Viva Saúde
Edição 18 - Outubro/2005
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Alta ansiedade
Para boa parte da humanidade, o tempo parece voar e a preocupação vem sempre antes da hora. Mas se essa agitação foge do controle e atrasa literalmente a sua vida, cuidado. Você pode estar doente

POR DANIELA TALAMONI E YARA ACHÔA
FOTO FERNANDO GARDINALI

Motivos para se preocupar
Na rede virtual de amigos que virou febre no mundo, o Orkut, existem mais de 30 comunidades sobre ansiedade - e em apenas uma delas há quase 54 mil participantes. Muitos ali relatam sofrer e ter muitos problemas no dia-a-dia com esse 'jeito de ser', além de confessarem sentir freqüentemente tremores, dores musculares, fadiga, inquietação, falta de ar, palpitações, boca seca, vertigens e tonturas, náuseas e diarréia, rubor ou calafrios, dificuldade de concentração e insônia, entre outros sintomas.

Mas, provavelmente, poucos têm a consciência de que isso possa significar algo mais sério. "A partir do momento em que a ansiedade começa a fugir do controle, a prejudicar o desempenho (social, profissional, comportamental) do indivíduo e a provocar efeitos físicos, pode ser considerada um transtorno psiquiátrico", explica Francisco Lotufo. O problema é que esse tipo de distúrbio costuma se manifestar de diversas formas, confundindo o diagnóstico e adiando o tratamento.

Os primeiros resultados de duas pesquisas realizadas desde 1994 na região metropolitana de São Paulo confirmam isso. Os trabalhos estão sob a coordenação da médica epidemiologista Laura Helena Silveira Guerra de Andrade, do Instituto de Psiquiatria da USP, e irão representar os dados brasileiros no World Mental Health Survey (Levantamento Mundial sobre Saúde Mental), coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na primeira apuração, feita com 1.464 moradores dos bairros de Vila Madalena e do Jardim América, e cujos dados foram concluídos em 1998, a psiquiatra observou que quase metade (45,9%) apresenta ao menos um tipo de distúrbio psiquiátrico - 12,5% referentes aos transtornos de ansiedade. Porém, na segunda etapa das entrevistas, que ainda está em andamento e envolve 5.500 paulistanos, já foi possível verificar que apenas 20% dos ansiosos patológicos recorrem a ajuda médica específica.

É NECESSÁRIO QUERER MUDAR

 

"Aos 17 anos, estava deitado na cama, quase pegando no sono, quando senti um mal-estar forte e repentino: tontura, desconforto, falta de ar, suor exagerado, tremedeira. Tive a certeza de que ia morrer. As crises tornaram-se freqüentes e, durante sete anos, nenhum médico suspeitou da síndrome do pânico. Ninguém, aliás, conseguia entender os meus sintomas, nem eu nem minha família. Então, passei a culpar o estresse e as chateações do dia-a-dia e a tentar achar alguma solução para isso. Resultado: desisti da pós-graduação que cursava na época, pedi demissão do estágio em administração e terminei um namoro de três anos. Nada, porém, me fez melhorar. Tinha medo de passar mal, sentia-me impotente diante da doença (ainda mais eu que sempre me considerei seguro e independente) e comecei a ficar depressivo. Quando identifiquei o que estava sentindo, lendo uma matéria sobre transtornos de ansiedade, as crises diárias chegavam a dez. Hoje admito que é necessário muito mais do que força de vontade para superar um problema desses. Faço terapia, tomo um antidepressivo e um ansiolítico, e tenho uma rotina 100% normal. Só uma coisa continua me deixando agitado: saber que poderia ter evitado alguns anos de atraso em minha vida, se tivesse buscado tratamento especializado logo no início."
Alexandre Pastore, 39 anos, administrador de empresas

 

 


Os sintomas abaixo indicam que a ansiedade já passou dos limites. Se você estiver convivendo periodicamente com pelo menos dois deles ou ainda surgirem sem nenhuma razão, procure um médico especialista em saúde mental.

Taquicardia
Inquietação motora
Diarréia
Mal-estar generalizado Tremores Compulsões (que levam a vícios, como roer unha, fumar ou beber em excesso)
Fobias Boca seca
Angústia Falta de ar
Sensação de morte Dor de barriga
   

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.