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Como a dieta pode ajudar pacientes com TDAH

Publicado em 14 de Jan de 2015 por Clara Ribeiro | Comente!

Existe uma polêmica quando se fala que existem alimentos que podem melhorar a vida de quem sofre com TDAH. Conheça a opinião de especialistas



Texto: Tatiana Pronin / Foto: Shutterstock / Adaptação: Clara Ribeiro

Nutrientes podem ajudar quem sofre de déficit de atenção

Foto: Shutterstock

Vários estudos científicos relacionam o TDAH a determinados alimentos, como açúcar, corantes e outros aditivos químicos usados pela indústria alimentícia. Apesar disso, médicos especializados no transtorno afirmam que ainda faltam evidências que justifiquem modificações na dieta.

“Ainda não existem estudos comprovando essa hipótese. Portanto, minha opinião é que devemos ser cautelosos para não alertar a população com informações que não sejam embasadas em vários estudos feitos com rigor metodológico”, afirma Maria Conceição do Rosário, professora adjunta do Departamento de Psiquiatria e coordenadora do Ambulatório de TDAH da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Eu nem toco nessa questão”, concorda Louzã, para quem os estudos que relacionam o transtorno à dieta são pequenos ou mal desenhados. Diversas entidades médicas, como o National Institutes of Mental Help, braço de psiquiatria dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, também informam que as pesquisas trazem resultados controversos e que, no máximo, alguns indivíduos reagem positivamente a alterações na dieta.

A verdade é que é muito difícil fazer um experimento de grandes proporções com crianças que devem consumir um cardápio restritivo por muito tempo. Se para um adulto resistir a tentações às vezes é impossível, imagine para um garoto que vai a festas de aniversário toda semana.

Hipótese dos aditivos

Um dos primeiros pesquisadores a relacionar o uso de corantes, aromatizantes artificiais e conservantes à hiperatividade foi o alergista e pediatra norte-americano Benjamin Feingold (1975). Mais tarde, outros trabalhos buscaram confirmar a tese. Um deles, publicado em 2011 na revista médica Lancet, testou o impacto de uma dieta livre de alimentos processados em 50 crianças na Holanda e na Bélgica durante cinco semanas. Outras 50 apenas receberam orientações sobre alimentação saudável.

Em busca de evidências

A conclusão da principal autora, Lidy Pelsser, foi que, para 64% das crianças diagnosticadas com TDAH, os sintomas podem ser fruto de uma hipersensibilidade a certas substâncias. Assim, uma dieta restritiva pode funcionar como tratamento. Em entrevistas concedidas na época, a pesquisadora disse que o transtorno chegou a desaparecer em alguns participantes, o que justificaria a tentativa de modificar a alimentação das crianças diagnosticadas.

Para a professora da Unifesp, um estudo com número tão pequeno de crianças e feito em apenas dois países não pode ser considerado uma verdade científica. “Fica muito difícil afirmar que as mudanças de comportamento foram secundárias à alteração da dieta ou ao fato de que os pais estavam mais atentos às crianças”, argumenta, ainda.

Já para profissionais que trabalham com alimentação, vale a pena fazer a tentativa antes de iniciar o tratamento com psicoestimulantes, que podem trazer efeitos colaterais como insônia, aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. “Sempre é melhor iniciar com nutrientes antes das drogas e sempre retirar o açúcar e farinhas refinadas. Embora ambos não provoquem TDAH, podem aumentar a glicose no sangue e sabemos que níveis estáveis de açúcar trazem benefícios ao cérebro”, defende o nutrólogo.

Para o médico, eliminar aditivos, corantes, conservantes e mesmo alimentos que provoquem resposta alérgica também é importante, já que esses itens poderiam funcionar como gatilhos para os sintomas do TDAH. “As dietas de eliminação apresentam sucesso de 58% a 82%, de acordo com pesquisas da Universidade de Columbia e do Instituto de Psiquiatria de Nova York”, menciona o nutrólogo.

Papel dos nutrientes

“Muita gente esquece que os neurotransmissores, que têm um papel fundamental nas doenças que envolvem o sistema nervoso, são feitos a partir de certos nutrientes”, enfatiza a nutricionista Denise Madi Carreiro, professora de Nutrição Clínica Funcional e autora de Alimentação de Distúrbios do Comportamento (Paulo S. Carneiro-editor), entre outros livros.

Ela, que ouviu um médico comparar a dieta de eliminação a esoterismo, conta que já presenciou melhora e até remissão de sintomas em pacientes que simplesmente seguiram um cardápio baseado em arroz, feijão, carne, frutas e vegetais. “As pessoas acham radical tirar da criança certos produtos, mas será que não é radical dar remédio sem antes tentar outras opções?” Ela ressalta que as mudanças não são para sempre: depois que o organismo recupera o equilíbrio, ele é capaz de lidar com o consumo eventual dos alimentos que lhe fazem mal.

SUPLEMENTOS SÃO ÚTEIS, MAS CUIDADO!

Os nutrientes que obtemos pela alimentação, como vitaminas e minerais, sempre são mais eficientes do que aqueles consumidos por suplementos ou multivitamínicos. Infelizmente, nem sempre é possível consumir tudo o que é preciso só por meio da dieta. Mas nem por isso as pessoas têm passe livre para comprar esses produtos na farmácia. "Ao contrário do que se imagina, não existe essa história de que 'mal não faz'", alerta a nutricionista Denise. A indicação deve ser feita depois de uma avaliação e da realização de exames. Como vitaminas e minerais interagem uns com os outros, o excesso de um pode levar à deficiência de outro e doses altas podem causar problemas graves de saúde.

Revista VivaSaúde - Edição 138



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