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Edição 11 - Março/2004
 
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  Sob pressão... alta
A hipertensão age em silêncio e leva à morte. Mesmo assim, há quem não dê atenção à doença e até resista ao tratamento. Médicos buscam maneiras urgentes de controlar o mal

POR DANIELA TALAMONI
FOTO GAL OPPIDO

Desde 1950, quando estudos começaram a relacionar o aumento da pressão arterial com o aparecimento de doenças graves, tornou-se um hábito medi-la com certa freqüência. Segundo pesquisa do Serviço de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, envolvendo 15 capitais brasileiras e 25 mil adultos, mais de 80% dos entrevistados afirmaram ter feito o exame nos últimos dois anos.

A prática, aliás, extrapolou o ambiente dos consultórios. Hoje, graças a aparelhos portáteis e precisos, é possível fazer a medição em casa, sem ajuda médica. As campanhas também se encarregam de lembrar que o controle deve ser anual. No próximo 26 de abril, muitas pessoas aproveitarão o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hipertensão Arterial para ter certeza de que estão fora do grupo de risco. Mesmo com todas as ações profiláticas, a pressão alta continua um problema de saúde pública e preocupa muito. Não é para menos: trata-se da terceira causa de morte no mundo (só perde para sexo inseguro e desnutrição) e responde por 80% dos casos de derrame e 60% de infartos.

No Brasil, existem 30 milhões de hipertensos, mas apenas 7 milhões estão sendo devidamente tratados. E o que é mais grave: um ano após o diagnóstico, 50% abandonam o tratamento e dos que persistem, só metade mantém a medicação. "No final, sobram 3% de hipertensos com a pressão sob controle. Na Inglaterra esse índice gira em torno de 6% e nos EUA chega a 25%", estima o nefrologista Artur Beltrame Ribeiro, do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

Afinal, qual o perigo da hipertensão?

O sinal vermelho dispara depois que o esfigmomanômetro (o aparelho específico utilizado em consultas rotineiras) registra uma pressão acima da máxima recomendada pela SBH, ou seja, 140 mmHg (milímetros de mercúrio) por 90 mmHg - o tal 14 por 9. Nessa hora, a dificuldade dos médicos é convencer o paciente de que irá precisar de tratamento. "A hipertensão não é considerada assassina silenciosa à toa. Ela é assintomática e a maioria das pessoas demora de 10 a 15 anos para descobri-la. Aqueles sintomas de tontura e dor de cabeça relatados pelos pacientes ocorrem quando a doença já está instalada há tempos", explica Artur Beltrame. Para entender o perigo dessa doença, imagine um mecanismo de irrigação simples, composto por uma torneira e vários esguichos interligados a partir dela. Quando a extremidade de um deles é fechada, há um aumento da pressão da água em seu interior. Isso provoca desgastes na borracha e, consequentemente, um inevitável vazamento.

O mesmo raciocínio serve para explicar o aumento da pressão arterial. A medida leva em conta a força com que o coração (a torneira) empurra o sangue para as artérias (os esguichos) e a resistência que esse líquido vital encontra para percorrê-las ao redor do corpo. No momento em que algo estiver entupindo ou deixando estreitos esses vasos, é caracterizada a hipertensão. Se nada for feito, qualquer artéria importante também poderá enfraquecer e se romper, como se fosse uma frágil mangueira. Caso isso ocorra na retina dos olhos, o hipertenso poderá ficar cego; no cérebro, terá um derrame; no coração, um infarto; e se atingir a aorta, principal artéria do corpo, a morte será instantânea.

Além desses estragos, o que torna a pressão alta tão perigosa é a dificuldade em reconhecer a causa para o problema. No jardim, é fácil identificar o responsável pelo caos. Já no organismo, mais de um fator costuma estar envolvido. Segundo Décio Mion, chefe da Unidade de Hipertensão do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP), em mais de 90% dos casos, a doença está relacionada de uma só vez à herança genética, má alimentação (abuso de sal e gordura), consumo excessivo de álcool, tabagismo, peso extra, entre outras. Por isso, se manifesta geralmente na fase adulta e, às vezes, regride com adoção de hábitos saudáveis.


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