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  Meu filho não engorda. Por quê?
Essa é uma preocupação que não deixa de freqüentar, um dia sequer, os consultórios de pediatras no mundo inteiro. Às vezes, a queixa é com razão, outras, mera insegurança. Para acabar de vez com as dúvidas, saiba aqui o que os especialistas pensam sobre o assunto

Por JANETE TIR / ILUSTRAÇÃO REGISCLEI

Para descobrir a causa

A investigação começa traçando o perfil genético dessa criança. Analisando como é a família; se os pais e irmãos são magrinhos, normais ou com tendência à obesidade. Se a criança segue o padrão genético dos pais, não tem com o que se preocupar. "Daí os médicos e até psicólogos têm de mostrar para a mãe que ela tem de valorizar a filha ou o filho do jeito que ele ou ela é. Se a criança é magra, que bom, ela pode ser uma ótima atleta. Às vezes, algumas mães demoram mais do que outras para enxergar o filho magro como uma pessoa saudável, que a magreza faz parte do corpo dele, que ele é assim mesmo. Mas devagar elas chegam a esta conclusão", afirma o pediatra.

Depois, o médico passa para a averiguação do ambiente em que vive essa criança e qual o seu estilo de vida. Por exemplo, crianças que se alimentam bem, mas são ativas demais, vão gastar mais calorias do que ingerem e, portanto, emagrecem. Um adolescente que consome 3 mil calorias diariamente, mas pratica algum esporte e gasta 4 mil calorias por dia, apesar de ter uma alimentação supercalórica, também vai emagrecer. Já o binômio crianças sedentárias-excesso calórico é preocupante, pois o estilo de vida pode levar à obesidade.

Se em nenhum dos dois pontos foi encontrado anormalidade, então é preciso saber se existe alguma doença, alguma queixa. Dentro desse capítulo existe uma enormidade de características para descobrir. Em primeiro lugar, é preciso saber se a ingestão de alimentos é suficiente. Segundo, se o alimento consumido foi devidamente absorvido pelo organismo. E terceiro, se existem perdas anormais, como diarréias incessantes, ou sudorese excessiva, ou febre crônica ou vômitos constantes.

Segundo o especialista do Instituto da Criança, "em um exame mais aprofundado em uma das minhas pacientes que a mãe rotulava como magra, percebi que a criança era bulímica. Ela vomitava não porque achava que estava gorda, mas porque se sentia mal e precisava vomitar. E a mãe nunca desconfiou de nada".

Fique atento ao que ele pede

O pediatra e nutrólogo Fábio Ancona Lopes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que "dificuldade de engordar só pode existir quando a criança come, mas se mantém abaixo do peso esperado para a idade. Então, é preciso procurar algum problema de saúde, que pode ser alergia alimentar, sendo o leite uma das mais freqüentes; ou uma série de doenças do aparelho digestório, que dão quadros de má absorção intestinal; ou doenças que são genéticas, como a doença celíaca ou fibrose cística; ou doenças renais, que fazem a criança perder sódio e cálcio pela urina e acaba não tendo os elementos de que precisa para crescer adequadamente".

Quando o problema é doença celíaca, "é mais complicado, porque a criança às vezes tem dez anos e nunca teve nenhum sintoma que a mãe notasse. Só que ela não percebeu, por exemplo, que o filho tem grande quantidade de gordura nas fezes, e é a gordura o alimento que mais dá energia", completa Cardoso.

Um outro ponto que não pode deixar de ser levado em consideração é o psicológico. "Com pai ou mãe agressivos ou uma avó que perturba, a criança passa a comer mal, pára de crescer e pode apresentar até interferências hormonais. Cuidar da tranqüilidade em casa é vital para evitar problemas, já que famílias muito fechadas geram crianças tristes e que não se desenvolvem como deveriam, mesmo com um cardápio engordativo", avalia o pediatra Ary Lopes Cardoso.

A CRIANÇA REPETE EXEMPLOS, ENTÃO NÃO ADIANTA OBRIGÁ-LA A CONSUMIR ALIMENTOS QUE ELA NÃO VÊ SEUS PAIS COMEREM

Faça da comida uma diversão

Tão importante quanto investigar possíveis distúrbios no organismo é ensinar desde cedo à criança a apreciar todos os alimentos. De acordo com a nutricionista Regina Stikan, do Hospital e Maternidade São Camilo, "a infância é um período de descobertas e formação de hábitos, principalmente os alimentares. Por isso, a criança deve ser motivada a experimentar alimentos variados e, para que esse conceito funcione, é fundamental que os pais também tenham uma alimentação equilibrada. Existe uma regra que é universal: a criança repete exemplos, então não adianta obrigá-la a consumir ou ter comportamentos que ela não vê em casa com seus pais".

Para quem acha que os filhos estão magrinhos e precisam de uma dieta supercalórica, a especialista pondera que "é importante considerar que a criança tem uma necessidade individual de alimentos. Muitas vezes a mãe diz que a criança come pouco, porém a qualidade nutricional e o seu desenvolvimento é que são referenciais, além de um histórico que deve ser acompanhado pelo pediatra".

E deixar os pequenos bem alimentados não é uma tarefa tão difícil assim. É começar desde cedo o incentivo ao consumo de verduras, frutas, cereais, proteínas, leite e derivados. E, aos poucos, a criança vai conhecendo os sabores, texturas e cores em suas refeições. "A escolha dos alimentos pode e deve ser discutida com a criança para que ela entenda que cada um tem sua importância para deixar o seu corpo saudável", diz a nutricionista.

"Outro meio bem eficaz para que a criança se interesse pela refeição é fazê-la participar dos detalhes que compõem o seu prato, que, por exemplo, pode ser a montagem de desenhos que ela conheça. Isso torna o momento da refeição muito divertido", diz a nutricionista. E, nesse item, a sua imaginação é o limite, porque a variedade de tipos de corte de legumes e frutas é imensa e torna os pratos visualmente muito mais atrativos.

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