Viva Saúde
Edição 44 - Abril/2007
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Garotada gordinha, sinal de problema
Estima-se que até 2010, 300 milhões de crianças sofram com a obesidade e seus riscos à saúde. Descubra os culpados e o que fazer para dar ao seu filho um futuro mais leve e saudável

POR SILVIA REGINA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Recentemente, o Brasil se espantou com a notícia da mãe pernambucana que, por pouco, perdeu a guarda do filho de oito anos, porque o menino estava gordo. É isso mesmo. A criança pesa 68 quilos e, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é considerada obesa. A mãe foi denunciada pelo próprio pai do garoto, que alega negligência pela parte materna. Casos semelhantes vêm acontecendo em outras partes do mundo. Na Inglaterra, o serviço social do país tentou tirar a guarda de Connor McCreaddie, também de oito anos, de sua mãe. O motivo: o garoto estava pesando quase 90 quilos.

O órgão público alegava que a mãe era incapaz de controlar a dieta do fi- lho, colocando a vida da criança em risco. Com os quilos extras, Connor não consegue se vestir, perde o ar com freqüência e tem ânsias.

As crianças ainda continuam sob os cuidados das respectivas mães. Mas tanto lá como aqui, o ocorrido causou polêmica e serviu para colocar novamente em discussão uma tendência mundial, de proporções assustadoras. A obesidade infantil já atinge 155 milhões de crianças, segundo dados da International Obesity Taskforce (IOTF), entidade que estuda meios para combater a obesidade mundial.

No Brasil, passa de 25% a parcela de crianças fora do peso. Os números preocupam ainda mais, quando se percebe que há 10 anos a incidência de obesidade infantil era muito baixa.

“Não chegava nem à metade dos índices atuais”, conta o endocrinologista Durval Damiani, chefe da unidade de endocrinologia pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. E o pior: a proporção deve aumentar. Estimativas da IOTF mostram que até 2010, 300 milhões de crianças sofrerão com o mal.

O USO DE MEDICAMENTOS E DA CIRURGIA BARIÁTRICA — AQUELA QUE REDUZ O ESTÔMAGO — SÃO PROIBIDOS NO TRATAMENTO DA OBESIDADE INFANTIL

Doença, sim, e multifatorial
Há várias causas para explicar esse surto de gordinhos pelo planeta: alterações genéticas, hereditariedade, má alimentação, sedentarismo e até fatores emocionais... Mas os especialistas são unânimes em apontar o atual comportamento infantil como o grande vilão. “Antigamente, a criança ia à escola a pé, brincava na rua, corria. Além disso, refrigerante na mesa era raro”, afirma a pediatra Gelsomina Colarusso, do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo.

SERÁ QUE O PESO DO SEU FILHO É NORMAL?
Para saber se uma criança gordinha está no grupo de risco, ou seja, com sobrepeso ou se é obesa, siga as instruções a seguir e faça uma continha bem simples:

Divida o peso real da criança pelo peso ideal (como consta na tabela a seguir). Depois, multiplique o resultado por 100.

Exemplo: peso real (20 kg) / pelo peso ideal (16 kg) = 1,25 x 100 = 125.

Se o valor estiver entre 110 e 120, seu filho está na faixa de sobrepeso. Acima de 120, ele já é considerado obeso. Em ambos os casos, é preciso buscar ajuda especializada.


FONTE: CENTRO DE CONTROLE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS (CDC), LIGADO AO DEPARTAMENTO DE SAÚDE DO GOVERNO NORTE-AMERICANO

CARDÁPIO DA GAROTADA: RICO EM CALORIAS
Ao entrar em um supermercado, fica fácil constatar como os produtos calóricos estão acessíveis. Há pacotes de bolachas recheadas custando menos de R$ 1. Salgadinhos, então, é possível encontrá-los por R$ 0,50. “São alimentos altamente calóricos, com muito carboidrato e gordura”, alerta a endocrinologista paulista Zuleika Halpern, representante do departamento de obesidade infantil da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). Para o Ministério da Saúde, o Brasil está passando por um período de transição nutricional. Trata-se do abandono de hábitos alimentares saudáveis (o consumo de frutas, verduras e cereais), e da adoção de uma dieta pobre nutricionalmente, rica em sal, açúcar, gorduras e poucas fibras.

O que se vê é uma inversão. Enquanto os produtos saudáveis estão mais caros, os prejudiciais ficam mais baratos. “Isso faz com que as crianças tenham acesso a esses alimentos todos os dias”, diz o pediatra e nutrólogo Carlos Alberto Almeida, de Ribeirão Preto (SP), autor do livro De fofinho a gordinho (Editora Funpec) e membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.