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Câncer de estômago: descubra porque o acompanhamento médico pode aumentar a chance de cura da doença

Publicado em 11 de Sep de 2017 por Kelly Miyazato | Comente!

Você sabia? A visita regular ao médico e atenção a sintomas elevam a chance de cura do câncer de estômago. Por isso, sinais como náuseas, perda do apetite, empachamento, dor e queimação, não devem ser ignoradas. Fique atento!



 

O gastroenterologista  Guilherme Kappaz fala
sobre as chances de sucesso do tratamento
de câncer de estômago: elas aumentam
com visitas regulares ao médico

A comunidade científica já comemora um dado sobre o câncer de estômago: há uma redução global de sua incidência. Apesar disso, ele persiste e ainda é frequente. Para se ter uma ideia, esse tumor é o 6º tipo mais comum e a 4ª causa de mortalidade entre os cânceres malignos. E como é que ele chegou a essa classificação? Bem, o estilo de vida moderno influencia muito a saúde gástrica. Por exemplo, se nos mantivermos obesos, adotarmos uma vida sedentária e uma dieta fast-food e gordurosa e, mais, se persistirem as condições inadequadas de infraestrutura sanitária em nosso país, é certo que continuaremos suscetíveis à enfermidade.

Para entender melhor esse quadro, precisamos antes conhecer mais sobre esse órgão. Você sabia que o estômago é dividido em quatro partes? Então, a cárdia é a parte superior; depois, temos o fundo gástrico e o corpo, que representam o setor intermediário. Por fim, há o antro, situado na junção com o duodeno, início do intestino delgado. Conhecer esses detalhes anatômicos é importante porque atualmente o câncer de estômago se divide em doenças distintas: a da parte superior do estômago (câncer da cárdia) e a do restante do órgão (não cárdia).

  • O efeito do hábito

Quanto aos fatores de risco, as enfermidades também divergem. O câncer da cárdia está associado à obesidade e ao refluxo (vincula-se a hábitos alimentares não saudáveis e ao sedentarismo). Já o câncer do restante do órgão tem como principal desencadeadora a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori).  Outras práticas, como a elevada ingestão de sal, de carne e de alimentos processados, o baixo consumo de frutas e vegetais, tabagismo, bem como o menor nível socioeconômico, também influenciam o quadro.

A infecção bacteriana geralmente se dá nos primeiros anos de vida em locais onde as condições sanitárias facilitam a contaminação de alimentos e da água. Como o H. Pylori sobrevive à acidez do estômago, ele afeta ou afetará 70% da população em algum momento da vida. Na maioria das vezes, não causará problemas; nos demais casos, levará à gastrite, à úlcera e ao câncer gástrico.

  • Resistência aos antibióticos

A essa altura do avanço científico, o tratamento do H. pylori é feito a partir dos consultórios médicos. Porém, tal facilidade gera resistência aos antibióticos, o que atrapalha o controle do próprio H. pylori e de outras bactérias. Além disso, para verificar o sucesso terapêutico, temos de realizar novo exame endoscópico, que é invasivo e requer sedação. Testes não invasivos para a detecção do micro-organismo, como o respiratório da urease, são raridade no país.

O que isso significa?  Ora, o diagnóstico tardio complica o tratamento e a sobrevida do paciente! No estágio inicial, o câncer não manifesta sintomas. Quando dá sinais como náuseas, perda do apetite, empachamento, dor e queimação, as pessoas negligenciam o fato e seguem a vida. A doença, então, pode evoluir rapidamente e as chances de cura caem. Nessa fase, os sintomas são mais evidentes: sangue nas fezes, vômitos, perda de peso repentina, dor e tumor palpável. 

  • Meta de cura possível

Dito isso, o que você precisa entender, leitor, é que este tipo de câncer é agressivo e necessita de diagnóstico precoce e tratamento adequado. No Brasil, as técnicas de diagnóstico avançaram muito, mas ainda não são acessíveis para todos, principalmente no sistema público de saúde. Ademais disso, infelizmente, a endoscopia só é recomendada para pessoas com sintomas gástricos após os 40 anos ou que tenham sinais sugestivos de outras doenças (gastrite e refluxo gastroesofágico) que não melhoram com o tratamento clínico.

Lamentavelmente, a cura desse câncer só é obtida em cerca de 20% dos pacientes em nosso meio. No Japão, onde a doença é comum, há uma campanha nacional de prevenção e diagnóstico precoce, obtendo-se até 70% de cura dos pacientes, pois o diagnóstico é feito antes que a maioria desenvolva os sintomas. No Brasil, por não ter a mesma incidência de casos que no Oriente e por se considerar um custo-benefício não tão vantajoso como para outras doenças mais frequentes, o rastreamento populacional ainda não é realizado.

 

*Texto: Guilherme Kappaz é gastroenterologista e coloproctologista, médico do serviço de Gastrocirurgia do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo e da Clínica GastroInclusive | Edição: Cristina Almeida | Foto: Divulgação | Adaptação: Kelly Miyazzato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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