Todo dia é dia de macarrão Nada de renunciar a um belo prato de massa! O macarrão engorda menos que o arroz e ainda ajuda no controle de uma porção de doenças
por Rita Trevisan e Louise Verniern fotos Danilo Tanaka produção Janaina Resende
Outro estudo, publicado no Annals of Oncology, em 2001, mostrou que o risco de câncer de mama foi menor em mulheres que consumiam alimentos de baixo índice glicêmico. A pesquisa comparou mulheres na fase da pós-menopausa, que consumiam pão branco e macarrão. "Os resultados mostraram que alimentos com alto índice glicêmico, como o pão branco, aumentaram o risco de câncer de mama, enquanto a ingestão de massas, consideradas de baixo índice glicêmico, não mostrou nenhuma influência para o desenvolvimento da doença", comenta a nutricionista Paula Crook, da PB Consultoria em Nutrição.
Se associada ao molho de tomate, a pasta beneficia ainda mais a saúde. "Inúmeras pesquisas já provaram o valor do tomate na prevenção do câncer, principalmente o de próstata. A fruta é rica em licopeno, um dos mais potentes antioxidantes que conhecemos", explica Paula. "A cocção e o acréscimo de óleo favorecem a absorção do composto pelo organismo. Portanto, na forma de molho de tomate, o licopeno fica muito mais disponível para o organismo absorver e utilizar", complementa a nutricionista Mariana Del Bosco Rodrigues, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO).
As novas pesquisas liberam o macarrão até mesmo para os diabéticos de tipo 2, desde que o consumo seja moderado. Artigo publicado no periódico científico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em agosto de 2006, mostrou que as dietas com baixo índice glicêmico - que incluem o macarrão - podem até favorecer o controle da doença, minimizando os riscos de hiperglicemia e hipoglicemia após a refeição e no estado pós-absortivo. "Além disso, essas dietas parecem ter um efeito benéfico ou neutro no colesterol, que também é considerado um fator de risco cardiovascular importante nos pacientes com diabetes", conclui o estudo.
Se o macarrão for integral, os benefícios se multiplicam. "A quantidade de fibras insolúveis que ele contém ajuda no funcionamento intestinal e diminui a absorção dos triglicérides e do colesterol. O consumo frequente está relacionado à diminuição do risco de doenças como o AVC, a diverticulite e a obesidade", afirma Paula Crook.
Compare e prove
Veja só a quantidade de calorias que você vai obter numa porção generosa de macarrão e compare com a de outros alimentos que está acostumada a consumir no dia a dia. Dá pra substituir fácil, fácil!
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2 pegadores de macarrão = 130 calorias |
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● 2 unidades (médias) de batata cozida
● 1 fatia de pão de forma integral
● 1 unidade de pão francês
● 2 col. (de servir) de arroz
● 3 col. (sopa) de purê de batatas
● 6 col. (sopa) de milho verde cozido
● 1 pires (chá) de mandioca cozida |
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Sirva-se!
Para que o alimento opere todas essas maravilhas em seu organismo, de segunda a segunda, o segredo é maneirar nas porções e escolher bem os acompanhamentos. "Se ele for consumido junto com uma porção de proteína, seu índice glicêmico será ainda mais reduzido", diz a nutróloga Sandra Lúcia Fernandes, da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Assim, o macarrão com molho de tomate, carne moída e uma pitada de queijo vira um prato balanceado, que se completa com uma entrada à base de legumes e verduras.
Já os molhos feitos à base de leite, creme de leite, queijos, bacon e linguiça devem ser reservados às ocasiões especiais, pois são ricos em gorduras saturadas e extrapolam nas calorias. O molho de tomate pronto também deve ser evitado. "Os produtos industrializados normalmente contêm um elevado teor de sódio", alerta Elaine de Pádua.
Na onda dos acompanhamentos saudáveis, podem entrar os legumes, as verduras e as ervas. Outra dica dos especialistas é consumir o macarrão al dente. "Nesse ponto de cozimento, o alimento favorecerá uma digestão um pouco mais trabalhosa e lenta, o que contribui para manter a sensação de saciedade por mais tempo", explica Mariana Rodrigues.
Se o macarrão for consumido junto com uma porção de proteína, seu índice glicêmico
será ainda mais reduzido
Esteja atento ao tipo de macarrão escolhido. "No Brasil, há mais de 40 formatos diferentes de macarrão. Os mais finos, como o espaguete, seguram menos o molho e, nesse caso, ingerimos mais massa do que molho. Já o parafuso, por exemplo, dá o efeito inverso. A informação faz diferença quando estamos falando de molhos mais densos, como os à base de queijos", ensina Cláudio Zanão, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (ABIMA).
Observando-se esses cuidados, não há nenhum motivo para que o alimento não esteja na sua mesa, nos sete dias da semana. "Do total de calorias da dieta, cerca de 55% a 60% devem vir dos carboidratos. O macarrão pode ser a porção energética de uma refeição principal, acompanhado de verduras e de uma proteína, como a carne, por exemplo", afirma Mariana.
Fontes : Roseli Rossi, nutricionista da Clínica Equilíbrio Nutricional e Maria Eliza Zuccon , química, fundadora do método tático de reabilitação alimentar Meta Real.
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