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Edição 15 - Julho/2005
 
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  Como e por que ativar a memória
Especialistas discutem a importância da função mais complexa do corpo humano e revelam a verdade sobre velhos e novos recursos para exercitar o cérebro - da palavra cruzada à novíssima pílula anti-esquecimento

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Quebrando a cabeça

Seja para afastar a possibilidade de desenvolver uma demência como o mal de Alzheimer ou para melhorar o seu empenho nos estudos e na profissão, as pessoas têm procurado exercitar cada vez mais a mente. Para isso, lançam mão de todo tipo de recurso: livretos de palavras-cruzadas, cursos de leitura dinâmica, livros sobre técnicas e exercícios de memorização... Já nos laboratórios, cientistas tentam desvendar o complexo mecanismo de funcionamento dos neurônios em busca de um remédio anti-esquecimento. Neste ano, aliás, foi anunciado o primeiro resultado dessa iniciativa ousada da ciência. Trata-se de uma droga pertencente à família de medicamentos chamada ampaquinas e que já está em fase de testes. Batizada de CX717, ela teria a função de estimular a produção do glutamato, principal neurotransmissor do Sistema Nervoso Central (SNC), responsável por facilitar a comunicação entre as células do cérebro.

Todas essas tentativas são válidas, garantem os especialistas, mas de acordo com eles ainda será necessário que a humanidade quebre muito a cabeça para entender todos os processos bioquímicos envolvidos na formação de nossas lembranças. Isso porque a memória não tem uma sede fixa no cérebro que, ao menor sinal de falha, pode ser consertada com um remédio ou um simples ajuste. "Tratase, sim, de um processo, de um registro de aprendizado, enfim, da capacidade que o ser humano tem de se adaptar ao ambiente em que vive. Para serem formadas, essas memórias dependem de várias funções cognitivas, como percepção, raciocínio lógico- matemático, linguagem e atenção", explica o neuropsiquiatra Cláudio Guimarães dos Santos (SP), doutor em Neuropsicolingüística pela Universidade de Toulouse, na França, e especialista em reabilitação de pacientes com transtornos cognitivos.

Diferentemente do que muitos imaginam, portanto, a capacidade de se lembrar das coisas não se resume a guardar com detalhes a cena do primeiro beijo ou saber de cor os trechos mais importantes da bíblia. Por incrível que pareça, precisamos da memória para acertar o trajeto da cozinha até o banheiro de casa, para saber que colocar o dedo sobre a chama pode queimar ou ainda para entender o final de uma piada sutil e inteligente.

COMO SE FORMAM AS LEMBRANÇAS?
 

Para que as informações sejam memorizadas, todo o encéfalo (cérebro) é ativado. Os principais operários desse processo são os neurônios (células nervosas). Ao receberem um estímulo (uma frase, um cheiro, um sabor...), eles passam a se comunicar entre si a partir de duas estruturas que são os seus prolongamentos: os axônios (que enviam os sinais captados em forma de substâncias chamadas neurotransmissores) e os dendritos (que recebem essas substâncias). A aproximação (conexão) entre um neurônio e outro para que haja o vaivém desses neurotransmissores é denominada sinapse, em que ocorrem várias reações químicas ainda em estudo. Quanto mais numerosas e fortes forem essas conexões, mais eficientes as capacidades cognitivas, como a memória. A perda natural de neurônios com o passar dos anos, eventuais lesões no cérebro e as doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer, prejudicam a comunicação entre axônios e dendritos. Por outro lado, podem ter seus sintomas contidos se a memória for estimulada.. Nunca é tarde para incentivar a formação dessas sinapses!

 

   

SINAIS DE ALERTA
  Você já aprendeu que esquecer o cardápio do jantar de ontem ou o número do disque-pizza que acabou de checar na lista telefônica é perfeitamente comum. Estresse, falta de atenção e até mecanismos naturais do cérebro fazem com que certas informações permaneçam gravadas por apenas alguns segundos. Mas, se os lapsos de memória forem freqüentes e estiverem atrapalhando sua rotina, fique atento. Esquecimentos como os abaixo podem ser sintomas de algo mais sério e merecem avaliação médica, principalmente quando afetam idosos, vítimas de traumas cranianos e pacientes com depressão. Cuidado se você:
• Se perde em caminhos rotineiros
• É incapaz de acompanhar o raciocínio de um debate
• Possui dificuldade em realizar uma atividade com a qual estava acostumado. Por exemplo, a dona-de-casa que sempre cozinhou para a família e agora não consegue preparar o almoço de domingo
• Esquece que participou de um evento importante, realizado há poucas semanas, como o casamento da filha ou o aniversário do melhor amigo
• Tem falta de atenção e concentração suficientes para qualquer aprendizado
   

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