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Coco: saiba mais sobre os estudos relacionados à fruta

Publicado em 04 de Dec de 2017 por Kelly Miyazato | Comente!

O que é mito ou verdade sobre o coco que, apesar de rico em gordura, virou referência para quem quer manter a forma, apesar de opiniões controversas. Fique por dentro!



 

Coco: ssaiba mais sobre os estudos
relacionados à fruta

Não faz muito tempo, o coco e seus derivados perderam o caráter de alimentos proibitivos por seu conhecido teor de gordura. Primeiro foi a água, que se transformou no isotônico preferido das academias e ainda hoje mata a sede de quem teme o conteúdo calórico de certos sucos. Depois, foi a redenção do óleo extraído da fruta. Alguns estudos mostraram que, se associado a dietas de emagrecimento, ajudaria a diminuir a circunferência abdominal, além de trazer outros benefícios à saúde. Após a comunidade científica mudar seus conceitos sobre outros alimentos calóricos, como o abacate e chocolate amargo, uma reviravolta até não causaria surpresa, não fosse o óleo de coco um subproduto com 82% de gordura saturada.

Após a divulgação de uma pesquisa mostrando que a maioria dos norte-americanos acredita que o óleo de coco é saudável, a Associação Americana do Coração (AHA) decidiu se pronunciar sobre o caso, alertando para os riscos do alimento. E até a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) também se pronunciaram contra o óleo de coco.

  • Atenção à gordura saturada

A AHA recomenda que ninguém consuma mais do que 13 g de gordura saturada por dia a fim de evitar elevações no LDL e doenças cardiovasculares. Uma colher (sopa) de manteiga tem 7 g, o que dá uma folga para se comer um bife pequeno no almoço ou no jantar para chegar ao limite. Como uma colher de sopa de óleo de coco tem 11 g, seria preciso abrir mão da carne e de outras possíveis fontes de gordura  saturada para usufruir da gordura de forma mais segura. A reação de muitos consumidores que não tinham informações completas sobre o óleo de coco, claro, foi de raiva. Afinal, como um alimento com teor de gordura saturada maior que o da manteiga estava sendo recomendado como coadjuvante no emagrecimento? E por que tantos vilões se transformam em heróis e vice-versa quando se trata de nutrição?

  • Ciência não é bolinho

A resposta não é simples. Estudos de larga escala e de longo prazo para determinar os efeitos de nutrientes específicos na prevenção de doenças são difíceis de serem conduzidos, porque ninguém é capaz de comer a mesma coisa todo dia, por meses ou anos. Como é complicado isolar voluntários num laboratório, os pesquisadores devem se basear em diários alimentares, que nem sempre são fiéis.

Para piorar, cada pessoa ainda reage de uma maneira aos nutrientes. Assim, ainda que alguns estudos de qualidade apontem para uma direção, é preciso esperar que outras pesquisas sejam feitas para confirmar uma tese. Por último, ainda é preciso que os pesquisadores revisem tudo o que existe na literatura sobre determinado assunto, somem os resultados positivos, subtraiam os negativos ou suspeitos, e publiquem nova conclusão. É a partir dessas descobertas mais robustas que a medicina baseada em evidências guia suas recomendações à população.

  • Gordura de cadeia média

O atual presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Marcus Malachias, comenta que a produção de óleo de coco, há alguns anos, tinha sido quase que toda direcionada para a indústria de sabão, assim como a banha de porco. Essas fontes de gordura, usadas por nossos avós, deixaram de ser consideradas saudáveis com base nos inúmeros estudos que associavam LDL elevado a eventos cardiovasculares. “Antigamente, as pessoas morriam de fome; hoje é o contrário; todo alimento é bem-vindo [contra a fome], mas havendo uma opção mais saudável, a gente deve priorizar”, afirma o médico.

Malachias reforça a mensagem da AHA em favor dos óleos ricos em gordura mono ou poli-insaturadas. “Sem contar que o óleo de coco é muito mais caro”, diz e com razão: 500 ml da versão extravirgem pode custar até dez vezes mais que um frasco de 900 ml do óleo de soja, considerado uma opção saudável. Um dos atributos que trouxe o óleo de coco aos holofotes é a presença de grande quantidade de triglicerídeos de cadeia média (TCM).

 “Todos os triglicerídeos (termo técnico para óleo ou gordura) são constituídos por uma molécula de glicerol e três ácidos graxos, sendo que a maioria dos óleos e gorduras presentes em nossa dieta alimentar é composta por ácidos graxos de cadeia longa, com 14 a 22 carbonos. Já os ácidos graxos de cadeia curta possuem menos de 6 átomos de carbono. E os ácidos graxos de cadeia média, por sua vez, de 6 a 12 átomos de carbono”, ensina a engenheira química Raquel Ibsch, especializada em processamento de alimentos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Óleos & Gorduras (SBOG).

  • Efeito antibarriga

Em outras palavras, nem toda gordura saturada é igual. “Por apresentarem cadeia carbônica mais curta, os triglicerídeos de cadeia média são rapidamente absorvidos e metabolizados”, acrescenta a nutricionista Nayara Massunaga, membro do departamento científico da VP Centro de Nutrição Funcional (SP). Dessa forma, esses triglicerídeos seriam logo convertidos em energia e, assim, a probabilidade de se acumularem no fígado ou em volta da cintura seria menor.

Vários trabalhos científicos já sugeriram que os TCM podem dar uma força para combater a obesidade abdominal. Pesquisadores da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), por exemplo, compararam os efeitos de 30 ml diários de óleo de coco ou a mesma quantidade de óleo de soja em 40 mulheres que seguiram uma dieta hipocalórica, com um teor mais baixo de carboidratos, e caminharam 50 minutos por dia ao longo de 12 semanas. Os índices de massa corporal (IMC) se reduziram nos dois grupos, mas apenas as mulheres que receberam óleo de coco tiveram redução da circunferência abdominal. Os dados foram publicados no periódico Lipids.

“É possível observarmos diversos trabalhos que apontam este benefício na literatura científica. No entanto, são estudos realizados com poder estatístico reduzido, em muitos casos, e com tempo de utilização curto – dado que não permite conclusões sobre o uso crônico”, opina Nayara. Um grupo de pesquisadores do Instituto de Química da Nova Zelândia, que revisou 21 estudos, ponderou, no periódico Nutrition reviews, que muitos deles envolvem padrões não aplicáveis ao estilo de vida ocidental.

  • Evidências contrárias

Trabalhos mais recentes também trouxeram resultados nulos. O documento divulgado pela AHA até cita uma pesquisa brasileira, da Universidade Federal de Viçosa, publicada no European Journal of Nutrition, que também não encontrou benefícios na ingestão do produto no café da manhã por 15 mulheres com sobrepeso. “Em resumo, não há evidências científicas suficientes para concluir que o consumo de óleo de coco leva à redução de gordura corporal”, considera Raquel.

A própria Abran já havia publicado, no início de 2017, um documento para chamar a atenção para a ausência de estudos bem controlados com óleo de coco em humanos, recomendando que o alimento não fosse prescrito como preventivo ou remédio contra a obesidade ou outras doenças para as quais o óleo de coco está sendo estudado, como transtornos neurodegenerativos.

  • Aposte na moderação

As polêmicas sobre o óleo de coco não devem acabar tão cedo, porque há um crescente movimento contrário aos limites impostos a esses macronutrientes, que levaram a população a abusar dos carboidratos.

Enquanto o senso comum e as fontes desta reportagem lembram que, acima de tudo, é preciso evitar as frituras, pela formação de compostos tóxicos e redução de componentes bioativos dos óleos vegetais utilizados, o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard, autor principal do documento da AHA contra o óleo de coco, diz que frituras de imersão não fazem mal à saúde, se feitas com gordura insaturada. Prova de que as pessoas ainda vão ouvir muitas vozes dissonantes no que se refere à dieta. Na dúvida, caro leitor, aposte na moderação.

 

*Quer saber tudo sobre os mitos e verdades do coco? Basta ir até a banca mais próxima ou, se preferir, peça já a sua edição pelo site → http://bit.ly/2Bprwyc.

 

*Por Tatiana Pronin | Foto Marcelo Resende | Produção Janaina Resende | Fonte EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) | Adaptação Kelly Miyazzato.

 

Revista VivaSaúde | Ed. 175

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