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Edição 35 - Novembro/2006
 
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  Muito (mais) prazer
A busca por qualidade de vida sexual está na ordem do dia. Pesquisas apontam que 96% das pessoas consideram o sexo importante para a harmonia do casal e para o cotidiano em geral. Aprenda a identificar e resolver o que pode atrapalhar seu desejo e sua saúde

POR STELLA GALVÃO E YARA ACHÔA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Casada há 17 anos, a professora Vera, 45 anos, finalmente encontrou forças para procurar ajuda. A rotina desinteressante ao lado do marido, o que incluía a vida sexual do casal, havia alcançado níveis insuportáveis. "Ele primeiro esperava que eu me virasse para 'chegar lá' e só então começava o ritual dele, não tinha mais preliminares, nem uma palavra, nem um beijo", recorda. Ela soube por uma vizinha da existência do Ambulatório de Sexualidade no Cli matério da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), criado no ano passado e que já atendeu em média 300 mulheres. O diagnóstico foi claro: Vera, como metade das pacientes que ali chega, tinha perdido a libido, o desejo, a vontade de fazer sexo.

"Muitas mulheres vêm com a autoestima arrasada e o relacionamento afetivo des gastado", relata a ginecologista Carolina Carvalho Ambrogini, coordenadora do ambulatório. No local são oferecidos avaliação médica - o que inclui dosagens hormonais para verificar se não há déficit dessas substâncias relacionadas à fisiologia do prazer - e psicoterapia para abordar temas muito mais espinhosos.

"Quem consegue romper as barreiras culturais que se contrapõem ao prazer sexual, quem realiza o sexo bem-feito, quanto mais o tempo passa, mais sexo faz e mais gosta de fazer", diz Isabel Vasconcellos no livro Sexo sem Vergonha (Soler Editora).

Amor é prosa, sexo é poesia
A ginecologista e terapeuta sexual Jaqueline Brendler, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash), combate a fantasia feminina de separar sexo de amor. "Muitas mulheres não transam, só 'fazem amor' e, assim, o sexo é conectado a coisa feia, pecado, o que é um componente da educação repressiva que persiste".

E, ao que parece, a falta de desejo está disseminada e não mais vinculada às fases do climatério e menopausa. "Atendo meninas de 16 anos e adultas jovens com desejo sexual hipoativo", revela a médica. Ou seja, mulheres que sequer têm a desculpa da rotina das noites iguais e pouco estimulantes com o mesmo homem.

A sexualidade não pode estar separada da relação que se tem com o parceiro, afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex), que realiza atendimento gratuito há mais de seis anos no Hospital das Clínicas de São Paulo. "Se o relacionamento é satisfatório, há atração, se há jogo erótico entre os dois, a chance de manter o entrosamento sexual é muito maior", diz. No ano passado, com base no maior estudo já realizado sobre a vida sexual do brasileiro, ela constatou que metade da população ouvida disse ter alguma disfunção sexual - nomenclatura utilizada por médicos e terapeutas para classificar as várias manifestações que 'travam' uma intimidade prazerosa. Elas incluem perda da vontade de fazer sexo (baixa libido), falta de prazer (anorgasmia), dor durante a relação (dispareunia). Nos homens, a disfunção erétil e a ejaculação precoce aparecem em destaque.

"Todo mundo sabe que, se parar de comer, vai ficar doente. Poucos ligam a insatisfação sexual às doenças. Pessoas bem resolvidas sexualmente tem um ar de felicidade não só no rosto, mas em todas as suas atitudes. A satisfação nos impulsiona e motiva. Trabalhamos melhor, somos mais produtivos. Sexo ainda libera endorfinas, faz bem para a pele, é exercício físico", enumera a especialista Isabel Vasconcellos.

E ninguém, se não você mesmo, pode se dar uma chance para melhorar sua qualidade de vida se xual. "Independentemente da certeza de êxito, não espere chegar ao fim da festa para pensar em se divertir.

Não descuide da saúde, nem dos prazeres saudáveis. Pratique sexo responsável na medida da sua emoção e da capacidade do seu corpo. Receita para o sucesso sexual? A melhor dica é: informe-se, não se conforme, reformule-se sempre que se sentir insatisfeito", aconselha a psiquiatra Carmita Abdo.

As disfunções podem ser divididas em quatro tipos:

FONTE: DESCOBRIMENTO SEXUAL DO BRASIL (SUMMUS EDITORIAL), DE CARMITA ABDO

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