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Alimento que afasta a dengue

Publicado em 04 de Aug de 2015 por Marília Alencar | Comente!

Suco de inhame tem fama de protetor da patologia. Porém, especialistas explicam qual a verdadeira relação do que você come com o risco dessa doença e outras transmitidas pelo mosquito



Texto Priscila Pegatin / Foto: Shutterstock 

Inhame

(Foto: Shutterstock)

Nos primeiros quatro meses de 2015, mais de 745 mil pessoas foram diagnosticadas com dengue no Brasil (dados do Ministério da Saúde). No mundo, são 100 milhões de infectados anuais, de acordo coma Organização Mundial da Saúde (OMS). Para controlar as epidemias, além das recomendações das autoridades para eliminar os criadouros do Aedes aegypti, se espalham as recomendações com receitas caseiras, para prevenir e tratar a doença. Mas cuidado, nem sempre a dica é verídica e em alguns casos pode até ser prejudicial à saúde. Para saber qual a melhor forma de prevenção, a VivaSaúde conversou com especialistas no assunto que relatam o que é verdade e o que é mito sobre a alimentação e o risco de dengue

 Suco de inhame

A bebida ganhou a fama de protetora contra a doença em razão das propriedades medicinais do inhame: melhora o sistema imunológico, a qualidade do sangue e mantém a boa flora intestinal. Com isso, ao ser ingerido faria com que a pele humana exalasse um cheiro capaz de afastar a fêmea do mosquito, já que ela é atraída pelo odor. Esse mesmo atributo levou as pessoas a crerem que o uso do suplemento vitamínico B e do alho fossem benéficos. “Entretanto, para que essas substâncias tivessem esse efeito, o consumo deveria ser excessivo e, na forma suplementada, o que não é recomendado. Afinal, não existem estudos científicos comprovando sua recomendação”, alerta Sula de Camargo, nutricionista e consultora da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).

Guerra ao mosquito

Paulo César Giorelli, nutrólogo e vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), acrescenta que “é preciso deixar claro que a forma mais correta de evitarmos a dengue é tomarmos todas as medidas sanitárias para evitar a proliferação do mosquito”. Para quem resolve adotar uma dieta que priorize esses nutrientes, Sula enumera os efeitos colaterais que podem surgir. “No organismo pode haver lesão hepática, distúrbios cutâneos, gota, irritação gástrica, úlcera, neurite, redução da tolerância à glicose, risco de hemorragia, alterações hormonais e aumento da frequência de crises convulsivas em indivíduos epilépticos”.

Quando o alimento ajuda

O segredo, então, é uma alimentação balanceada e saudável, com frutas, verduras e legumes, além de carnes magras e sem pele, no caso do frango. “Uma vez infectadas pelo mosquito, as pessoas que estiverem com carências nutricionais irão responder à doença de forma muito pior que os indivíduos que estiverem saudáveis”, diz Giorelli. “Por exemplo, a carência de vitaminas do complexo B irá fazer nosso organismo reagir pobremente à doença. E se estivermos nos alimentando de forma indevida acabaremosmais indefesos.” Além da alimentação é importante manter uma hidratação adequada, bebendo água em abundância. Ao receber o diagnóstico da patologia, além do repouso indicado pelo médico, os nutrientes que você ingere podem ajudar no tratamento da doença. Mesmo com a falta de apetite e náuseas, sintomas comuns da enfermidade, é preciso se alimentar a cada duas a três horas. “O volume de comida deve ser pequeno. E evite temperaturas extremas”, explica a nutricionista Sula.

Mosquito da dengue

(Foto: Shutterstock)

Como balancear o cardápio

O cardápio deve ser balanceado, com carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e fibras. A dica é não deixar faltar o consumo de vitamina K, encontrada nos vegetais folhosos verde-escuros. Priorize o preparo à base de óleos vegetais. Inclua na dieta frutas como o kiwi, o abacate, a ameixa e o figo. “Porém, atenção: eles não vão evitar a hemorragia, mas vão atuar como coadjuvantes na redução do risco. E seu consumo também deve ser moderado, nada deve ser em excesso”, ressalta Sula.

Fique longe deles

Apesar de não existir nenhum alimento que, sozinho, consiga prevenir a doença, há nutrientes em que os excessos devem ser evitados. Um estudo da Asbran aponta alguns alimentos, ricos em salicilatos (ácidos alicílico) e de ação antitrombótica, que devem ser evitados enquanto o paciente estiver com dengue.

“Os alimentos ricos em salicilatos são: abricó, amêndoa, amora, batata, cereja, pepino, limão, maçã, melão, morango, nectarina, nozes, passas, pêssego, pimenta, tangerina, tomate e uva. Já os antitrombóticos são: alho, cebola e gengibre”, diz a nutricionista Sula. “Evite as comidas industrializadas e o fast-food”, acrescenta a especialista. O consumo de bebida alcoólica também deve ser evitado, pois inibe o hormônio antidiurético (ADH), contribuindo para o quadro de desidratação. E lembre-se, assim como não existem alimentos que previnem a dengue, não existem, ainda, medicamentos específicos capazes de prevenir e tratar a doença, por isso siga as prescrições indicadas pelo seu médico e fique atento às condições sanitárias de sua casa e de seu bairro. Por ora, é assim que se previne a dengue.

Revista VivaSaúde / Edição 146



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