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Edição 119 | EXPEDIENTE
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Terapia complementar
  Conheça o EMDR: uma nova terapia para traumas
A técnica também auxilia o tratamento de depressão, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade, distúrbios do sono e a superar os lutos

por Samantha Cerquetani

Em 1984, Rosana Leite sofreu um acidente de carro e rompeu os tendões da mão direita, e não dirigiu à noite por mais de 15 anos. Já Silvia Guz lesionou o tendão do cotovelo na mesma circunstância, quase perdeu os movimentos do braço e sentia dores constantes. Apesar dos tratamentos convencionais, as lembranças e as dores de ambas não desapareciam. Mas, com a técnica terapêutica Eye Movement Desensitization and Reprocessing (Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares - EMDR), elas conseguiram superar seus traumas num tempo mínimo.

Criada na década de 1980 pela psicóloga americana Francine Shapiro, a prática foi desenvolvida para pessoas com transtorno de estresse pós-traumático. Hoje ela também auxilia o tratamento de doenças como depressão, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade etc. De acordo com a psicóloga e representante do EMDR no Brasil, Esly Regina Souza de Carvalho, a terapia permite o reprocessamento neurológico de lembranças difíceis e dolorosas. E isso é possível por meio da integração do conteúdo neuronal em diferentes hemisférios cerebrais. "Com o EMDR criamos uma situação onde o próprio cérebro encontra um caminho de autorregulação. Por isso, é muito mais rápido que as terapias tradicionais", explica a especialista. Casos complexos que envolvam medo, dor ou insegurança podem logo desaparecer.

Diferentemente das terapias tradicionais, onde a palavra é necessária para o relato dos fatos traumáticos, a técnica permite que os pacientes reprocessem em silêncio os acontecimentos que lhes causam vergonha ou humilhação. Mas atenção: procure um especialista devidamente habilitado para não agravar o problema. Segundo a terapeuta Sílvia Malamud, do Instituto Sedes Sapientiae, para aplicar o EMDR, o profissional precisa ter conhecimento, prática e responsabilidade. "Durante o tratamento, inúmeras lembranças e situações inesperadas podem surgir, e somente um profissional capacitado terá condições de lidar com determinadas demandas", diz. Crianças podem se beneficiar da técnica, cujas únicas contraindicações são os quadros psicóticos agudos (esquizofrenia), e mulheres grávidas. Para Sílvia, "o EMDR funciona como uma terapia cerebral, pois o indivíduo acaba refazendo conexões cerebrais, trabalhando novas sinapses"

 

As informações são processadas pelo cérebro enquanto dormimos. Quem passa por uma situação traumática prejudica esse processo e permite que surjam pensamentos disfuncionais. O EMDR reorganiza os componentes causadores das memórias negativas e permite a cura dos traumas.

 

fotos: shutterstock

5 razões para conhecer o EMDR
1. A terapia estimula o autoconhecimento, mudança do estilo de vida, além de auxiliar na superação de traumas.
2. Promove a liberação de padrões repetitivos (violência, raiva, timidez excessiva e medo).
3. É indicado para pânicos em geral, ansiedades e fobias.
4. Distúrbios do sono em geral apresentam melhora, pois a técnica trata as lembranças ruins que impedem o sono reparador.
5. Os lutos (morte, divórcio, mudança de vida) são vividos de uma forma mais saudável.

 

Como funcionam as sessões?
Elas podem ser mensais ou semanais (duração de 50 minutos até 2 horas). Após o relato do paciente, o terapeuta avalia o caso e o grau da perturbação (de 0 a 10). Essa escala permitirá a análise da evolução do tratamento, até o desaparecimento dos sintomas. Segue-se a estimulação bilateral, método que promove o "diálogo" entre as lembranças traumáticas, os hemisférios cerebrais e a "metabolização" (reprocessamento) do trauma, por meio de exercícios oculares. Paulatinamente, haverá o distanciamento da perturbação, pois o EMDR reproduz o movimento rápido ocular (REM), que ocorre durante o sono. Ao dormirmos, reprocessamos naturalmente as experiências diárias. A técnica recria esse sistema e estimula o paciente a se recordar dos fatos difíceis enquanto move os olhos. O cérebro se encarrega de reprocessá-los espontaneamente. A alta terapêutica dependerá de como cada paciente reagirá ao tratamento.

 

 





 
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