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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  TRATAMENTO ORTOMOLECULAR: em busca do equilíbrio
Depois de ganhar fama como terapia antienvelhecimento ou para emagrecer, a prática que promete corrigir o desequilíbrio químico do corpo passa por uma reavaliação. Especialistas alertam para os abusos no tratamento e tentam entrar em consenso sobre seu uso terapêutico

POR DANIELA TALAMONI
FOTO FERNANDO GARDINALI
ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

Megadose de vitaminas, minerais ou de outros nutrientes é proibida
Amaioria das pessoas não sabe o significado do nome nem ao menos como funciona o tratamento ortomolecular, que defende a correção do desequilíbrio químico do corpo, por meio da reposição de nutrientes e antioxidantes, como vitaminas, minerais, aminoácidos... Mas conhece pelo menos um amigo, o amigo de um amigo ou a história de alguém que garante ter melhorado bastante o aspecto da pele, o pique e o estado geral de saúde com este método que não pára de ser divulgado - inclusive por famosos.


A ingestão diária de um antioxidante para melhorar a saúde ainda está em discussão
Segundo representantes de entidades que defendem a terapia, também chamada de biomolecular ou antioxidante, infelizmente, essa popularidade tem deturpado seu verdadeiro objetivo, transformando-a em solução milagrosa para se manter a beleza, a juventude e para prevenir e tratar qualquer tipo de doença. Sem contar o glamour que envolve o fato de ser uma prática restrita a poucos. Por não ser considerada especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), não há cobertura de convênios e seguros médicos e alguns tratamentos podem custar mais de mil reais.

Resultado: alguns números não são tão divulgados, mas, na verdade, tem crescido o contingente de pacientes frustrados, bem como o uso indiscriminado dessa terapia.

As reclamações junto aos conselhos regionais de medicina, aliás, motivaram a recente formação de uma Comissão Médica exclusiva para revisar alguns termos da Resolução 1.500, do CFM, que desde 1998 regulamenta a prática ortomolecular no país. De acordo com o coordenador da Comissão, o conselheiro federal pelo Sergipe, Henrique Batista e Silva, a intenção é deixar claro para todos quais são as técnicas (exames e intervenções) da terapia ortomolecular que têm e as que ainda não têm comprovação e respaldo científicos. "Para isso, estamos fazendo um levantamento dos estudos desenvolvidos na área", explica o médico que garantiu prováveis modificações e a aprovação do documento até o final do ano.

Ajustes para um consenso

Para o presidente da Sociedade de Medicina Biomolecular, José de Felippe Júnior, representante dos médicos ortomoleculares na Comissão, são necessários alguns ajustes na Resolução. Ele revela que proibições como a administração de megadoses de vitaminas aos pacientes e a divulgação da terapia ortomolecular como recurso antienvelhecimento ou simplesmente estético, por exemplo, devem - e precisam - ser mantidas. Mas outras, como a que impede a realização do mineralograma (exame que analisa os fios de cabelo e é feito nos Estados Unidos), requerem algumas ressalvas. "Este teste tem o aval da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto à sua eficácia para o diagnóstico de intoxicação e contaminação do paciente por metais pesados. Então, acreditamos que em algumas situações - e não de forma usual - o médico ortomolecular possa solicitá- lo", reivindica José de Felippe Júnior que é clínico-geral, intensivista, nutrólogo e Ph.D em fisiologia.

Outro ponto que está sendo avaliado pelos membros da Comissão, de acordo com José de Felippe, diz respeito ao uso dessa terapia como coadjuvante no tratamento do câncer. "Pesquisas mostram que o uso exagerado de antioxidantes pode diminuir a eficácia da quimioterapia e dos mecanismos de defesa natural do corpo contra a proliferação das células cancerosas. Em alguns casos, até piora o quadro. Já se sabe, por exemplo, que a ingestão indiscriminada de vitamina B1 pode fazer com que o tumor se espalhe, porque este nutriente tem como uma das funções estimular a divisão celular", alerta o especialista.

Uma mobilização que prevê discussões sérias na área, portanto, é sempre uma boa notícia para os pacientes que não esperam ficar livres de sintomas e doenças a qualquer preço e de maneira irresponsável. Embora esta iniciativa possa parecer tardia em se tratando de uma prática exercida desde a década de 80 no Brasil e cuja filosofia já é divulgada há séculos. Em 1527, o médico e alquimista Paracelso já pregava: "o corpo é um conglomerado de matérias químicas; quando elas estão desequilibradas, a doença aparece e apenas medicamentos podem curá-las". E na metade do século passado o americano Linus Pauling, Prêmio Nobel de Química, foi o primeiro a divulgar e a colocar em prática a idéia de que a reposição de nutrientes ajudaria a prevenir doenças. Ele mesmo, para evitar o câncer de próstata, dizia ingerir 16 gramas de vitamina C todos os dias - uma dose altíssima, sendo que a Ingestão Diária Recomendada (IDR) é 45 miligramas.

Ocorre que as comprovações científicas da relação entre desequilíbrio orgânico e maior risco de doenças só foram aparecer mais recentemente. Na década de 50, a argentina Rebeca Gershman descobriu que a exposição a raios-X, a oxigênio puro, ou a ambos, matava camundongos por mecanismos bioquímicos similares, provavelmente envolvendo oxidação e formação de radicais livres (átomos ou moléculas derivados de oxigênio que possuem elétrons desemparelhados e muito reativos). Em 1969, artigo dos pesquisadores McCord e Fridovich, publicado no Journal of Biological Chemistry, anunciava outra descoberta: a superóxido dismutase, uma enzima presente em quase todos os seres vivos, que tem a capacidade de eliminar alguns desses radicais. O achado sugeria um possível controle natural do nosso organismo para equilibrar a quantidade de radicais livres - e instigou os cientistas.

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