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Edição 18 - Outubro/2005
 
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  Alta ansiedade
Para boa parte da humanidade, o tempo parece voar e a preocupação vem sempre antes da hora. Mas se essa agitação foge do controle e atrasa literalmente a sua vida, cuidado. Você pode estar doente

POR DANIELA TALAMONI E YARA ACHÔA
FOTO FERNANDO GARDINALI

As várias faces do mal
Engana-se quem acha que só a pessoa agitada, impulsiva e sem a mínima paciência de ficar sentada assistindo a um filme é candidata a um distúrbio de ansiedade. O fumante compulsivo e o vizinho que vive deprimido em casa também podem estar convivendo com o problema, sem saber. O transtorno tende a se manifestar de diversas formas e gerar uma série de tendências comportamentais, como medo, vícios e depressão.

A manifestação mais comum envolve as fobias, quando o paciente fica ansioso sempre diante de alguma situação ou estímulo específico: quem tem pavor de lugar fechado (o claustrofóbico) faz parte desse grupo. Outro tipo é a ansiedade aguda, por exemplo, a síndrome do pânico, que é um mal-estar geral acompanhado de uma forte sensação de morte iminente. Neste caso, os sintomas duram poucos minutos e surgem sem razão aparente. Por fim, há o chamado Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). "Trata-se de um distúrbio crônico, com períodos de melhora e piora dos sintomas, que faz o portador ter uma perspectiva catastrófica diante de situações simples do cotidiano", explica a psicóloga Maria Cláudia Bravo (SP). Segundo ela, os portadores de TAG costumam ser excessivamente perfeccionistas e inseguros, apresentando uma tendência a refazer tarefas em razão do medo de serem desaprovados. "Qualquer decisão se torna um dilema", resume a profissional.

"MENTE ACELERADA É MENTE DESEQUILIBRADA. PARA LIVRAR-SE DA ANSIEDADE, É PRECISO APRENDER A ESCAPAR DE SEU DOMÍNIO"
ISAAC EFRAIM, PSIQUIATRA

Mas as vítimas dos transtornos de ansiedade têm algo em comum. Todas possuem predisposição genética para o problema, sendo mais vulneráveis a situações de estresse. Além disso, precisam de tratamento, ou seja, medicamentos (ansiolíticos e antidepressivos) e terapia cognitivo-comportamental.

Por mais que pareça óbvio, contar até dez, controlar a respiração, falar pausadamente e praticar ioga são as melhores recomendações para acalmar boa parte daqueles que se dizem ansiosos. Mas alguns indivíduos precisarão de uma ajuda especializada se quiserem levar a vida numa boa.

 


UM ESTÁGIO SAUDÁVEL
A ansiedade corresponde à excitação do neurônio e sua necessidade de descarregá-la. Portanto, aquele leve estado ansioso perante novidades é normal. Segundo o psiquiatra Isaac Efrain (SP), os sinais comuns são uma suave excitação, sensação de pequena aceleração e euforia e pensamentos em maior velocidade. "Ansiedade normal é proporcional às dificuldades e promove um enfrentamento saudável", diz a psicóloga Maria Cláudia Bravo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo.

   

SOB CONTROLE
 


Veja a seguir as dicas do psiquiatra Isaac Efrain para controlar ou conviver bem com a ansiedade no dia-a-dia. Mas lembre-se: se esse estado emocional for freqüente a ponto de atrapalhar suas atividades, é recomendado procurar ajuda profissional (de preferência um psicólogo ou psiquiatra) para uma melhor avaliação.

1 - Respire fundo, lenta e compassadamente, pelo maior tempo que for capaz. Isto ajuda a desacelerar fisiologicamente o cérebro e, por conseqüência, a mente.

2 - Entenda que quando um problema novo se configura à sua frente, a solução não está em sua mente ou em seu pensamento, e sim no fato em si. Quando for possível, olhe para a dificuldade, procure entendê-la, aumente suas informações e seu conhecimento sobre ela. Não busque referências anteriores, para não aumentar a ansiedade. Se não for possível encará-la, tente não pensar nela - distraia a mente com outra coisa e até 'brigue' com sua cabeça se for preciso.

3 - Aceite a falta de controle. Abra mão da prepotência de seu cérebro e entenda que não somos superpoderosos que tudo possuímos o poder para controlar. Uma parte de nossa vida tem que ser entregue ao destino, à sorte e... venha o que vier.

4 - Problemas inesperados e novidades se resolvem com ações e não com pensamentos e possibilidades. É preciso fazer o melhor que está ao nosso alcance - e que seja focado e baseado no real. O que está além do nosso melhor esforço não se pode dominar.

5 - É possível conviver com a insegurança quando ela surgir à sua frente. Não queira se livrar dela, não tenha pressa. Isso porque quanto mais você aceitar esse fato, mais tranqüilamente ela irá embora e mais a sua mente se acalmará. Do contrário, quanto mais tentar se livrar dela, mais ela se transformará em crescente ansiedade.

6 - Não se deixe enganar pela mente. Quando ela ficar 'buzinando' internamente que o pior vai acontecer, use a expressão mágica: "seja o que Deus quiser..."

 

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