatite, como a do tipo A e B, e a obesidade, pela presença de gordura dentro das células hepáticas.

 

4- Via de transmissão: sangue contaminado
Até os anos 1990, as contaminações se davam pelas transfusões de sangue, já que não havia nenhum tipo de exame que identificasse a presença do HCV. Porém, hoje essa possibilidade é mínima, pois o controle do sangue doado é rigoroso. Diferente da hepatite B, que tem as relações sexuais como principal fonte de transmissão, no caso da C esse acontecimento é raro.

Os meios de contágio mais comuns são os instrumentos perfurocortantes contaminados, como agulhas, alicates, endoscópios ou instrumentos odontológicos, que não foram devidamente esterilizados. Os especialistas também se preocupam com objetos de uso diário trocados entre as pessoas. Fazer as unhas em salões de beleza e realizar tatuagens ou piercings com instrumentos esterilizados incorretamente podem trazer riscos de infecção.

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