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Edição 109 | EXPEDIENTE
Família / Home

  O fim do xixi na cama
Fazer xixi na cama é comum para a maioria das crianças, mas é preciso que os pais fiquem atentos para corrigir o costume e se precaver de possíveis doenças graves

Por: Fernanda de Almeida / Arte: Amanda Matsuda / Fotos: Danilo Tanaka
Arte: Amanda Matsuda; Fotos: Danilo Tanaka

Durante o crescimento dos filhos os pais passam por fases de amadurecimento da criança e precisam ajudá-la a superar seus desafios. Tirar a fralda é uma das mais difíceis. Segundo os especialistas, algumas crenças como “quando for para a escolinha já tem que ter tirado a fralda” acabam complicando o momento sem nenhuma necessidade.

 

O que acontece é que cada criança terá sua maturidade física e psicológica para aprender a controlar a vontade de ir ao banheiro. E faz parte do papel dos pais estarem atentos a esses sinais e retirarem a fralda quando a criança realmente estiver preparada. Caso contrário, é muito provável que ela substituirá a fralda pelo xixi na cama, outra fase bastante difícil de superar. Quando ela é retirada antes da hora, a criança ainda não aprendeu a entender os sinais de seu próprio corpo e os avisos de que precisa urinar, por isso há o descontrole, principalmente durante o sono. Para ajudar nesse processo, nada melhor do que contar com a ajuda do pediatra.

 

O termo médico para xixi na cama é enurese noturna, que significa a falta de controle na urina durante o sono — durante a noite, mas também quando dorme durante o dia. “Até os 5 anos de idade, é natural que a criança ainda não tenha maturidade sufi- ciente para controlar a vontade de ir ao banheiro. A partir dessa idade, a perda involuntária de urina é anormal, quando ocorre mais de duas ou três vezes em um mês. Como a perda em geral é à noite, chama-se enurese noturna”, explica Ivan Pistelli, pediatra e coordenador da Pediatria do Hospital Leforte, em São Paulo (SP).


A enurese pode ser caracterizada como primária ou secundária. Denomina-se enurese primária a perda urinária noturna em pacientes que nunca chegaram a apresentar controle vesical (controle da micção) prévio por período prolongado, ou seja, que nunca conseguiram controlar a vontade de fazer xixi durante o sono. A enurese secundária se refere aos casos em que a criança já consegue ter controle miccional por pelo menos seis meses e depois volta a fazer xixi na cama. Neste segundo caso, os fatores psicológicos são a principal causa.


Arte: Amanda Matsuda; Fotos: Danilo Tanaka

A enurese noturna não é uma doença, é uma disfunção. “Calcula-se que episódios de xixi na cama ocorram uma ou mais vezes por semana nas seguintes frequências: aos 5 anos, em 15% das crianças; aos 10 anos, em 3% das crianças; e em 1% dos adultos (20 anos ou mais). A incidência é maior entre os homens na proporção de 2 para cada mulher”, enumera Pistelli.



"Até os 5 anos, é natural que a criança ainda não tenha maturidade suficiente para controlar a vontade de ir ao banheiro"


COMO LIDAR COM O PROBLEMA
Algumas mudanças de atitude dos pais são fundamentais para ajudar seu filho a superar
a enurese noturna que, em 15% dos casos, melhora espontaneamente. Confira:

é aconselhável restringir o consumo de líquido uma hora antes de ir pra cama.
minutos antes de dormir é bom lembrar a criança que ela precisa urinar.
 após as noites secas, não se esqueça de recompensá-la para motivar a criança.
 não castigá-la; o xixi na cama é um ato involuntário e ela não tem culpa.
 deixar uma luz acesa no corredor caso a criança acorde com vontade de urinar.
 os pais devem evitar discutir esse assunto em público ou com outras crianças, pois podem inibir-la criança e deixá-la deprimida, com sentimento de fracasso.

 

 

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