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Conheça o medicamento que promete acabar com os sintomas da doença de Crohn

Publicado em 13 de Nov de 2017 por Ana Carolina Gabriel | Comente!

O Advances in Inflammatory Bowel Diseases (AIBD 2017), congresso que reúne especialistas em doenças inflamatórias do intestino de todo o mundo, tem como tema principal estratégias de tratamento multidisciplinares. Confira!



Por Cristina Almeida* | Fotos Shutterstock e Divulgação

O que a doença de Crohn tem em comum com a história dos navegantes portugueses? Tanto o médico gastroenterologista como o navegador têm informações básicas sobre a “viagem”, sobre os meios de transporte, bem como sobre o destino que desejam chegar. O que eles não sabem é o tipo de respostas que o mar e os pacientes podem apresentar.  No caso dos médicos, o desafio pode ser ainda maior, pois cada paciente é único.

De olho no avanço dos tratamentos cada vez mais personalizados, o congresso que reúne especialistas em doenças inflamatórias do intestino de todo o mundo, o Advances in Inflammatory Bowel Diseases (AIBD 2017), em andamento na cidade de Orlando, na Flórida, tem como tema principal estratégias de tratamento multidisciplinares. A ordem é trazer de volta a qualidade de vida para quem sofre com essas enfermidades, cujos sintomas têm forte impacto no cotidiano.


No caso dos pacientes que têm a doença de Crohn e apresentam sintomas mais intensos, falharam ou foram intolerantes às terapias convencionais (corticoides ou imunossupressores e biológicos), a novidade é a aprovação, no Brasil, de mais uma opção terapêutica –  um medicamento biológico, o ustequinumabe (nome comercial Stelara, da farmacêutica Janssen), que promete aliviar sintomas rapidamente e por um longo período de tempo.


Vias fechadas para a doença
Em uma aula especial dedicada à comunidade médica brasileira, a gastroenterologista Cristina Flores, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (HCPA-UFRS), um dos centros de pesquisa que participaram do ensaio clínico sobre o fármaco, apresentou os resultados dos estudos UNITI-1 e 2, que avaliaram 1.300 pacientes que não tinham tido sucesso com uma prévia terapia biológica ou não tinham sido submetidos a essa terapia (bloquedores de TNF). 



Indagada sobre o mecanismo de ação dessa nova terapia, ela explicou: “Imagine uma estrada que leva à doença. Cada paciente vai ter uma das vias que levam a esse destino mais utilizadas. Os biológicos anteriores usavam apenas uma pista TNF, mas outras pistas, importantes, não estavam bloqueadas. O novo medicamento bloqueia essas pistas” – exatamente aquelas que estavam ativando a doença.   


O ustequinumabe é o primeiro e único biológico disponível no país, a partir de dezembro de 2017, que inibe a atividade das interleucinas 12 e 23 (as pistas), interrompendo a atividade inflamatória em pontos diferentes da resposta imunológica, quando comparado às outras terapias. Ainda não se sabe o custo do tratamento, mas é possível que haja cobertura nos convênios.

Esperança para o futuro
A doença de Crohn é doença crônica que afeta o trato gastrointestinal, ainda não tem cura e os sintomas têm um forte impacto na vida diária do paciente – destacando-se as diarreias, que podem se repetir por mais de 20 vezes ao dia.  

A nova terapia se apresenta como mais uma ferramenta disponível para que os médicos possam adaptar o tratamento às necessidades de cada paciente (a doença varia em cada organismo) e representa uma esperança da melhora da qualidade de vida que, segundo a médica Flores, é mais afetada no âmbito social. “Os pacientes relatam que quando precisam sair, ficam imaginando se este local terá um banheiro próximo para o caso de precisarem usá-lo”, relata. 

*Cristina Almeida viajou a Orlando (Flórida) a convite da Janssen




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