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Cuidados necessários na gravidez de gêmeos

Publicado em 07 de May de 2015 por Leticia Maciel | Comente!

Quando a gravidez é em dose dupla, a observação e os cuidados são maiores! Veja como cuidar da gestação gêmeos



Texto: Nathalie Ayres / Foto: Shutterstock / Adaptação: Clara Ribeiro

Quando há casos de gêmeos na família, as chances aumentam 10 vezes para a nova mamãe
Foto: Shutterstock

Quando os pais estão no ultrassom do pré-natal e recebem a notícia de que a futura mamãe está carregando gêmeos, tudo fica em dobro: a alegria, o medo, as responsabilidades, os gastos e principalmente os cuidados. Mas tudo deveria ser visto com entusiasmo, pois é raro que essa dose dupla aconteça naturalmente. “A incidência de gestações espontâneas gemelares são de 1 em 100 gestações, trigemelar de 1 em 7.295 e quádruplas 1 em 600.000 casos”, quantifica Rosane Rodrigues, obstetra e especialista em reprodução humana (SP).

Herança familiar

Não é mito, realmente a genética está ligada à possibilidade de uma mãe ter dois ou mais filhos em uma gestação só. “O fator genético vem da mãe, se ela já teve gêmeos antes ou de sua história familiar, atribuído à maior estimulação ovariana”, ensina a ginecologista Silvia Herrera. Quando há casos de gêmeos na família, as chances aumentam em 10 vezes. Além disso, é muito mais comum o surgimento de uma gravidez múltipla após tratamentos de inseminação artificial, pois mais de um óvulo fecundado é colocado no útero da mulher, e mais de um pode dar certo.

Mais complicações

“Existem mais riscos maternos como pré-eclampsia, diabetes, anemia. As consultas pré-natais devem ser mais frequentes”, explica Silvia Herrera, ginecologista e coordenadora da medicina fetal do Salomão Zoppi Diagnósticos (SP). Para os bebês também pode haver complicações, principalmente se eles dividirem as mesmas estruturas dentro do útero. Só de estarem na mesma placenta, os fetos podem ter de 3 a 5 vezes mais riscos de mortalidade perinatal, além de uma maior taxa de prematuridade, restrição de crescimento ou malformações, conta a especialista.

Outro quadro que pode aparecer é a síndrome de transfusão fetofetal. Ela atinge de 5% a 15% dos gêmeos univitelinos e ocorre quando um dos bebês recebe menos sangue, por haver uma conexão entre os vasos dos dois. “Um acaba ficando anêmico e com pouco líquido. O outro tem aumentada a produção de líquido amniótico e com este excesso pode ter insufi ciência cardíaca”, ressalta Silvia. Além disso, há mais chances de que as crianças nasçam prematuras. E o parto antes da hora pode acarretar em riscos de morte fetal e neonatal, que estão ligados à prematuridade e ao baixo peso, como ressalta Rosane. Normalmente, o parto de cesariana é mais indicado, mas tudo depende da quantidade de fetos, sua vitalidade e das condições da mãe.

Para afastar o medo

Ao fazer consultas pré-natais e ultrassom quinzenalmente, há maior chance de detectar esses tipos de problemas e haver uma intervenção mais rápida. Mas não há uma fórmula sobre a frequência. Tudo depende também do histórico da mãe, se ela não apresenta complicações como pressão alta ou diabetes, coisas que o obstetra analisará desde o início.

Engana-se a mãe que acha que poderá comer em maior quantidade por ter mais de uma criança. “O ganho de peso deve girar em torno de 15 quilos, acrescentando apenas 200 calorias por dia a mais do que na gravidez única”, contabiliza Silvia.

É importante que haja também uma suplementação de ferro e vitaminas. Quanto às atividades cotidianas, nada precisa ser interrompido inicialmente. “Caso não sejam identificados fatores predisponentes para trabalho de parto prematuro, a gestante gemelar pode praticar exercícios físicos de forma moderada, evitando, entretanto, práticas aeróbicas e anaeróbicas de grande impacto”, ensina Rosane.

Tipos de gêmeos

Nem sempre estar grávida de gêmeos tem as mesmas implicações. É importante saber se os fetos dividem o mesmo código genético e as mesmas estruturas dentro do útero. Conheça as diferenças:

Univitelinos

São resultado da fecundação de um mesmo óvulo, que forma dois fetos, com o mesmo código genético. Quando essa separação ocorre até o 4º dia, formam-se duas bolsas amnióticas e duas placentas. Se for até o 8º dia, haverá uma só placenta. Até o 13º dia, eles dividirão também a bolsa amniótica. E quando a divisão ocorre depois disso, os bebês nascerão siameses. Quanto mais estruturas eles compartilharem, mais cuidados pede a gravidez.

Bivitelinos

Ocorre quando dois óvulos diferentes são fecundados e crescem no mesmo útero. Nesse caso, cada feto tem placenta e bolsa amniótica individuais. Isso implica que os bebês têm códigos genéticos diferentes, ou seja, não serão idênticos, terão características físicas diversas e podem até nascer com sexos diferentes.

Revista VivaSaúde Edição 120



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