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Edição 26 - Junho/2006
 
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  Agüenta coração torcedor
Segundo especialistas, as fortes emoções, como as vividas pelos amantes do futebol, podem provocar inúmeros efeitos ao organismo - desde alívio do estresse até infartos

POR STELLA GALVÃO
FOTOS FERNANDO GARDINALI
ILUSTRAÇÃO: ALEXANDRE ARCHANJO

Enquanto a seleção brasileira de futebol ou o seu time do coração luta pela conquista de títulos, entusiasmados torcedores ficam com os nervos em frangalhos na expectativa daquela catarse coletiva que se renova a cada jogo vencido.

"Além de desejar a vitória em campo, os brasileiros precisam muito de um acontecimento positivo, que os anime em momentos de descrença após os sucessivos escândalos na esfera política e da crise na segurança pública", analisa Raquel Rodrigues Kerbauy, psicóloga clínica e professora titular de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Que a festa da torcida é positiva, ninguém tem dúvida, mas é preciso ficar atento para não sucumbir ao peso da comemoração ou da frustração, em caso de derrota. A especialista lembra que um traço comum aos torcedores é valorizar a arte e a alegria demonstradas em jogo, o que amplia a empolgação e a escalada emocional. Se o resultado for favorável, o relaxamento é substancial, um gol perfeito do ponto de vista psicoterapêutico.

As emoções, como explica a psicóloga Kátia Osternack Pinto, presidente da Associação Brasileira de Neuropsicologia, agem sobre o organismo por meio da liberação de substâncias benéficas ou prejudiciais. Quando se trata de reações emocionais fortes como as que envolvem as partidas de uma Copa do Mundo ou do campeonato brasileiro, por exemplo, homens e mulheres vivenciam plenamente uma situação de estresse.

Esse estado de alteração orgânica não é necessariamente negativo, como se costuma pensar. Historicamente, essa reação fisiológica remonta ao homem das cavernas que, sob estresse, lutava para obter o seu sustento e também para fugir dos predadores, como lembra o clínico geral Arnaldo Lichtenstein, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

"Sob estresse, o organismo libera vários hormônios como adrenalina e cortisol que preparam o corpo para uma luta ou fuga", explica. Com a descarga dos hormônios na corrente sangüínea, há aumento do batimento cardíaco, da pressão arterial e até do nível de açúcar no sangue. "Normalmente é bom para o organismo porque ativa a estrutura muscular em resposta imediata ao estímulo estressor", diz o médico.

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