Viva Saúde
Edição 13 - Maio/2005
 
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  Por uma vida longa e saudável
Comemorar os 100 anos já não é mais privilégio dos orientais. Agora, especialistas tentam desvendar os caminhos para se chegar lá, com o máximo de vigor e lucidez

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS FERNANDO GARDINALI
TRATAMENTO DE IMAGENS NEWTON VERLANGIERI

20 anos: a fase ideal para começar a investir na saúde
Por muito tempo, no inconsciente coletivo, a imagem do felizardo que conseguia viver (e ter fôlego) para apagar 100 velinhas no bolo de aniversário era uma só: a de um senhor (ou senhora) simpático, de 'olhinhos puxados', adepto de uma alimentação natural e praticante de tai chi chuan, ioga ou qualquer outra arte milenar capaz de equilibrar o corpo e a mente. Graças ao aumento mundial da expectativa de vida e aos vários avanços da medicina, no entanto, ter a chance de presenciar o crescimento dos tataranetos ou as conquistas de uma geração inteira deixou de ser apenas privilégio dos orientais.

O planeta todo está com os cabelos brancos. A maioria dos centenários ainda vive no Japão e, juntos, somam 20 mil. Mas, assim como na terra do sol nascente, mulheres e homens com mais de 60 anos já ultrapassam o total de crianças na Bulgária, Alemanha, Itália e Grécia. Por aqui, segundo dados do IBGE, o número de brasileiros com 80 anos ou mais, que em 2000 era 1,8 milhão, aumentou e deve chegar a 13,7 milhões em 2050. É no Brasil, inclusive, que pode ter vivido o ser humano mais velho de que se tem notícia: a ex-escrava Maria do Carmo Jerônimo, moradora de Itajubá, interior de Minas Gerais, que morreu em 2000, aos 129 anos! Por falta de documentação, a façanha não foi registrada no Guiness Book, o livro dos recordes, e, oficialmente, a marca ainda é da francesa Jeanne Louise Calment, que viveu 122 anos até 1997.

O envelhecimento global é fato e, antes que muita gente notasse um familiar prestes a completar um século de permanência na Terra, o fenômeno já havia chamado a atenção dos cientistas. Os mistérios que envolvem nascimento, amadurecimento e morte do ser humano, aliás, sempre tiraram o sono dos pesquisadores. A diferença é que, agora, o objetivo não é descobrir formas de garantir ao máximo a sobrevivência da espécie. Com técnicas de saneamento básico, a tecnologia na produção de alimentos, a vacinação, entre outras evoluções e descobertas médicas (dos antibióticos até o coquetel anti- Aids), já é possível para as crianças nascidas na era da Internet viverem bem mais do que seus avós.

"Nunca fumei nem tomei bebidas alcoólicas. E, aos 48 anos, para curar um problema de má circulação, comecei a me exercitar. Hoje, faço hidroginástica, caminho todo dia e nado três vezes por semana. Já fui seis vezes campeã paulista de maratonas aquáticas em águas abertas e, aos 67 anos, fiz uma travessia de nove horas (42 km) no mar de Bertioga. Nem os remédios que preciso tomar para tratar uma disfunção da tireóide me deixam desanimada. Dizem que pareço ter 20 anos a menos, e é exatamente assim que me sinto. Se pudesse voltar atrás, teria abandonado a vida sedentária muito antes"

Olga Arsuffi, 70 anos, proprietária da Academia de Ginástica e Natação Atlantis, de São Bernardo do Campo (SP)


caminhos abertos pelo GENOMA
 


Geneticistas, bioquímicos e biólogos moleculares unem esforços para ligar pelos menos três descobertas ao processo de envelhecimento e tentar extrair os mecanismos necessários para controlar os desgastes naturais. São elas:

RADICAIS LIVRES: substâncias tóxicas formadas a partir de reações com o oxigênio. Até 5% delas no organismo não causam estragos e inclusive ajudam a eliminar bactérias intrusas. Em excesso, provocam danos às estruturas internas das células e redução em sua capacidade de produzir energia. Chamado de oxidação, este é o envelhecimento celular, responsável pelo aparecimento de uma série de distúrbios e doenças. "Conseguimos provar o quanto vários tipos de radiação, incluindo a emitida por luzes fluorescentes, contribuem para produzir radicais. Em contrapartida, já se sabe que alguns alimentos possuem substâncias antioxidantes, como vitamina E, capazes de barrar boa parte dos estragos", revela a bioquímica Nelci Fenalti Hoehr, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp), que trabalhou no Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA), em Baltimore, Estados Unidos.

TELÔMEROS: essas minúsculas estruturas de nome estranho foram a descoberta mais relevante dos últimos oito anos. "Presentes nas extremidades dos cromossomos, onde está enrolado o código genético (DNA), previnem fusões, recombinações, degradação ou perdas de seqüência durante as divisões celulares", explica o geneticista Sérgio Pena, da UFMG. Cada vez que uma célula se divide, os telômeros vão ficando menores e encurtando até acabar, gerar uma instabilidade genética e, conseqüentemente, levar à morte celular. Hoje são vistos como um relógio molecular para o envelhecimento. Pesquisa coordenada por cientistas da Universidade de Utah (EUA), por exemplo, comparou amostras de sangue de 143 pessoas de 60 anos e concluiu: aquelas com telômeros maiores têm menos chances de desenvolver doenças do coração e vivem de quatro a cinco anos mais. Agora, os cientistas buscam uma forma de evitar o encurtamento dos telômeros. Durante essas tentativas, já tiveram uma surpresa. Somente algumas células, como as que formam os tumores, conseguem preservar essas estruturas. Por isso, elas jamais param de se multiplicar. Isso também explica por que estudiosos alertam a população para a frágil linha que separa a tentativa de estender a vida com o aumento dos riscos de câncer.

REPOSIÇÃO HORMONAL: com o envelhecimento, o organismo deixa de produzir certos hormônios (necessários apenas à fase de crescimento e reprodução). Por isso, alguns cientistas defendem prolongar a atuação dessas substâncias na terceira idade para 'manter a juventude'. A fim de amenizar os efeitos da menopausa, por exemplo, as mulheres recorreram a doses de estrogênio e progesterona. Agora, a mania são injeções de hormônio do crescimento (o GH), com o objetivo de intensificar o vigor e a força muscular. Pesquisadores escoceses anunciaram também que a ingestão diária de uma pílula do hormônio tiroxina (produzido pela glândula tireóide), pode aumentar em até 30 anos a vida média das pessoas. As opiniões, no entanto, ainda estão divididas, até porque indícios sugerem que as reposições possam elevar os riscos de câncer, ataque cardíaco e osteoporose.

   

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