Super Banner

Hábitos alimentares das crianças

Publicado em 08 de May de 2013 por Ana Paula Ferreira | Comente!

O exemplo dos familiares pode influenciar muito nos hábitos alimentares das crianças. Veja algumas atitudes que os pais podem tomar para melhorar a alimentação de seus filhos



Texto: Ivonete Lucirio / Foto: Shutterstock / Adaptação: Ana Paula Ferreira

Fique atento para que seu filho não se torne um pickeater, termo em inglês usado para designar

aquelas pessoas que escolhem demais os alimentos que vão comer. Foto: Shutterstock

Ok, aquela criança que esperneia no supermercado atrás de brócolis e cenoura é coisa de televisão. Mas, apesar de os vegetais não estarem entre os sonhos de consumo da maioria dos pequenos, eles devem fazer parte do cardápio desde a infância mais tenra. Afinal, é de pequeno que se torce o pepino. “É natural que, entre os 3 e 5 anos, a criança tenda a uma alimentação mais monótona, com muito arroz branco, macarrão (incluído o instantâneo), manteiga”, diz o pediatra e nutrólogo Fábio Ancona Lopez, da Universidade Federal de São Paulo. “Isso faz parte de um processo chamado neofobia, ou seja, medo do novo. Tudo o que é estranho causa medo. Imagine só a casca preta da berinjela! É assustadora”, brinca ele.

Seleção da alimentação

Essa fase, a da neofobia, é uma das mais cruciais para a formação da rotina alimentar. Se a situação não for bem administrada, o hábito ruim se mantém e a criança irá se tornar um pickeater, termo em inglês usado para designar aquelas pessoas que escolhem demais os alimentos que vão comer. Em português, seria comedor seletivo. “Além da má administração da situação, não há uma certeza do que faz a criança tornar-se ou não seletiva.  Os estudos mostram que aquelas que foram muito manipuladas ao nascer, como os prematuros que receberam medicação e introdução de sonda, apresentam uma tendência maior”, explica a nutricionista especializada em criança e adolescência Priscila Maximino, da Nutriciência (SP).

“Esse tipo de criança muitas vezes desenvolve alguma carência nutricional como anemia, por falta de ferro, ou desnutrição por falta de proteína”, comenta a pediatra Lilian Zaboto, coordenadora do departamento de obesidade infantil da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade (Abeso). Não é incomum esse quadro manter-se até a adolescência, quando a carência nutricional pode comprometer o crescimento, o desenvolvimento cognitivo. E não se surpreenda se o pickeater criança ou adolescente for um obeso, apesar de desnutrido. Os alimentos escolhidos muitas vezes são altamente calóricos. Mas podem também estar abaixo do peso, principalmente em idade escolar, se comparados com crianças com hábitos saudáveis. Muitas vezes elas pulam refeição, comem devagar e muito pouco.

Estratégia certeira

Há algumas atitudes que os pais ou cuidadores devem adotar principalmente dos 3 aos 5 anos para fazer com que a fase passe da forma mais normal possível. Primeiro, não deixar de oferecer alimentos variados, mesmo que a criança rejeite, uma, duas, três, quatro vezes, até dez vezes. Teste diferentes apresentações e texturas. Se ela não gosta de purê de batata, sirva assada. “Gostar é uma questão de hábito. O chinês não come gafanhoto? Então, ele se acostumou a isso desde cedo”, diz Fábio Ancona.

Exemplo da família

Pode parecer óbvio, mas o exemplo dentro de casa é tudo. A criança ou o adolescente precisam ver seus pais comendo alimentos saudáveis. E, muito importante: todas as refeições devem ser feitas à mesa, com todos juntos. “O namorado da minha filha tem 21 anos e só come carne. A família inteira dele não come arroz, feijão e legumes”, conta o nutrólogo Fábio Ancona. Mas ele lembra o mais importante de tudo: não brigar nem fazer drama no momento de comer.

“A hora das refeições não pode se transformar em uma batalha. O emocional não deve, de forma alguma, interferir. Ou o almoço e o jantar tornam-se uma guerra de poder e manipulação”, lembra ele. Quando se fala em criar um hábito alimentar saudável, não se trata apenas de uma força de expressão. “Somos muito permissivos com a alimentação. Quando a criança diz que não quer escovar o dente, a mãe não permite. Mas se não quer comer, isso vira uma questão muito maior do que é”, comenta a nutricionista Priscila Maximino.

O papel da mídia

A mídia estimula o consumo de alimentos rápidos, guloseimas e lanchinhos, muitas vezes com a venda associada a entrega de brindes ou brinquedos”, lembra Christiane Leite. No caso dos adolescentes, a exposição é maior ainda e essa dificuldade soma-se à razoável independência recém-adquirida. Mas se desde pequeno teve uma alimentação adequada e vê constantemente o bom exemplo em casa, fica mais fácil manter uma alimentação saudável, ainda que com pequenos escorregões de vez em quando.  Mesmo que você ache que fez tudo errado — e não fez, fique tranquila, é comum perder-se tentando acertar — é possível reverter o mau hábito, seja da criança, seja do adolescente. 

 



COMENTE!