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Edição 29 - Setembro/2006
 
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Prevenção
  Apendicite é coisa séria
Muita gente acha que o problema não apresenta gravidade. Porém, ele corresponde à principal causa de cirurgia abdominal de urgência e pode resultar em complicações sérias

POR JUREMA APRILE
ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

O tempo corre contra o paciente que sofre com a inflamação do apêndice. A cirurgia para a retirada do órgão, a apendicectomia, deve ser feita assim que o problema é detectado. Afinal, conforme voam as horas, a infecção aumenta e cresce o perigo - o processo todo é muito rápido. Para se ter idéia, desde o início da dor até o apêndice perfurar podem se passar cerca de seis horas e as chances de haver complicações são de 35%. "Depois de 32 horas, os riscos sobem para 60%", avisa a médica Elisabete Almeida, especialista em prevenção e editora médica de Harvard, nos Estados Unidos. "Por isso, é muito importante procurar um hospital quando se tem uma dor abdominal forte", alerta. E nada de automedicação. "Tem gente que confunde os sintomas e toma remédio para infecção urinária: isso mascara a doença e a situação começa a entrar em uma rota perigosa", adverte o cirurgião Fernando Cabral de Menezes, de São Paulo.

A 'apendicite de segunda-feira' costuma ser a mais grave. "A pessoa começa a ter sintomas na sexta-feira. No sábado, acha que comeu alguma coisa que não fez bem e vai agüentando o incômodo. Só procura o médico na segunda. Mas aí já perdeu dois dias e o quadro é pior", diz Fernando Cabral. "Ninguém morre de apendicite aguda, mas de suas complicações", completa o especialista.

UM ACESSÓRIO?
O apêndice é um órgão linfático localizado no ceco, a divisão entre o intestino delgado e o grosso, como um 'rabinho' - ou acessório - que sai do ceco. Por seu formato, pode ser chamado de apêndice vermiforme, mas, na medicina, seu nome é apêndice íleo cecal. Varia de tamanho, de 3 cm a 20 cm de comprimento, e localiza-se no abdômen inferior, do lado direito. Os sintomas iniciais da apendicite, portanto, são mais comuns nessa região do corpo. Mas a dor forte no lado esquerdo da barriga, acompanhada de febre, não exclui o diagnóstico. Ao contrário, pode indicar complicações da doença.

COMO TUDO COMEÇA

O apêndice tem um tecido chamado linfóide, produtor de uma série de glóbulos brancos, chamados linfócitos, que o organismo usa em seu sistema de defesa. "É tão pequena essa produção, que se o órgão for retirado, não faz diferença", diz Sérgio Leandro Maciel Pomini, cardiologista especializado em atendimentos de urgência, de São Paulo. Na infância e na adolescência, essa produção de linfócitos é grande - e o tecido linfóide pode crescer, fazendo o apêndice aumentar de tamanho, obstruindo os vasos sangüíneos que irrigam o órgão, entupindo-o e dando início ao processo inflamatório. O órgão também pode entupir se acontecer de ele girar sobre si mesmo, cortando o fluxo sangüíneo e a limpeza do muco intestinal. É o que popularmente se conhece como 'nó nas tripas'.

MUITO CURIOSO...
 A apendicite foi descrita pela primeira vez em 1755. Antes disso, morria-se da doença que era chamada de nó nas tripas.
 Quem vai fazer expedições, astronautas e pilotos de avião, podem optar por retirar o apêndice para não ter problemas durante a viagem. A Nasa impõe essa condição aos seus astronautas.
 Não há provas de que a alimentação possa causar apendicite. E caroços - de tomate, de goiaba, ou sementes, como gergelim, não entopem o apêndice.
 No século passado ficou famoso o caso do astro do cinema mudo norte-americano, Rodolfo Valentino, símbolo sexual dos anos 1920. Ele demorou a operar o apêndice e morreu de peritonite, aos 31 anos.

O passo-a-passo da complicação

A apendicite também pode ser um processo agudo obstrutivo. Os pedacinhos de fezes - os fecalitos - impedem a limpeza fisiológica do muco que reveste as paredes do intestino, do apêndice inclusive. O fecalito e o muco entopem o apêndice, com diminuição da circulação sangüínea e favorecendo a proliferação excessiva de bactérias. Isso provoca a inflamação que faz o apêndice aumentar de tamanho.

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