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Médicos acreditam que em cinco anos o anticoncepcional masculino já estará disponível nas farmácias. E os homens comemoram. Pesquisas apontam que 25% deles gostariam de ter esse controle em suas mãos

POR ADRIANO CATOZZI
ILUSTRAÇÃO MG STUDIOS

De tempos em tempos surgem notícias a respeito do iminente desenvolvimento de um anticoncepcional masculino, capaz de promover uma transformação no comportamento humano, a exemplo do ocorrido com o advento da pílula para as mulheres. Vale lembrar que o único método anticoncepcional masculino disponível, hoje, é o preservativo - a vasectomia é um método de esterilização. Mas, da mesma forma como aparecem, tais informações somem. E deixam casais interessados em dividir a responsabilidade do planejamento familiar com uma dúvida: algum dia o controle da natalidade poderá ser feito pelo homem, com a mesma conveniência dos modernos métodos contraceptivos femininos? E mais: por que, com tamanho avanço da ciência, isso ainda não ocorreu? Seria falta de interesse dos homens e, por conseqüência, das indústrias farmacêuticas?

LINHA DO TEMPO

Desde que os humanos estabeleceram uma relação entre o ato sexual, a ejaculação masculina e a gravidez, ainda na pré-história, iniciou-se uma busca por métodos contraceptivos - em sua quase totalidade, femininos. O coito interrompido (retirada do pênis da vagina antes da ejaculação) foi o primeiro deles e é utilizado até os dias de hoje, apesar da ineficácia. Confira alguns métodos através dos tempos.

PRÉ-HISTÓRIA - eram usadas 'poções mágicas' à base de ervas e raízes. Mas já se tinha notícia do uso da vagem do quiabo, com abertura só de um lado, introduzido na vagina como uma espécie de preservativo.

1800 a.C - no Egito antigo, é descrito o uso de um tampão com esterco de crocodilo e outro de mel misturado ao xarope de acácia, para uso intra-vaginal. A fermentação da acácia produz o ácido láctico, que é espermicida.

900 a.C - os islâmicos usavam fumigações intra-vaginais e supositórios com preparados teoricamente contraceptivos no interior da vagina.

500 a.C - na Grécia antiga utilizavam-se pessários (método de barreira) contendo preparações com ervas misturadas com mel. Os gregos também utilizavam a contracepção pós-coito, com movimentos vigorosos para aumentar a pressão intra-abdominal e expelir o esperma ejaculado.

50 a.C - os romanos aplicavam na vagina um pó feito a partir das folhas de salgueiro. Mas também tinham muitas superstições, como untar o corpo da mulher com seu sangue menstrual ou usar amuletos feitos de aspargos.

100 d.C - Sorano, o pai da ginecologia, recomendava abstinência sexual logo antes e depois da menstruação.

1000 - na idade Média a contracepção era muito combatida pela Igreja, mas buscava-se auxílio com as sementes de romã.

1300 - acreditava-se que o 'coito saxônico' funcionasse como uma ejaculação retrógrada: a mulher espremia com seus dedos o canal da uretra até a base do pênis, antes da ejaculação, bloqueando a saída do esperma e forçando sua volta pelo canal até a bexiga, de onde depois seria eliminada junto com a urina.

Na verdade, as pesquisas para o desenvolvimento de um anticoncepcional masculino estão a todo vapor em laboratórios do mundo todo e acredita-se que em quatro ou cinco anos ele já estará disponível nas farmácias e consultórios - não sob a forma de pílulas, mas, provavelmente, como injeções e implantes. Isso porque a testosterona, principal hormônio empregado, é rapidamente desativada por via oral. "O interesse existe, é histórico, mas o desenvolvimento de um anticoncepcional masculino é muito mais complicado. Na mulher, temos de produzir um ciclo para ela não ovular, é uma fórmula simples. É um óvulo por mês. No homem, são milhões de espermatozóides e diversos mecanismos, ou seja, vários pontos de atuação. E estamos trabalhando em todos eles", explica Sandra Abrahão, diretora médica do Laboratório Schering do Brasil.

Isso significa que um medicamento contraceptivo masculino pode atuar tanto na produção dos seus espermatozóides quanto em sua motilidade ou na sua maturação, que ocorre no epidídimo (condutor de espermatozóides). "A pesquisa que se tem mostrado mais promissora é a do tratamento hormonal, por implante ou injeção de testosterona, que atua no processo de maturação dos espermatozóides", diz a médica.

O medicamento, que a Schering pesquisa há mais de 10 anos em cooperação internacional com a Organon, deve retardar o processo de maturação dos espermatozóides. Ou seja, ele será produzido normalmente, mas não amadurecerá, simplesmente morrerá e não terá como encontrar o óvulo feminino. Trabalhos semelhantes estão em andamento em diversos laboratórios. E existem ainda estudos para o desenvolvimento de preparações não hormonais, mas ainda precoces.

Desafios pela frente

Além do longo processo de desenvolvimento, testes e aprovação do produto, várias questões ainda precisam ser solucionadas. O anticoncepcional masculino deve, obviamente, ser seguro e eficaz. Mas é preciso ter garantido o retorno da fertilidade masculina quando desejada. E, ainda, assegurar que não interfira no desejo e nos mecanismos de ereção - este, o grande temor dos homens.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Sidney Glina, os temores masculinos não são apenas barreiras culturais ou comportamentais. "A totalidade dos métodos utilizados até agora para criar a 'pílula do homem' fizeram com que parte dos homens testados permanecessem estéreis, o que inviabilizou o seu uso clínico. Além disso, a interferência hormonal sobre o testículo pode acabar afetando, sim, a libido e a função sexual", afirma.

 

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