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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  Por que crescer dói?
Dor de crescimento existe, não é doença, mas pode ser atenuada. Entenda por que ela ocorre, como os fatores emocionais podem influenciá-la e como afastar as possíveis complicações desse sintoma

por Fernanda de Almeida ilustração Amanda Matsuda

Quando a mãe de Lívia Almeida Rocha a ouvia chorar e chamar seu nome no meio da noite, já sabia, estava com dor nas pernas. Hoje, aos 28 anos, a psicóloga de São José dos Campos (SP) conta que essas queixas marcaram sua infância. A dor começava, e sua mãe vinha com um pouco de álcool para massagear suas coxas e canelas. Dos 5 aos 8 anos Lívia teve que lidar com as dores de crescimento. "Nessa época meu pai viajava muito e talvez as dores tivessem a ver com essa falta", conta. Anos depois, ela passou a ter dores de cabeça e só saberia mais tarde que as duas coisas poderiam estar relacionadas.

Na casa de Solene Gabaldo Lovato, 49, funcionária pública de Londrina (PR), as queixas vieram em dobro. Os dois filhos Vinícius e Fernando tiveram dor de crescimento na infância. Em ambos a dor era nas coxas e panturrilhas e apareciam no final do dia. "Com os dois eu fiz o mesmo procedimento: massagens, alguns exercícios de alongamento. As reclamações continuavam e eu não sabia se eles queriam carinho ou se realmente sentiam dor", conta Solene. Foi assim que decidiu levar os meninos ao médico, e, depois de algumas radiografias e outros exames de rotina, o diagnóstico foi confirmado, era dor de crescimento. Por volta dos 15 anos de idade a dor dos meninos nunca mais voltou, "mas até hoje eles pedem massagem, afinal, quem não gosta de carinho?", brinca Solene.

Para Marcelo Lutfi, 30, engenheiro civil de São Paulo (SP), as dores apareciam nas costas, geralmente depois de exercícios físicos. A mãe decidiu levá-lo ao médico para ver se o menino ainda estava em fase de crescimento. Foi constatada uma pequena diferença de comprimento nas pernas, e, para corrigir o problema, Marcelo passou por uma cirurgia de grampeamento no joelho da perna direita, que era ligeiramente maior, para que a esquerda continuasse crescendo normalmente e se igualasse. "A cirurgia foi um sucesso, o problema realmente foi resolvido e meu filho nunca mais se queixou das famosas dores", conta Maria Beatriz Lutfi, mãe de Marcelo. Neste caso, as reclamações indicavam que o mal-estar ia muito além da dor de crescimento, e graças a exames e acompanhamento médico o problema pôde finalmente ser resolvido.

Dor difusa
A dor de crescimento pode ainda ser definida como uma sensação desagradável como peso, aperto, queimação, formigamento, pontadas ou latejamento que afeta crianças e adolescentes, segundo o médico Oswaldo Couto Junior, neurologista de São José dos Campos (SP) e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe).

Apesar de não ter sido comprovada a relação entre as dores e o processo de crescimento, é chamada de dor de crescimento e acomete crianças na fase entre 3 e 13 anos. Caracteriza-se por dor difusa, mais frequentemente atrás dos joelhos ou nas panturrilhas, podendo acometer também a região anterior das pernas. "Geralmente a dor ocorre mais no final do dia, podendo ser causa de despertar noturno", alerta o médico Claudio Len, coordenador da Comissão de Reumatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

Junto com a cefaleia e a dor abdominal, a dor de crescimento está entre as principais queixas das crianças - corresponde a cerca de 20% das consultas pediátricas. Segundo Couto, a dor de crescimento prevalece no sexo feminino, mas não se sabe o porquê.

Possíveis causas
O incômodo não é uma doença e, por isso, não tem cura. Suas causas não são definidas, mas existe uma série de hipóteses que tentam explicar a origem dessas dores. "É muito comum encontrarmos distúrbios emocionais ou simplesmente uma situação de crise própria da idade (nascimento de um irmão, ingresso na escola, mãe que começa a trabalhar). Observa- se também que essas crianças são, em geral, filhas de pais que também tiveram quadros semelhantes durante a infância e, nas próprias crianças, são encontradas outras situações de dor crônica como dor de cabeça ou dor abdominal, ou seja, parece haver mesmo uma combinação de fatores emocionais associados a uma 'tendência' à essa dor crônica", afirma Marcelo Resbscheid, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade São Luiz (SP).

Quando não há acompanhamento médico, a dor de crescimento pode ser
facilmente confundida com doenças estruturais

Como o fator emocional costuma ter bastante relevância com relação à dor de crescimento, é preciso que os pais fiquem atentos ao comportamento dos filhos. "Às vezes a criança não está indo bem na escola, pode estar sofrendo bullying, ou passou por alguma perda emocional na família.

É importante estar atento a essas situações e dar atenção à criança, mostrar que ela é valorizada. Nenhuma criança reclama de dor à toa e nenhuma reclamação do filho pode ser ignorada pelos pais", alerta Margarida Carvalho, pediatra e presidente do Departamento Científico de Reumatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

NÃO SE ENGANE: 8 SINAIS DE ALERTA

Algumas doenças estruturais (ortopédicas), inflamatórias (reumatológicas), neurológicas (fibromialgia e enxaqueca), ou de infecção nos ossos (como sinovite, artrite e osteomielite) podem se manifestar na forma de dor musculoesquelética. Veja quais são os sintomas e sinais que não caracteriam a dor de crescimento. Confira:

1. Dor localizada como em um joelho ou um tornozelo.
2. Dor nas costas, principalmente ao acordar pela manhã.
3. Dificuldade na realização das atividades diárias, como brincar, correr ou praticar esportes e mancar.
4. Inchaço em uma ou mais articulações.
5. Febre persistente, não associada à infecção aparente.
6. Emagrecimento exagerado em poucos meses .
7. Pouca melhora com massagem ou analgésicos comuns.
8. Fraqueza muscular (dificuldade para subir escadas ou para levantar objetos pesados).

 

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