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Edição 2 - Junho/2004
 
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  Alerta máximo contra gripe
A danada chegou mais cedo e mais agressiva, deixando muita gente de molho. Mas ainda dá tempo de se proteger contra o terrível 'atchim!'

por CRISTINA NABUCO
FOTOS FERNANDO GARDINALI

FOTOS FERNANDO GARDINALIA Organização Mundial da Saúde (OMS) está em alerta contra a possibilidade de uma epidemia grave de gripe, de proporções globais. A expectativa é que seja tão devastadora quanto a gripe espanhola de 1918, com a diferença de que agora tende a se alastrar em uma velocidade muito mais rápida. Naquele tempo, levava cerca de quatro meses para uma doença se espalhar pelo mundo. Hoje, bastam quatro dias. O fujian, como é conhecida a mais recente mutação do vírus influenza - responsável pela gripe -, provocou uma corrida aos hospitais na Europa e nos Estados Unidos na última temporada de frio: as internações triplicaram e o número de mortes entre os americanos foi o maior dos últimos cinco anos. Só na população abaixo de 18 anos ocorreram 142 óbitos. No Brasil, suspeita-se que o vírus já esteja agindo. Os sintomas: febre alta, dor de cabeça, mal-estar, fadiga e dores musculares, todos semelhantes aos da gripe convencional. "Porém mais intensos, duradouros e com maior índice de complicações", informa Isabella Ballalai (RJ), presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Regional Rio. E dessa vez, aumentando o incômodo, acompanham tosse seca e irritação da garganta, bem como vômitos e diarréias no caso de crianças.

O prejuízo costuma ser maior em idosos (já que a defesa orgânica perde a resistência com os anos), doentes crônicos (diabéticos, cardiopatas, asmáticos), menores de dois anos e portadores de deficiências imunológicas. O corpo debilitado pelo agente é alvo fácil do ataque de bactérias oportunistas causadoras de infecções graves como sinusites, otites e pneumonias que podem levar à morte.

Plano de defesa em nível mundial
Como o inverno brasileiro acontece depois do dos Estados Unidos e da Europa, houve tempo para identificar o fujian e organizar uma defesa contra ele. A Organização Mundial de Saúde trabalhou a jato, criando uma rede para flagrar esses agressores o mais rápido possível a fim de evitar epidemias. A Rede Mundial de Vigilância da Gripe compõe-se de 112 laboratórios em cerca de 80 países que rastreiam os vírus em circulação. No Brasil participam os Institutos Adolfo Lutz (SP), Fiocruz (RJ) e Evandro Chagas (PA) e há um grupo regional de observação, o Grog, criado no Setor de Geriatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A partir desses dados, a OMS define os três subtipos que devem fazer parte da composição da vacina.

Não tem jeito: a vacina é a melhor forma de se proteger contra a gripe, que é muito mais grave do que um simples resfriado. Ambos os termos designam infecções agudas do aparelho respiratório causadas por vírus, seres infinitamente pequenos que se instalam em células vivas e as obrigam a produzir réplicas suas, 'escravizando-as' e provocando todo esse reboliço. Mas enquanto o resfriado é originário de mais de 200 tipos diferentes de agentes, pertencentes aos grupos do rinovírus, adenovírus e coronavírus, entre outros, a gripe está relacionada a três versões do influenza - A, B e C - e seus sintomas são mais severos. "Ela deixa a pessoa de cama, causa debilidade física e impede a realização das atividades normais", informa a dra. Isabella.

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