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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  O fim do xixi na cama
Fazer xixi na cama é comum para a maioria das crianças, mas é preciso que os pais fiquem atentos para corrigir o costume e se precaver de possíveis doenças graves

Por: Fernanda de Almeida / Arte: Amanda Matsuda / Fotos: Danilo Tanaka

 

Possíveis causas
José Gabel, pediatra e membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP), explica que filho de peixe, peixinho é: “Existe uma incidência familiar onde a chance de o filho apresentar enurese quando um dos pais foi enurético é de cerca de 40%, e, se os dois pais foram enuréticos, a chance sobe para 75% a 80%. A maioria das crianças aprende a controlar sua micção entre os 2 e 3 anos de vida, mas é aceitável que uma criança de até 5 anos molhe a cama no máximo uma vez por semana, desde que não tenha outros sintomas.”


Quando Gabel fala sobre outros sintomas, está se referindo aos casos em que a enurese noturna é um indício de outras doenças orgânicas, emocionais ou psicológicas. A pediatra Maria Cristina Senna Duarte, especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria, cita algumas: “15% dos casos de infecção urinária apresentam enurese como sintoma. Lesões no trato urinário também são frequentemente associadas à enurese. Outras causas: diabetes melito, diabetes insípido, tubulopatias, insuficiência renal crônica, bexiga neurogênica.”


Quando a enurese noturna não é um sintoma de outra doença, os motivos mais comuns para que a criança faça xixi na cama são a imaturidade neurológica no mecanismo de acordar ou de controlar a bexiga, fatores emocionais, produção inadequada de hormônio antidiurético (vasopressina), durante a noite, ou sono muito profundo.


“Um fato curioso é que a enurese noturna não é caracterizada pela dificuldade em controlar a vontade de fazer xixi, mas pela dificuldade em acordar quando o corpo avisa que a bexiga está cheia. Na maioria dos casos, a criança não tem problema algum em ir ao banheiro durante o dia e dispensa o uso da fralda com facilidade. O difícil é habituar seu corpo a acordar para urinar durante a noite”, explica Vera Koch, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).


A médica explica que existem duas teorias principais para a causa da enurese noturna. Na primeira, especialistas acreditam que há imaturidade no desenvolvimento do sistema nervoso da criança e, por isso, mesmo com a bexiga cheia, os pequenos não entendem e não sentem a necessidade de urinar. Outros acreditam que é uma imaturidade na produção do hormônio antidiurético, cuja produção deve aumentar durante a noite — e, no caso das crianças com enurese noturna, isso não acontece.


“É importante que os pais saibam que a enurese noturna se refere somente ao ato de urinar durante o sono. Se a criança faz xixi quando ri muito, por exemplo, é preciso investigar as causas desse descontrole urinário”, alerta Vera.


Arte: Amanda Matsuda; Fotos: Danilo Tanaka


Como tratar
Embora fazer xixi na cama seja um acontecimento muito comum na infância, os pais devem levar o fato a sério e encaminhar o filho para o pediatra logo depois das primeiras ocorrências. É fundamental que a criança passe por entrevistas e exames físicos para confirmar se não se trata de um sintoma de alguma doença.


Para o médico entender as causas e definir o tratamento mais adequado, é fundamental conhecer o histórico da criança, fazer exame físico e orientar os pais com relação aos cuidados a serem tomados. “Só é definido o quadro de enurese noturna por exclusão, quando todos os exames foram feitos e não detectaram nenhuma doença”, afirma Vera.


O tratamento deverá ser feito com visitas ao pediatra e, necessita às vezes de acompanhamento de outros especialistas, como psicólogos. Alguns casos de enurese noturna estão diretamente associados a famílias desestruturadas e que precisam de ajuda psicológica. “O médico deve conversar muito com a criança e a família para entender em que meio aquela pessoa está crescendo, que tipo de cobranças ou traumas tem e acompanhar de perto a evolução no tratamento da enurese”, esclarece Vera.


Uma das estratégias adotadas no tratamento é um alarme. Esse dispositivo é colocado na cama ou na roupa da criança, e ele dispara toda vez que ela molha a roupa ou a cama durante a noite. Vera diz que “é muito comum os pais relatarem que, nas primeiras noites em que o alarme dispara, a casa inteira acorda, menos a criança. A explicação para isso é que a grande difi- culdade da criança com enurese noturna é justamente acordar para respeitar os sinais de que o corpo precisa fazer xixi. Mas com o passar do tempo ela se habitua”.


XIXI NA CAMA EM NÚMEROS

Apesar de desagradável, fazer xixi na cama não é um bicho de sete cabeças. Enfrente o problema com calma, após conferir alguns números que descrevem a enurese noturna:

• Acontece aos 5 anos de idade, em 15% das crianças; aos 10 anos, em 3% das crianças, e em 1% dos adultos (20 anos ou mais).
• A incidência de xixi na cama geralmente é maior entre os homens. Entre as mulheres a proporção é igual a 2 para cada uma delas.
• A chance de a criança apresentar enurese quando um dos pais também foi enurético é de aproximadamente de 40%, e, se os dois pais foram enuréticos, a chance sobe para 75% a 80%.
• Mais de 50% dos casos alcançam sucesso até quatro anos após a primeira busca por aconselhamento médico.
• 15% dos casos de infecção urinária apresentam enurese como sintoma, por isso é importante fazer os exames médicos para checar se o xixi na cama não esconde algo mais sério.


“A enurese noturna é em geral uma condição transitória benigna devido à imaturidade do controle miccional, com alto índice de cura espontânea, que aumenta com a idade. Mais de 50% dos casos curam-se até quatro anos após a primeira consulta médica”, finaliza Maria Cristina.


Por isso é tão importante que os pais levem o filho ao pediatra, para que haja um acompanhamento, a investigação das causas e a consequente solução do problema. Fazer xixi na cama é comum e, na maioria dos casos, sem maiores preocupações, uma fase passageira.


"É fundamental que a criança passe por entrevistas e exames físicos para confirmar se não se trata de um sintoma de alguma doença"


Arte: Amanda Matsuda; Fotos: Danilo Tanaka

 

 


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