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Edição 119 | EXPEDIENTE
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  Vitiligo
As manchas esbranquiçadas não coçam, não ardem e não são contagiosas. Mas comprometem a qualidade de vida de quem é portador de vitiligo. VivaSaúde investiga as causas dessa doença que atinge uma em cada 100 pessoas

por André Bernardo ¦ Arte Amanda Matsuda

Waldir Matos é funcionário público, tem 50 anos e mora no Rio de Janeiro. Marcos Vicentti é fotógrafo, tem 43 e vive no Acre. Os dois não se conhecem, mas compartilham uma mesma história de vida. Ambos são portadores de vitiligo, doença caracterizada pela despigmentação total ou parcial da pele, que provoca manchas esbranquiçadas no corpo e atinge cerca de 1% da população mundial.

Waldir diz que as primeiras manchas surgiram na infância, por volta dos 5 anos, quando ele adoeceu, vítima de uma gastroenterite. "O vitiligo não coça, não arde e não pega. Mas deforma o corpo. Na época, eu não entendia por quê, de uma família de seis irmãos, eu era o único portador da doença. A infância foi a pior fase. Eu me sentia excluído de tudo", recorda.

Marcos começou a apresentar os primeiros sintomas da doença já adulto, aos 28 anos, após um divórcio. "O início é sempre complicado. Você não conhece direito a doença e vê seu corpo mudando. Para piorar, as pessoas ainda olham diferente para você. Mas, com o tempo, você aprende a lidar com o preconceito", garante.

Fator emocional

Ainda hoje, o vitiligo continua a intrigar médicos e psicólogos. Não se sabe muito sobre a sua origem ou o que se pode fazer para evitá-la. Sabe-se, apenas, que distúrbios emocionais, como os enfrentados por Waldir e Marcos em diferentes fases de suas vidas, funcionam como "gatilhos" que acionam o aparecimento das manchas.

"O vitiligo está diretamente ligado ao estresse emocional", afirma Paulo Luzio, chefe do ambulatório de vitiligo da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. "Ter estresse é inevitável, mas a forma como se lida com ele pode ser trabalhada. Se você lida bem com o estresse, terá menor número de surtos e surtos mais suaves. Se lida mal, terá maior número e surtos mais agressivos", avisa.

Mas não é todo mundo que sofre de estresse que corre o risco de desenvolver a doença: somente os que têm predisposição genética. "A causa do vitiligo ainda é desconhecida. Muitas teorias como a autoimune, a neural e a citotóxica, entre outras, tentam explicar o porquê da perda de função dos melanócitos", explica Roberta Buense, especialista em vitiligo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), acrescentando que não existe um grupo que seja mais suscetível à doença. "O vitiligo atinge todas as raças, sexos e idades. Não há um padrão", assegura.

Doença autoimune

Das muitas teorias existentes para explicar a origem do vitiligo, uma das mais aceitas pelos médicos é a de que se trata de uma doença autoimune. Como diabetes tipo 1, lúpus, artrite reumatoide e esclerose múltipla. Segundo os especialistas, doença autoimune é aquela onde o organismo deixa de reconhecer células do próprio corpo e passa a produzir anticorpos para atacálas. No caso do vitiligo, as células atingidas são os melanócitos, responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que determina a cor da pele do indivíduo.

Geralmente, as manchas do vitiligo atingem, principalmente, as mãos, os pés, os cotovelos, os joelhos, o rosto e os órgãos genitais. Mas não é toda e qualquer mancha branca que indica que o indivíduo seja portador de vitiligo. Algumas delas podem ser provocadas pelo sol ou micose. Em caso de dúvida, o melhor a fazer é procurar o dermatologista ao menor sinal de mancha ou lesão na pele.

Mediante o diagnóstico clínico, o médico terá condições de examinar as lesões e determinar se o paciente é portador de vitiligo ou, então, se existem outras doenças associadas. Em alguns casos, ele pode até solicitar exames laboratoriais para complementar o diagnóstico.

"Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e mais cedo for iniciado o tratamento, maiores serão as chances de sucesso. Se tratado ainda no início, é possível controlar a progressão da doença", avisa Celso Lopes, especialista em vitiligo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Geralmente, as manchas do vitiligo atingem, principalmente, as mãos, os pés, os cotovelos, os joelhos, o rosto e os órgãos genitais

Tratamento individualizado

Feito o diagnóstico, Luzio explica que, antes de indicar o melhor tratamento para cada pessoa, o médico precisa fazer uma avaliação, entre outros aspectos, o tipo de vitiligo, a idade do paciente, a fase da doença, as regiões afetadas e a extensão do comprometimento. Quanto ao tipo, o vitiligo pode ser dividido, a grosso modo, em dois: o localizado e o generalizado.

"A forma de tratamento é distinta: Nos casos de vitiligo localizado, é recomendada uma medicação tópica. Quando se trata de vitiligo generalizado, a fototerapia é a primeira indicação, juntamente com vitaminas e antioxidantes", esclarece Roberta. Na maioria das vezes, os resultados dos tratamentos demoram e incluem desde a utilização de substâncias à base de corticoides até sessões de fototerapia com psolarenos.

No primeiro caso, os corticoides tentam impedir a destruição dos melanócitos pelos anticorpos e podem ser utilizados por via oral, injetável ou tópica. No segundo, os psolarenos são medicamentos que estimulam a proliferação dos melanócitos, mas, para agirem no organismo, eles precisam da exposição à radiação ultravioleta. Além dos tratamentos considerados convencionais, a doença pode ser combatida, ainda, por imunomoduladores tópicos, terapia a laser ou intervenção cirúrgica.

"A cirurgia é indicada em casos restritos", pondera Lopes. "O procedimento consiste na retirada da pele de áreas saudáveis e da inserção dela nas lesões com despigmentação. A intervenção, geralmente, é indicada nos tipos localizado e estável de vitiligo. Ou seja, sem aumento ou surgimento de novas lesões nos últimos 12 meses", completa.

Quando o vitiligo atinge mais de 80% do organismo, uma das opções de tratamento pode ser a despigmentação total da pele. "Essa alternativa somente deve ser utilizada em casos bem selecionados, em virtude de complicações frequentes e de dificuldade na obtenção de resultados satisfatórios", alerta o especialista.

Apesar dos danos estéticos que o vitiligo provoca na autoestima dos portadores, a doença em si não causa maiores prejuízos à saúde

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