Viva Saúde
Edição 20 - Dezembro/2005
 
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  Estresse demais, sexo de menos
Nem sempre há problemas orgânicos interferindo na vida sexual de homens e mulheres. Questões como a agitação do dia-a-dia e a ansiedade sem limites são mais potentes para literalmente colocar tudo abaixo. Vale dar uma pausa e resgatar esse desejo...

POR PATRICIA BOCCIA
FOTOS FERNANDO GARDINALI


Lucília tem uma vida profissional atribulada, do tipo que é necessário 'matar um leão por dia' para provar sua capacidade e sem hora para sair do escritório. Nelson, seu marido, continuamente é pressionado a atingir as metas da companhia. O casal ainda conta com uma rotina dura em casa com dois filhos, André, de quatro anos, e Vitor, de seis. Para completar, também administram diariamente os problemas financeiros do lar e do relacionamento. Conclusão: ambos sabem bem o quanto o estresse está sendo culpado pela baixa disposição do casal. Tanto que, tarde da noite, quando caem na cama é cada um para seu lado e o cansaço no meio. A vida sexual perdeu o brilho há muito tempo.

Lucília e Nelson encaram o dilema comum a mais de 60% dos casais brasileiros, principalmente aqueles que moram em cidades grandes. O estresse domina o cotidiano de tal maneira que a pessoa passa a não reagir mais a seus desejos. E o plano sexual é um dos que mais sofre com isso. Uma extensa pesquisa realizada pela psiquiatra Carmita Abdo, professora e coordenadora geral do Projeto Sexualidade (ProSex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, levantou dados surpreendentes.

Utilizando bases científicas - obtidas em uma amostragem feita com mais de sete mil brasileiros de todas as regiões do país - a médica chegou a várias conclusões. Uma delas diz respeito aos inimigos do prazer: cansaço, pouco tempo, rotina pesada e ansiedade foram as queixas apontadas pelos entrevistados para justificar o desencantamento pelo sexo. "Prova de que o estresse é fatal contra a saúde sexual", conclui a especialista Carmita Abdo.

A fim de que o indivíduo expresse a vontade de fazer sexo, seu organismo precisa funcionar perfeitamente. Hormônios e estímulos de neurotransmissores são imprescindíveis para que o homem tenha uma ereção completa e a mulher sinta seus órgãos genitais lubrificados, prontos para a penetração. Acontece que o estresse é o primeiro grande responsável por desestruturar essa delicada engrenagem sexual.

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