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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  Cloreto de Magnésio
Esse mineral tem se tornado famoso por ajudar em doenças como diabetes e problemas digestivos. Mas ele cumpre mesmo o que promete?

Por Nathalie Ayres / Fotos: Danilo Tanaka / Produção: Janaina Resende
Fotos: Danilo Tanaka / Produção: Janaina Resende

Ao jogar em sites de busca o termo “cloreto de magnésio”, abre-se um mar de possibilidades terapêuticas. É possível encontrar promessas de melhora para doenças como artrose, hipertensão, diabetes... Males modernos que podem ser resolvidos com um simples pozinho, à venda on-line ou em farmácias e sem mesmo precisar de receita médica. Mas se houvesse um remédio tão eficiente assim, ele não deveria ser notícia de capa de todos os jornais?

O cloreto é, na verdade, uma das formas de se suplementar o mineral no corpo. “Existem vários outros sais de magnésio, como o sulfato, glutamato, citrato etc. Mas a presença do cloro estimularia melhor a absorção”, ensina o médico nutrólogo Milton Mizumoto, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran-SP). Outra vantagem está no preço e acessibilidade desse item. Para a nutricionista funcional e clínica Daniela Jobst (SP) este composto é uma forma barata e eficaz de se ingerir o magnésio e beneficiar a saúde.

 

Informações genéticas corretas
Tudo isso porque esse elemento químico é multiuso dentro de nosso organismo. Ao todo, estima-se que ele participa de 300 reações bioquímicas dentro de nós. “Ele ajuda a manter a massa muscular normal e função dos nervos, mantém regular o ritmo cardíaco, suporta um sistema imunológico saudável, e mantém os ossos fortes”, resume a nutricionista Cláudia Talan Marin, especialista em nutrigenômica e câncer e em emagrecimento e metabolismo no esporte (SP).

Entre as suas funções, está por exemplo a síntese do nosso material genético, o DNA e RNA que determinam a produção de proteínas no nosso corpo. Ao participar desse processo, ele também garante que as informações genéticas sejam passadas corretamente na divisão e multiplicação das células. “Ele ainda ajuda na deposição de cálcio nos ossos, mas também compete com o cálcio em vários sítios, contribuindo em especial para as células musculares e do sistema nervoso”, ensina Alex Botsaris, clínico geral e estudioso sobre plantas medicinais (SP). Uma das provas de sua influência no sistema locomotor está na aplicação do sulfato de magnésio como hipotensor e relaxante muscular na pré-eclampsia.

 

As quantidades recomendadas de ingestão do nutriente aumentam ao longo da vida. Dos seis meses até os 13 anos de idade, ela vai aumentando de 30 para 240 mg por dia

 

Fotos: Danilo Tanaka / Produção: Janaina Resende

Reservas em falta
Normalmente tudo que conseguimos desse mineral vem da alimentação. “O encontramos em frutas como abacate e banana; verduras, como espinafre, couve e quiabo; grãos tais quais cevada, granola, arroz integral, farelo de milho, cevada, gérmen de trigo, aveia em grãos inteiros; sementes, entre elas nozes, de abóbora e gergelim; e itens como leite, melaço, mandioca, camarão, lentilhas...” lista a nutricionista Nicole Trevisan, da ADJ Diabetes Brasil (SP). As quantidades recomendadas de ingestão do nutriente aumentam ao longo da vida. Dos seis meses até os 13 anos de idade, ela vai aumentando gradativamente de 30 para 240 mg por dia. Na adolescência começam as diferenças de gênero: 360 mg diários para as mulheres e 410 para os homens, de acordo com o Institute of Medicine/Food and Nutrition Board. Para algumas pessoas, porém, ele pode estar em falta.

“É relativamente difícil conhecer a quantidade de magnésio do organismo humano. Os testes comuns de sangue não mostram a distribuição e a concentração real e muitos erroneamente acreditam que os níveis orgânicos de magnésio são sempre satisfatórios”, explica a farmacêutica Anelise Taleb, consultora técnica da Tave Manipulação (SP). E quando a queda acontece, o corpo manifesta a carência em diversos sintomas: fechamento na garganta, bloqueio da respiração, tremores, cefaleia, vertigem, fadigas matinais, insônia, câimbras, como lista Mizumoto. Além disso, alguns especialistas apontam que diabéticos e hipertensos têm menor quantidade desse mineral.

 

Suplementar ou não?
Mas, é preciso lembrar que o magnésio não é, sozinho, a resolução de todos os problemas de saúde. “Muitas vezes um mesmo grupo de sintomas, idênticos na superfície, tem origens que variam de pessoa para pessoa, além das diferenças no sistema imunológico de cada um. Cada doença é algo singular que acontece por razões únicas”, explica o clínico geral Eduardo Finger, chefe do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Salomão Zoppi Diagnósticos.

Portanto, muitas vezes a razão de alguns desses problemas não é a ausência do mineral. Logo, aumentar sua ingestão não trará melhoras. Aliás, se a suplementação for feita por conta própria, pode trazer problemas. Afinal, os minerais do nosso corpo regulam uns aos outros. “Você pode desequilibrar minerais antagonistas. Todo excesso pode gerar problemas sérios”, alerta a nutricionista Daniela.

 

Efeito placebo
Finger também chama a atenção para a procedência do suplemento ingerido: “não há uma fiscalização para suplementos, por isso são perigosos se não soubermos onde foi feito e o que foi misturado”, explica o médico. Ele destaca que muitas vezes a melhora de algumas pessoas também pode se dever mais ao efeito placebo do que uma eficácia do remédio.

Por isso mesmo, se você está pensando em se beneficiar dos ditos feitos do cloreto de magnésio, por que não consultar seu médico? Um nutricionista ou nutrólogo são os especialistas perfeitos para verificar se o magnésio está mesmo em falta no seu corpo e lhe ajudar a localizar o que pode estar causando problemas no organismo.

 

Se a suplementação for feita por conta própria, pode trazer problemas, desequilibrando o organismo

 

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