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Alimentos que devem estar à mesa de quem tem a doença de Parkinson

Publicado em 11 de Apr de 2016 por Kelly Miyazato | Comente!

Aposte em um cardápio equilibrado com alimentos que podem ajudar a combater os efeitos colaterais do tratamento de quem tem Parkinson



 

Saiba mais sobre os alimentos que devem estar à mesa
de quem tem a doença de Parkinson

A dieta é bem fundamental para se ter qualidade de vida. Esse princípio também vale para quem tem a doença de Parkinson. Não, ainda não há estudos que comprovem que algum nutriente possa resolver o problema, que, aliás, nem tem cura atualmente. No entanto, ela pode ajudar (e muito!) na convivência do paciente com a doença. “É fundamental ter cuidados alimentares direcionados, como o objetivo do controle de alterações decorrentes da doença relacionados ao estado nutricional”, ressalta a nutróloga Valéria Goulart, docente de Nutrologia Esportiva da Universidade Federal de São Paulo(Unifesp) e coordenadora na Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

A doença de Parkinson é um transtorno neurológico crônico que afeta o cérebro e, com isso, os movimentos. “O quadro provoca alterações motoras como lentificação de movimentos, tremor de repouso, desequilíbrio, alteração da marcha e rigidez muscular. Além desses sintomas mais evidentes, podem ocorrer: alteração da letra (micrografia), redução do olfato, alteração intestinal e quadros depressivos, além de transtornos peculiares de sono”, enumera o neurologista Leandro Teles, membro efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

  • Condição crônica

O tratamento hoje é feito basicamente com medicação. “Os remédios são aliados à fisioterapia neurológica, que é especializada para esses casos. Existem diversos medicamentos liberados no Brasil e dados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em casos selecionados existe a possibilidade de cirurgia com implantação de eletrodo para estimulação cerebral profunda”, explica o especialista. No entanto, isso não impede que a doença progrida, apenas torna sua evolução mais lenta. Como esta é uma condição crônica, ou seja, o paciente terá que conviver com ela, uma alimentação adequada pode ajudar em diversos aspectos. Veja os principais deles a seguir:

  • Os estágios da doença

A doença de Parkinson deve ser tratada precocemente, para que demore mais tempo para alcançar seus estágios finais. “A despeito do tratamento sintomático, a doença progride lentamente e ajustes e seguimento especializados são necessários para todos os casos com esse diagnóstico”, revela o neurologista Leandro Teles. Veja a seguir as características de cada fase da doença:

Confira os estágios da doença de Parkinson 

Interações medicamentosas
Os medicamentos usados para o Parkinson são fortes e alguns podem reagir mal com os alimentos. É o caso da substância levodopa, um dos principais remédios para quem tem esse quadro. “As proteínas competem com ela em sua absorção e não devem ser ingeridas juntamente com os medicamentos, para não reduzir sua eficácia”, ressalta o nutrólogo Miguel Curto, membro da ABRAN. Isso ocorre porque tanto no cérebro quanto no intestino a levodopa e a proteína são absorvidas na mesma área e simultaneamente, sendo possível apenas absorver uma de cada vez. Na competição, normalmente a proteína sai ganhando.

O ideal, portanto, é evitar consumir itens como carnes, ovos e laticínios em horários próximos à ingestão do medicamento. Algumas verduras possuem boas quantidades desse nutriente também, mas podem ser consumidas. “Com os cuidados com as proteínas, podemos estimular o consumo de cenoura, brócolis, alface romana, aspargos, bananas e, diariamente, vegetais crus”, descreve o especialista.

Além disso, o medicamento pode causar problemas digestivos: “em muitas vezes o medicamento levodopa pode dar náuseas, sendo aconselhado tomá-lo com sucos de frutas, ou frutas in natura ou com bolachas tipo água e sal”, ensina a nutróloga Valéria.

No entanto, é preciso que o paciente consuma muito cálcio, pois a saúde de seus ossos também fica fragilizada. “Vegetais verde-escuros podem suplementar essa ausência: um copo de suco concentrado de couve contém, aproximadamente, a mesma quantidade de cálcio que um copo de leite”, compara Curto.

Trânsito desempedido
“O Parkinson pode se associar a intestino mais preso. Portanto, consuma alimentos laxativos e evite itens constipantes”, explica o neurologista Teles. A relação acontece devido a um efeito colateral da medicação e também aos danos de movimentos que a doença causa. O ideal é investir em uma dieta que evite o problema, até porque ele pode impedir também a absorção completa da levodopa, já que esta acaba sendo convertida em dopamina antes de chegar ao cérebro.

A nutricionista Fabiana Honda (SP) indica alimentos ricos em fibras, como frutas, vegetais e cereais integrais, desde que aliados ao alto consumo de água, para que as fibras não causem o efeito reverso, aumentando a constipação intestinal. Além disso, itens como leguminosas frescas e secas (feijão, grão-de-bico, fava, lentilha), sucos de frutas como laranja, tangerina, abacaxi, maracujá (sem coar) e leite e derivados, principalmente batidos com frutas e mel, também ajudam a tornar o intestino menos lento.

Emagrecimento sob controle

É comum que os pacientes com Parkinson vivenciem perda de peso. “O corpo gasta muita energia devido aos movimentos involuntários frequentes e à rigidez dos músculos. Outros fatores que contribuem para o emagrecimento são problemas de mastigação, diminuição da capacidade de sentir prazer no ato de se alimentar, problemas na deglutição, depressão, distúrbios sensoriais do olfato e do paladar, uso de medicamentos que alteram a absorção de nutrientes pelo intestino, náuseas e vômitos devido a efeitos colaterais dos medicamentos...”, lista a nutróloga Valéria.

Nesses casos é preciso buscar orientação de um nutrólogo ou nutricionista para uma dieta que traga mais calorias, mas que também seja rica em nutrientes e não interfira nos medicamentos de uso diário.

“É ideal fazer ingestão de alimentos à base de carboidratos, por serem fontes excelentes de energia, como massas (pães, bolos, bolachas, biscoitos), mingaus de aveia, podendo ser acrescentados frutas e mel, arroz com feijão, macarrão, batatas, iogurtes e leite integral enriquecido com achocolatado, farinha láctea ou outros suplementos hipercalóricos, entre outros”, ensina a especialista.

  • Nutrientes campeões

Já vimos que uma série de nutrientes pode ajudar na saúde de quem tem esse problema. No topo dessa lista estão os antioxidantes, que combatem a ação dos radicais livres no organismo. “O estresse oxidativo está associado ao envelhecimento e ao Parkinson. Alimentos ricos em antioxidantes incluem frutas, vegetais, castanhas, cacau e peixes ricos em ômega 3, por exemplo”, lista a nutricionista Fabiana.

Outro nutriente importante é a vitamina D, que precisa do sol para se sintetizar no organismo e que costuma ser deficiente em pessoas que vivem em grandes cidades. “A vitamina D também tem sido estudada por sua ação anti-inflamatória e por aumentar o brain-derived neurotrophic fator, que seria como um hormônio de crescimento para os neurônios”, explica a nutricionista.

Além disso, a coenzima Q10, uma substância que é produzida naturalmente no organismo, parece ajudar pessoas com Parkinson em estágio inicial. “Um estudo publicado na revista científica European Neurology em 2015 mostrou que a suplementação de creatina associada com coenzima Q10 levou a benefícios em pessoas com leve declínio cognitivo. Mas os estudos não são conclusivos”, finaliza a especialista.

  • Coloque todo o seu conhecimento em prática!

Quer ver como é fácil aplicar as dicas desta matéria? Confira um cardápio de dois dias indicado pela nutricionista Fabiana Honda.

 

*Por Natasha Franco | Adaptação Kelly Miyazzato.

 

 

Revista VivaSaúde | Ed. 156

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