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Dieta com ação antidepressiva

Publicado em 05 de Oct de 2015 por Marília Alencar | Comente!

O que se come interfere na saúde mental, e escolhas certas às refeições afastam a enfermidade que acomete quase 8% da população mundial



Texto Priscila Pegatin / Foto: Shutterstock 

Dieta antidepressiva

(Foto: Shutterstock) 

O mundo está mais acinzentado para quase 8% da população mundial, cerca de 400 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de cor, nesse caso, é resultado da depressão. Por causa da doença esses pacientes convivem com a ausência de vitalidade e de energia para realizar tarefas diárias comuns, e muitas vezes, ainda são acometidos por sinais físicos, como aperto no peito, nervosismo, tristeza e mau humor. Apesar de ser apontada, por algumas pessoas, como uma situação passageira, a depressão é um assunto sério e pode ter causa biológica, psicológica ou ambiental. Para tratar é indicado a psicoterapia e o uso de medicamentos, caso for orientado pelo médico. Porém, também tem real importância a escolha do cardápio. Certos alimentos, ou a falta deles, podem afetar o bom funcionamento do cérebro. “Há estudos que apontam a relação entre carências na alimentação e depressão”, ressalta a nutróloga Maria Del Rosario Zariategui de Alonso (Florianópolis-SC)e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN-SP). Assim, especialistas ajudaram a VivaSaúde na escolha de ingredientes, que estão no decorrer da matéria, que irão te auxiliar no tratamento e na melhor dos sintomas. 

Raios X da doença

A depressão é diferente da tristeza e do desânimo do dia a dia. “Ela prejudica muito a capacidade de a pessoa trabalhar e se relacionar com os outros, assim como altera ciclos biológicos como sono e apetite”, explica Marco Abud, psiquiatra (SP). “Se não houver tratamento, esse episódio pode durar de quatro meses até dois anos. É fundamental procurar ajuda o mais rápido possível”, acrescenta. Entre as modalidades de tratamento, o medicamento é apenas uma delas. “Quando os sintomas não atrapalham as atividades cotidianas, em geral indicam-se psicoterapia, atividade física, mudanças de rotina e meditação”, diz Abud.“Entretanto, quando há sintomas físicos, como alterações de memória, sono e apetite, são necessárias medicações antidepressivasou outras estratégias, como a estimulação magnética transcraniana (que estimula as funções cerebrais)”.

Tratamento comum

Em todos os casos apenas uma modalidade de tratamento é a mesma, e essa está ligada ao cardápio. “A alimentação pode contribuir para tratar a depressão, já que muitos alimentos estimulam a produção dos neurotransmissores responsáveis pelo prazer, pelo bem-estar e pela euforia, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina”, alerta Abud.

Manter a máquina funcionando

O cérebro é o órgão mais exigente do nosso organismo. Ele consome de 20% a 25% da taxa metabólica corporal total. Dessa forma,ter uma dieta balanceada é fundamental para seu funcionamento. “Uma alimentação saudável e adequada pode prevenir e tratar a doença”, explica a nutróloga Maria Del Rosario. “Mas essa dieta deve ser adequada conforme a idade, o sexo, o momento evolutivo, a atividade física e o trabalho que cada pessoa realiza, assim como devem ser consideradas intolerâncias alimentares. ”É possível por meio de alimentos-chave melhorar os sintomas. “Pesquisas mostram níveis mais baixos dos ácidos graxosômega-3 em pacientes com depressão”, exemplifica a nutróloga. Na prática, cada indivíduo deve ter uma dieta variada, colorida, natural e em quantidades adequadas às suas necessidades. “A nossa recomendação destaca os principais grupos de alimentos, reforçando que a maioria da população brasileira ainda não consome essas indicações”, explica Nágila Raquel Teixeira Damasceno, especializada em nutrição e professora da Faculdade de Saúde Públicada Universidade de São Paulo (FSP-USP).

Só a alimentação não basta

Sempre que um paciente não atinge as necessidades calóricas e nutricionais com a dieta, recomenda-se a suplementação. “São suplementos hipercalóricos e hiperproteicos, mas eles devem ser estimulados também a usar suplementos de minerais e vitaminas”, fala Nágila Raquel Teixeira Damascena, doutoraem nutrição. A quantidade é individual e considera a idade, o sexo e as condições de saúde.“Mas nesse caso o paciente deve ser estimulado a readquirir hábitos alimentares saudáveis e a consumir um cardápio variado e quantidade adequada às suas necessidades”, finaliza.

Revista VivaSaúde / Edição 148



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