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Tudo sobre a dieta alcalina

Publicado em 27 de Jul de 2015 por Marília Alencar | Comente!

Famosa entre as celebridades em Hollywood, esta corrente defende a ideia de que alimentos que estimulam a acidez prejudicam a absorção de nutrientes e a eliminação de toxinas, causando doenças



Texto Tatiana Pronin / Foto: Shutterstock 

Dieta alcalina

(Foto: Shutterstock)

Você lembra o que significa pH, ou potencial hidrogeniônico? Ainda que tenha se esquecido das aulas de química, deve lembrar que esse índice determina se algo é ácido, neutro ou alcalino. Esse conceito é o ponto de partida da dieta alcalina, um programa alimentar que ficou famoso entre algumas celebridades de Hollywood. Tudo começou quando a cantora e atriz Victoria Beckham disse que adorava as receitas do livro Honestly Healthy - Eat with your body in mind, the alkaline way [“Alimentos Para o Bem-Estar - Restabeleça o equilíbrio e melhore a saúde com a dieta alcalina”, na versão em português], que a chef e também celebridade Natasha Corrett escreveu em parceria com a nutricionista Vicki Edgson.

Alimentos industrializados

Vale dizer que o modismo não surgiu do nada. Vários cientistas têm se debruçado, nos últimos anos, sobre o efeito que uma alimentação mais ácida, comum no mundo industrializado, tem sobre o corpo e a saúde das pessoas. Você já deve ter ouvido falar que os refrigerantes de cola têm um pH de 2,5, o que é extremamente ácido, não é? O conceito de maior destaque da dieta alcalina é que a alimentação rica em açúcar, aditivos químicos, amido, farinha branca, laticínios e carne vermelha do mundo moderno tem colaborado para acidificar nosso sangue. Isso dificultaria a absorção de nutrientes e a eliminação de toxinas, gerando inflamação e predispondo o organismo a doenças, como excesso de peso, osteoporose, pedras nos rins, câncer, dores nas costas, diabetes do tipo 2, problemas cardiovasculares e de memória.

Eliminação eficiente

“O organismo funciona melhor em um pH levemente alcalino, entre 7,3 e 7,4. Nessa faixa, a absorção de nutrientes e a eliminação de toxinas é mais eficiente”, explica a nutricionista funcional Helouse Odebrecht (SC). “Essas toxinas aumentam a produção de células cancerígenas e têm relação com a osteoporose, pois, no meio ácido, o corpo não consegue absorver o cálcio para os ossos”, acrescenta a profissional, citando apenas algumas consequências da acidificação promovida pelo consumo excessivo de itens industrializados. Claro que não dá para eliminar os ácidos do cardápio completamente, até porque existem produtos naturais e nutritivos com esse efeito no organismo. A proporção sugerida, segundo Helouse, é 70% de alcalinos e 30% de ácidos. Estabelecer esse equilíbrio sem ajuda deum especialista não é nada fácil. Até porque não dá para fazer escolhas levando em conta o sabor dos alimentos. Todo mundo acha que o limão é extremamente ácido, mas essa fruta, assim como a laranja e o abacaxi, estimulam a alcalinidade, segundo a profissional. Tanto que muitos defensores da dieta seguem a antiga receita do copo com suco de limão todo dia em jejum.

“O importante, mesmo, é eliminar produtos industrializados, como congelados, comida pronta, farinha branca, açúcar, refrigerante e leite e derivados em excesso”, resume a nutricionista. E caprichar no consumo de frutas e vegetais. “Uma alimentação alcalina tem o mesmo princípio e objetivo da alimentação baseada na medicina chinesa tradicional, ou seja, seguir uma alimentação menos ácida para restaurar o equilíbrio do pH sanguíneo”, compara a nutricionista funcional Mariana Duro (SP). 

E o seu pH, como é?

As especialistas contam que o excesso de ácido no organismo pode ser constatado por meio de um exame de urina. O resultado, somado aos dados clínicos do paciente, hábitos de vida e consumo alimentar relatado, dão uma ideia do cenário a ser reequilibrado coma dieta. “Uma acidez sanguínea pode se refletir na diminuição de absorção de diversas vitaminas e minerais, além de um desequilíbrio enzimático, hormonal e de imunidade. Dessa forma, pessoas que estejam com um pH mais ácido podem apresentar cansaço, maior potencial inflamatório, dificuldade de recuperação muscular pós-treino, queda de cabelo, maior aparecimento de infecções do trato respiratório (rinite e sinusite, por exemplo), alteração de peso e menor capacidade de concentração”, ilustra Mariana.

 “O mecanismo ácido-base do organismo é altamente complexo”, comenta o nutrólogo José Alves Lara Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). “Se você toma um antiácido, que é alcalino, imediatamente seu organismo enxerga aquilo como inadequado emanda produzir mais ácido”, diz o médico. É por isso que quem sofre de gastrite não deve abusar desses produtos, e nem mesmo do leite. O nutrólogo Lara Neto acreditaque a dieta alcalina não passa de modismo.O especialista diz não entender como seus defensores liberam o consumo de abacaxi, lentilha e cebola, por exemplo, que possuem ácido na composição nutricional.

Restrição láctea

Lara Neto também critica a restrição aos lácteos, uma vez que cada vez mais estudos têm revelado os benefícios dos probióticos, presentes nesses produtos. No entanto, ele concorda que restringir produtos refinados e industrializados, assim como gordura saturada e açúcar, só pode trazer benefícios. E não tem contraindicação. “Esses itens não necessariamente desequilibram o pH, mas levam a um desequilíbrio metabólico”, avisa.

Foco da dieta na saúde

Embora a dieta alcalina seja fundamentada em conceitos científicos, ainda não existem trabalhos com grande número de pessoas e controlados cientificamente que comprovemos benefícios desse programa alimentar para a saúde ou o emagrecimento. Por isso, muitos especialistas preferem apostar em planos que já foram referendados por médicos. Uma opção é a Dash (Abordagem Dietética para prevenir a hipertensão), desenvolvida por pesquisadores norte-americanos. O princípio é caprichar nas frutas e hortaliças (de oito a dez porções ao dia), consumir carnes magras e peixes moderadamente, evitar sal, açúcar e molhos prontos, bem como gordura saturada e farinha refinada. Também recomenda-se a ingestão de duas ou três porções de laticínios desnatados ou semidesnatados ao dia. Rica em fibras, cálcio, potássio e magnésio, a Dash reduz em 14% o desenvolvimento da hipertensão. 

Outra dieta que vem sendo cada vez mais bem avaliada em estudos científicos é a mediterrânea, baseada em frutas, legumes, peixes oleosos, nozes, castanhas e azeite de oliva. Para citar só um exemplo, uma pesquisa apresentada no início do ano da Sessão Científica Anual de Cardiologia da American College, em San Diego, nos EUA, mostrou que essa cultura alimentar reduz o risco de doenças cardíacas quase pela metade ao longo de um período de dez anos. A avaliação de mais de 2,5 mil adultos gregos mostrou que a dieta faz bem para pessoas e todas as faixas etárias, saudáveis ou com problemas de saúde.

Revista VivaSaúde / Edição 146



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